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Política

Chilique na CPMI

O lulopetismo segue uma cartilha previsível diante de indícios incômodos: nega, desqualifica quem investiga e, se necessário, cria um tumulto para embaralhar o foco

CPMI
Registro do momento da deflagração da confusão na CPMI do INSS | Foto: Reprodução/YouTube/TV Câmara

A sessão desta quinta-feira, 26, na CPMI do INSS ofereceu ao público um retrato fiel do lulopetismo quando acuado. Um deputado do partido partiu para cima do presidente da comissão, aos berros, dedo em riste, como se a gritaria e os empurrões flácidos do capanga bem cevado pudessem soterrar o assunto. Não podem. O assunto continua de pé: aposentados foram roubados.

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O que está em jogo não é uma disputa regimental, mas algo muito mais elementar: descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Gente que contribuiu por décadas descobre que seu contracheque virou pasto para entidades suspeitas, contratos nebulosos e um labirinto administrativo que ninguém assume ter construído. A oposição não criou nada disso na base dos golpes de retórica. Os extratos bancários das vítimas bastam por si.

O lulopetismo tem longa experiência nesse tipo de enredo. Diante de indícios incômodos, a cartilha é previsível: nega-se o problema, desqualifica-se quem investiga, invoca-se a palavra mágica “democracia” e, se necessário, cria-se um tumulto capaz de embaralhar o foco. Foi assim nos monumentais escândalos do passado, no Mensalão e no Petrolão. Agora, o alvo não são apenas cifras bilionárias em estatais, mas o bolso do aposentado.

A irritação petista aumentou na mesma medida em que a CPMI aprovou medidas mais incisivas: dentre elas, a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — a quem o pai, descondenado por corrupção pelos camaradas de toga, chamou ciosamente de “o Ronaldinho dos negócios”. Na cultura política lulopetista, como se sabe, investigar figuras próximas ao poder soa como heresia institucional, sendo respondida com violência. Por vezes, fatal (como nos lembra permanentemente o fantasma de Celso Daniel).

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Há algo de especialmente cínico quando se observa o alvo do esquema: aposentados e pensionistas. O discurso oficial exalta os “mais vulneráveis”; a prática tolera que esses mesmos vulneráveis arquem com descontos obscuros até que alguém ouse perguntar quem autorizou, quem fiscalizou e quem lucrou.

O chilique desta quinta-feira, coreografado segundo a boa tradição petista de afetar indignação moral, foi uma pífia tentativa de lançar uma cortina de fumaça. Afinal, quanto mais barulho na comissão, menos a petralhada espera que se fale sobre responsabilidades concretas. A cleptocracia não se sustenta apenas com operadores financeiros. Ela precisa de operadores políticos dispostos a constranger e intimidar.

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Resta saber se a CPMI resistirá ao teatro. Porque, ao contrário das palavras de ordem, o dinheiro subtraído dos aposentados não é simbólico. É real — e faz falta na mesa de quem já contribuiu demais para sustentar o partido-Estado mais corrupto da nossa história.

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