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Política

Casos de antissemitismo se espalham nas redes sociais

Relatório da Conib mostra que houve 800 ocorrências desse tipo no país em 2025

Manifestantes participam de um protesto em Roma, em 28 de março de 2026. Na foto, as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estão sendo queimadas - 28/3/2026 | Foto: Andrea Ronchini/NurPhoto
Manifestantes participam de um protesto em Roma, em 28 de março de 2026. Na foto, as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estão sendo queimadas - 28/3/2026 | Foto: Andrea Ronchini/NurPhoto

Por décadas, o Brasil cultivou a imagem de um país relativamente imune ao antissemitismo. Contudo, esse cenário mudou de forma expressiva nos últimos anos.

O relatório Antissemitismo no Brasil, apresentado nesta segunda-feira, 30, pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), mostra que o país entrou em um “novo normal” de hostilidade contra judeus.

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Segundo o documento, o Brasil registrou 989 ocorrências de antissemitismo em 2025, número 149% superior ao de 2022, mesmo após a redução em relação ao pico de 2024. A média é de 2,7 casos por dia.

Para a Conib, esse cenário configura um “novo normal” de hostilidade contra judeus no Brasil.

As plataformas digitais se tornaram o principal vetor de propagação do antissemitismo. Em 2025, 80,9% das ocorrências foram registradas em ambientes digitais, cerca de 800 dos 989 casos.

O ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 funcionou como catalisador de uma nova onda de antissemitismo. Esse fenômeno acontece em nível mundial.

A chamada “globalização do ódio” faz com que eventos no Oriente Médio ou em universidades estrangeiras reverberem quase instantaneamente no Brasil, especialmente nas redes sociais.

A máquina digital do antissemitismo

Em 2025:

  • 800 dos 989 casos ocorreram on-line
  • apenas 189 foram offline.

As redes sociais são o principal campo de batalha:

  • Instagram: 37% dos casos;
  • X (Twitter): 13,8%;
  • Facebook: 11,6%; e
  • YouTube, WhatsApp e outras plataformas completam o quadro.

O discurso antissemita está se tornando mais difuso, menos explicitamente violento e mais integrado ao debate cotidiano. Ou seja: mais difícil de identificar, mas também mais persistente.

O discurso se infiltra na vida real

O antissemitismo vai além das fronteiras das redes sociais. O relatório completo traz casos concretos que ilustram a transição do discurso para a ação:

  • um rabino hostilizado durante a COP por ser associado automaticamente a Israel;
  • comentários públicos afirmando que “Hitler estava certo”; e
  • uma funcionária demitida no Rio Grande do Sul por ser judia, com justificativa ligada ao conflito no Oriente Médio.

Um dos avanços do relatório completo é mostrar que o antissemitismo está dentro das empresas.

Os dados são contundentes:

  • 46% dos judeus já sofreram antissemitismo no trabalho;
  • 19% relatam episódios diretos no ambiente profissional; e
  • 52% já ouviram piadas sobre judeus.

Mais grave ainda:

  • apenas 14% dizem que o tema é tratado de forma consistente nas políticas de diversidade; e
  • 15% das empresas têm políticas claras sobre o tema.

Ou seja: há um descompasso entre a retórica corporativa de inclusão e a realidade prática.

Outro ponto novo do relatório completo é a forma como os próprios judeus reagem ao fenômeno:

  • educação e esclarecimento lideram as estratégias;
  • produção de conteúdo e debate aparecem em seguida; e
  • ativismo físico é residual.

E onde isso acontece?

  • nas redes sociais;
  • no círculo social próximo; e
  • dentro da própria comunidade.

O relatório também detalha o conteúdo das manifestações. Há defesa explícita do nazismo, desumanização de judeus, generalizações coletivas e teorias conspiratórias

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