Movimentações no Conselho Fiscal do Banco de Brasília (BRB) colocaram lado a lado o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e um fundo administrado pela Reag Investimentos, investigada pela Polícia Federal (PF) no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo informações do jornal Estadão, as indicações ocorreram entre 2024 e 2025, período em que o BRB adquiriu carteiras do Master e tentou negociar a compra da instituição controlada por Daniel Vorcaro.
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Nesse intervalo, Ibaneis teria indicado sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, para o Conselho Fiscal do banco. Também foram indicados, inicialmente com apoio do governador, os advogados Leonardo Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói de Sousa, como titular e suplente. Posteriormente, as duas vagas passaram a ser formalmente indicadas pelo fundo Borneo, administrado pela Reag e que se tornou acionista do BRB.
As movimentações coincidiram com operações hoje sob investigação. O processo de compra de carteiras do Master pelo BRB teve início em meados de 2024. A Polícia Federal identificou, posteriormente, R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes, supostamente adquiridos entre janeiro e junho de 2025. Em março daquele ano, o BRB chegou a formalizar proposta de compra do Banco Master por R$ 2 bilhões, operação barrada pelo Banco Central em setembro.
Conselho Fiscal do BRB
Em nota ao Estadão, o BRB afirmou que a escolha dos membros do Conselho Fiscal segue a legislação das sociedades anônimas e destacou que o colegiado “não tem competência para deliberar sobre cessões de carteira ou operações societárias”.
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O banco sustentou que as decisões relacionadas ao Master passaram pela diretoria executiva. Segundo o BRB, não houve questionamentos formais do conselho sobre essas operações.
Apesar disso, o Conselho Fiscal tem atribuição legal de fiscalizar a gestão e requisitar informações contábeis. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — indicado por Ibaneis — foi afastado e é investigado. Depois da liquidação do Banco Master, Daniel Vorcaro permaneceu preso por 10 dias.
Troca de indicações

Em 14 de novembro de 2024, Juliana Monici foi indicada para o Conselho Fiscal como representante dos acionistas preferencialistas. Segundo o Estadão, depois da eleição, o BRB corrigiu a ata, reposicionando-a como representante do acionista controlador, o governo do Distrito Federal. Na mesma data, as indicações de Leonardo Vasconcelos e Celivaldo Sousa foram suspensas até análise do Comitê de Elegibilidade.
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A assembleia foi retomada em 12 de março de 2025, quando Juliana foi confirmada como representante do controlador e o fundo Borneo indicou Leonardo e Celivaldo para as vagas dos acionistas preferencialistas. A chapa disputou espaço com outros candidatos e, semanas depois, em 28 de março, o BRB formalizou a proposta de compra de parte do Master.
As alterações na composição do conselho evidenciaram a substituição gradual das indicações ligadas diretamente ao governador por nomes formalmente vinculados ao fundo administrado pela Reag — também alvo da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de sonegação e crimes no setor de combustíveis.
Carteiras do Master
A entrada do fundo Borneo como acionista do BRB coincidiu com as aquisições de carteiras do Master. Segundo a Polícia Federal, há suspeita de que a compra de ações do banco público tenha servido para fortalecer a instituição e viabilizar as operações com o Master, motivando a abertura de inquérito.
A composição do Conselho Fiscal foi contestada judicialmente pelo Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, que alegou conflito de interesses e pediu a anulação da eleição. O pedido foi rejeitado após correção da ata, sem análise do mérito.
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A Comissão de Valores Mobiliários abriu investigação contra Ibaneis Rocha e Juliana Monici, que se tornaram réus em processo sigiloso relacionado ao caso Master. Leonardo Vasconcelos, ex-presidente da OAB-DF durante a gestão de Ibaneis, tornou-se desembargador substituto no TRE-CE em 2025. Celivaldo Elói de Sousa afirmou ao Estadão que nunca assumiu a titularidade no conselho e que não conhece representantes do fundo Borneo ou do Banco Master.
O governador Ibaneis Rocha, a Reag Investimentos e os demais envolvidos foram procurados pelo Estadão, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço também está aberto em Oeste para comentar o caso.






































É UM BOM AVISO AO ELEITOR DO DF…