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Política

Câmara volta do recesso e ameaça travar agenda do governo Lula

A queixa do centrão é que houve descumprimento de diversos acordos em 2023

câmara lula - O presidente Lula apresentou o programa ‘pé de meia’ para setoristas de educação, no Palácio do Planalto | Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
O presidente Lula apresentou o programa ‘pé de meia’ para setoristas de educação, no Palácio do Planalto | Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

A poucos dias do fim do recesso parlamentar, em 1° de fevereiro, a Câmara dos Deputados ameaça travar a agenda de projetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua equipe. Segundo alguns congressistas do centrão, os assuntos de interesse do governo podem ser barrados no Congresso Nacional.

O motivo para a insatisfação do bloco é que o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), descumpriu diversos acordos em 2023. O principal deles seria a liberação das verbas de emendas parlamentares aos deputados, em especial os recursos do Ministério da Saúde, pasta de Nísia Trindade.

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Segundo o jornal Folha de S.Paulo, alguns parlamentares até defendem a demissão de Padilha. Outros, mais concessões ao centrão. No ano passado, o bloco priorizou interesses próprios e só aprovou as medidas do governo depois de várias mudanças e concessões.

Câmara pode barrar pautas econômicas de Lula

Alguns dos principais partidos da Câmara se mostram alinhados com o mercado financeiro, o agronegócio, o setor empresarial e o pensamento liberal. Isso pode entrar em conflito com a agenda dita “progressista” do governo petista.

Leia também: “Lula veta emendas a ministérios do centrão e poupa pastas ligadas ao PT

Uma das propostas é o recente programa de estímulo à indústria, chamado Nova Indústria Brasil, com forte intervenção estatal. A decisão parte do Congresso, que escolhe autorizar, ou não, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a financiar a exportação de serviços.

Outro assunto é a tentativa do governo de reverter a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. Depois da aprovação da medida contra a orientação do Planalto, no ano passado, o Congresso ainda resiste às novas investidas do governo Lula.

Leia mais: “CPI da Abin? Chico Alencar quer colher assinaturas na volta do recesso, mas há resistência até do PT”

Contudo, a equipe de Padilha argumenta que, apesar das dificuldades nas aprovações econômicas, muitas pautas da agenda de Lula receberam aprovação na Câmara, com o apoio dos deputados do centrão. Algumas, inclusive, com o desempenho do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Principais queixas do centrão a Lula

Alguns parlamentares até defendem a demissão de Alexandre Padilha (PT), articulador político do Palácio do Planalto | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Alguns parlamentares até defendem a demissão de Alexandre Padilha (PT), articulador político do Palácio do Planalto | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O centrão apontou para a distribuição de verbas do Ministério da Saúde. O bloco disse que a pasta fez uma distribuição desigual de recursos, o que privilegiou parlamentares de esquerda e de partidos menos alinhados ao bloco, como MDB e PSD.

Nísia é alvo constante de reclamações dos líderes do centrão, mas quase todos os parlamentares apontam Padilha como responsável. Ex-ministro da Saúde (2011-2014), ele teve influência na montagem da pasta.

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O Congresso tem 25% de ocupação da esquerda, em um total das 513 cadeiras. Por isso, o petista reiterou, ainda na transição, um acordo com Lira.

Além de apoiar a reeleição de Lira como presidente da Câmara, o governo abriu espaço para o centrão em alguns ministérios, como o do Esporte (entregue ao PP) e dos Portos e Aeroportos (dado ao Republicanos), além da presidência da Caixa Econômica Federal (a partir de uma indicação de Lira).

O governo também executou, em 2023, um valor de emendas parlamentares sem precedentes, que chegaram a R$ 46,5 bilhões.

Essas ferramentas asseguraram a Lula, no decorrer do primeiro ano de governo, uma base folgada no papel, mas altamente instável, na prática.

Leia também: “O fracasso do governo no Congresso”, reportagem de Marina Agostine publicada na Edição 198 da Revista Oeste

4 comentários
  1. Christian
    Christian

    Quem recebeu 10 onde foi proetido 20, agora vai querer 40.
    Se prepare molusco podre.

  2. David Souza Silva
    David Souza Silva

    Esta tal câmara, tratamento mais que merecido, falando e rosnando é a mesma coisa.
    É só soltar umas migalhas, é a tropa se delicia, cinicamente….

  3. Ed Camargo
    Ed Camargo

    A política praticada pelos esquerdopatas petralhas na figura de seu líder Luladrão e seus comparsas é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lugares, diagnosticá-los incorretamente e aplicar as soluções erradas.

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