publicidade
Política

Aneel recomenda rejeição do plano da Âmbar Energia, dos irmãos Batista, para assumir Amazonas Energia

Nota técnica da agência concluiu que os brasileiros vão arcar com R$ 15,8 bilhões na conta de luz para manter a operação se a proposta dos empresários for aceita

Os irmãos Batista são proprietários da J&F
Wesley e Joesley Batista são proprietários do Grupo J&F | Foto: Divulgação/JBS

A área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou a rejeição do plano da Âmbar Energia, empresa do Grupo J&F, de assumir a Amazonas Energia. Na segunda-feira 23, a Justiça Federal deu um prazo de dois dias à Aneel para que aprovasse a transferência do controle da distribuidora para a companhia, que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Receba nossas atualizações

Essa recomendação da Aneel contraria a decisão judicial que a obrigou a transferir o controle da companhia para os Batistas. Também fere os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva de realizar a transferência.

Os técnicos da agência sustentam a avaliação, feita no mês passado, de que os consumidores brasileiros terão de arcar com um custo de R$ 15,8 bilhões na conta de luz para manter a operação se a proposta dos irmãos Batista for aceita. O valor ideal seria de R$ 8 bilhões.

+ Caso Eldorado: presidente de tribunal renuncia e fala em ‘ameaças’ da J&F

Esses custos envolvem, por exemplo, o índice de furto de energia e o valor necessário para manter a empresa de pé e pagar as contas em dia. Os custos operacionais envolvem ainda a distribuição de energia em uma das regiões mais complexas do país. Isso porque o local possui vastas áreas remotas, barreiras logísticas e toda a complexidade ambiental do Estado amazônico.

Âmbar energia irmãos batista
Aneel diz que consumidores brasileiros terão de arcar com um custo de R$ 15,8 bilhões na conta de luz se seguir com a proposta dos irmãos Batista | Foto: Divulgação/J&F

A empresa dos irmãos Batista argumentou, no âmbito do processo, que não é possível se adequar às exigências da Aneel. Porém, a Âmbar afirmou, em proposta protocolada na agência, que possui “capacidade técnica e econômica para adequar o serviço de distribuição”. Também disse que tem “condições necessárias para reverter a histórica inviabilidade econômica da distribuidora”.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Ministério de Minas e Energia explicou que não cabe à pasta se manifestar no momento, por ser um processo em análise na Aneel. A Amazonas Energia também não comentou o processo.

Processo de transferência em análise pela Aneel

A análise em questão foi elaborada no âmbito do processo que avalia o plano de transferência da Amazonas Energia, depois de uma consulta pública. A Aneel afirmou que vai cumprir a decisão judicial, independentemente da conclusão técnica.

Aneel aprova consulta pública sobre transferência de controle da Amazonas Energia
A Aneel afirmou que vai cumprir a decisão judicial, independentemente da conclusão técnica do órgão | Foto: Divulgação/Aneel

Contudo, a agência se prepara para recorrer da determinação da Justiça e seguir com o processo de avaliação da concessão até a próxima semana, segundo o Estadão. Conforme o veículo, a cúpula da Aneel desenhava um cenário de intervenção na Amazonas Energia antes da decisão judicial.

+ Governo Lula: irmãos Batista tiveram reuniões no Planalto não registradas oficialmente

A nota técnica da Aneel concluiu que o plano da Âmbar não atende aos requisitos da medida provisória assinada pelo governo Lula para permitir a transferência da Amazonas Energia. De acordo com a agência, esse plano não é suficiente para solucionar os problemas da companhia com o menor impacto para o consumidor. Com isso, a proposta é considerada como ilegal.

Além disso, a avaliação é que poderá haver prejuízos para o serviço de distribuição de energia à população do Amazonas.

Necessidade de redução de custos e endividamento

Para a área técnica da agência, é preciso adotar uma trajetória de redução dos custos, porque o prazo é de 15 anos, considerado longo e mais do que suficiente. Além disso, os técnicos rejeitaram a proposta da empresa do grupo J&F de resolver o endividamento da Amazonas Energia, calculado em R$ 10 bilhões, no prazo de 15 anos ancorada nas flexibilizações que serão bancadas pelo consumidor.

+ Medida provisória do governo Lula beneficia irmãos Batista e prejudica nordestinos

Os consultores da Aneel insistem na necessidade de determinar prazos e montantes específicos para equacionar a dívida e tornar a distribuidora sustentável. O prejuízo, se isso não for feito, é calculado em R$ 1,2 bilhão por ano, só de juros, por até 15 anos. O valor é equivalente à diferença entre o custo do plano da Âmbar e a proposta da Aneel.

“A não reversão do cenário de endividamento nessa magnitude, pelos impactos financeiros que este pode imputar à concessionária, poderia manter ou levar, novamente, à deterioração do equilíbrio econômico e financeiro, o qual motivou as flexibilizações previstas em Lei, com prejuízos à qualidade, à continuidade e à expansão dos serviços concedidos”, diz nota da agência.

Capacidade técnica em questão

A Aneel concluiu também que a empresa dos irmãos Batista não demonstrou capacidade técnica no segmento de distribuição, que é o negócio da Amazonas Energia, ao apresentar o plano. A empresa argumentou que a medida provisória não exige experiência prévia na área de distribuição e apresentou seu histórico no setor de geração para se adequar à exigência.

Nesse ponto, a área técnica do órgão recomendou que, caso a diretoria da Aneel aprove a transferência, seja exigida a contratação de profissionais qualificados no segmento de distribuição e a comprovação dessa condição em um prazo de 90 dias.

A Âmbar fez uma oferta pela Amazonas Energia depois de ser beneficiada pelo governo Lula com uma medida provisória (MP) que socorre o caixa da distribuidora e repassa o custo para a conta de luz dos consumidores brasileiros por até 15 anos.

Leia também: “MP de Lula que beneficia irmãos Batista vai encarecer conta de luz para os mais pobres

2 comentários
  1. Christian
    Christian

    Os irmão metralha estão de volta…Com a anuência do nove dedos…

  2. Bibliófilo

    A transferência (se já não o foi) será aprovada sem questionamentos. Os dois são amigos do rei.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.