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Política

A não-extradição de Oswaldo Eustáquio é mais um tabefe na cara do regime

'O problema é que o lulopetismo togado acredita que seu teatro doméstico impressiona o mundo'

oswaldo eustáquio - jornalista - pf - stf - alexandre de moraes
O jornalista brasileiro Oswaldo Eustáquio vive há anos na Espanha | Foto: Reprodução/Redes sociais

A recusa definitiva da Espanha em extraditar Oswaldo Eustáquio, conforme solicitado pelo regime luloalexandrino, é mais um capítulo de uma sequência constrangedora que já virou rotina: o Brasil pede, democracias de verdade analisam e, por fim, recusam. O motivo é sempre o mesmo. Aquilo que, nas Cortes de Brasília, se chama “crime”, em países civilizados atende pelo nome correto — opinião.

A Justiça espanhola encerrou o caso ao constatar que as acusações formuladas contra Eustáquio não encontram correspondência penal em seu ordenamento jurídico e carregam inequívoco conteúdo político. Traduzindo do juridiquês europeu: não se extradita alguém para ser punido por palavras. Ponto final. A Advocacia-Geral da União, reduzida ao papel de porta-voz dos juristocratas do STF, reconheceu que não há mais recursos. Ao menos fora do Brasil, o teatro acabou.

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O episódio repete, com variações mínimas, o que já havia ocorrido no caso Allan dos Santos. À época, os Estados Unidos também recusaram a extradição, pelo mesmo fundamento: inexistência de crime e proteção constitucional à liberdade de expressão. Na ocasião, a Folha de S.Paulo descreveu a reunião “tensa” entre autoridades brasileiras e representantes americanos. O governo brasileiro levou seu espetáculo “Democracia Inabalada” ao Ministério da Justiça: vídeos legendados, falas “golpistas”, clima de ameaça institucional. Esperavam fisionomias escandalizadas. Receberam bocejos de tédio.

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Quando exibiram o vídeo com as falas de Allan dos Santos, um representante norte-americano resumiu o drama inteiro com a simplicidade devastadora de quem vive numa democracia de verdade: “São só palavras”. A frase caiu como bofetada. Afinal, todo o edifício repressivo erguido pelo regime depende justamente da negação desse princípio elementar: a distinção entre discurso e crime.

O problema é que o lulopetismo togado acredita que seu teatro doméstico impressiona o mundo. Acostumado a uma claque jornalística submissa, imagina que vídeos sensacionalistas, notas solenes e retórica inflada bastam para converter perseguição política em defesa da democracia. Mas fora do ambiente controlado das redações militantes, o truque não funciona. Democracias reais não punem opiniões, não prendem por palavras, não confundem crítica com conspiração.

Os casos Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio

STF Allan dos Santos
O jornalista Allan dos Santos mora nos EUA desde julho de 2020, para onde se exilou depois de ser investigado em inquéritos abertos pelo ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Os casos Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio expõem, juntos, a verdade cristalina: o Brasil jaz sob um regime que precisa chamar dissenso de crime para se sustentar. Quando esse enredo é apresentado a juízes espanhóis ou autoridades americanas, o resultado é invariável — recusa, constrangimento e silêncio embaraçado.

O feitiço virou contra o feiticeiro. Cada extradição negada funciona como laudo internacional: não é o mundo que está errado; é o Brasil que se afastou da democracia. Aqui, ela só sobrevive como encenação. Lá fora, continua sendo um regime no qual palavras são apenas palavras — jamais motivo para prisão.

Leia também: “Anestesia geral”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 301 da Revista Oeste

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