publicidade
Política

A mais perversa ação de retrocesso social do Brasil

O fechamento das escolas aumentou a distância entre ricos e pobres, e não há ‘políticas de igualdade’ que possam resolver isso

Ideb 2021
Serão seis audiências na Comissão de Educação | Foto: Reprodução/Governo federal

(J.R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 17 de março de 2022)

Após mais de dois anos de desgraças, a covid vai finalmente entrando na sua fase de dissolução, com infecções, mortes e internações hospitalares em baixa, e o desmanche progressivo das medidas impostas pela autoridade pública para administrar a doença. Nunca se saberá, no Brasil e no resto do mundo, o custo real dessa tragédia sanitária sem precedentes. As ciências médicas e biológicas não chegaram até hoje, apesar do imenso esforço feito em pesquisas, a reunir respostas realmente satisfatórias sobre a pandemia, e nem sobre a real eficácia das providências tomadas por governos e pelas pessoas para lidar com ela. Hoje, quando o desastre se encaminha para o seu fim, há quase tantas dúvidas quanto havia no começo — e uma sensação de que se pagou um preço alto demais para combater essa guerra.

Receba nossas atualizações

Fala-se muito das calamidades em cascata causadas pela desaceleração, ou pura e simples paralisação, da atividade produtiva em todo o mundo — dois anos de recessão, desemprego, falências, gasto público desesperado e por aí afora. Menos mencionada, porque não interessa aos governos nem aos beneficiários das medidas de “lockdown”, é a devastação causada na educação dos jovens e crianças pobres com o fechamento das escolas — e o ataque sem precedentes às liberdades que as autoridades e as elites têm feito ao longo dos dois últimos anos.

Os países desenvolvidos fizeram uma defesa muito melhor do futuro de suas crianças, percebendo, desde o início, que era essencial manter as escolas em funcionamento. O Brasil fez exatamente o contrário. Até hoje há escolas fechadas. Os alunos do ensino privado ainda se defenderam melhor, por terem mais recursos, mas a imensa maioria dos alunos brasileiros do ensino básico não aprendeu nada durante este tempo todo. As aulas “à distância”, para as crianças pobres, foram uma piada: como dar aulas “on-line” sem computadores, sem internet estável, sem assistência técnica, sem a presença de monitores? Como ensinar sem professores, que trataram de toda essa tragédia como uma questão sindical, fazendo greves para não voltar às escolas e ficando dois anos seguidos em casa?

Os alunos que perderam os anos de 2020 e 2021, e ainda vão receber um ensino deficiente em 2022, sofreram um prejuízo que vai lhes perseguir pelo resto de suas vidas. É muito simples: o que não aprenderam agora não será aprendido nunca. Nenhum “Estado” e nenhuma empresa com “sensibilidade social” vai lhes pagar ou compensar por isso. Só vão lhes oferecer empregos ruins, salários baixos, trabalho de má qualidade, sem perspectivas de progresso profissional ou de melhoria de vida — o que sempre se oferece a quem sabe pouco. O fechamento das escolas, sob a mais completa indiferença dos que mandam e dos pensam neste país, foi a maior e mais perversa ação de retrocesso social que o Brasil já teve em sua história moderna. A distância entre ricos e pobres aumentou ainda mais, e não há “políticas de igualdade” que possam resolver isso.

Leia também: “Educação retrocede 15 anos na pandemia, diz FGV”

Leia mais sobre:

9 comentários
  1. carlos roberto de moura
    carlos roberto de moura

    Boa, Guzzo! Se há algum ponto positivo nessa tragédia, é saber que nossos estudantes ficaram dois anos sem a doutrinação dos grupos financiados pelos adoradores do lucro. Quem já teve uma ideia na vida (ou em dois anos) nunca mais aceitará outra ideia que seja menor do que aquela.

  2. Júlio Rodrigues Neto
    Júlio Rodrigues Neto

    Sinônimo de progressivo é – que progride. Estas forças esquerdistas estão distantes disto. Nada têm de progressistas. O termo atrasistas se encaixaria melhor na definição desta corrente.

  3. José Ricardo Gonçalves
    José Ricardo Gonçalves

    Os urubus malignos de alma vermelha e delinquente, que fazem ponto no canto da praça dos Três Poderes são os responsáveis eternos pela tragédia sem precedentes!!

  4. Zé Mané
    Zé Mané

    Aqueles cretinos do STF tem que parcela de culpa nesse processo de destruição?

  5. Ayrton Pisco
    Ayrton Pisco

    Para as crianças cujas condições econômicas permitiram o acompanhamento de aulas virtuais, esta pandemia foi lucrativa.
    Familiarizaram-se ainda mais com as tecnologias de transferência de ideias e conhecimentos on line enquanto que se eliminaram uma grande parte de possíveis concorrentes no futuro mercado de trabalho, justamente aqueles jovens que ficaram amputados de uma janela de oportunidade que só a idade oferece, e que não se abre nunca mais, por causa de autoridades e, principal e vergonhosamente, professores, que, para nossa decepção e vergonha, consideraram o ensino uma atividade não essencial.

  6. Marques Jr
    Marques Jr

    E tudo isso com a chancela dos ministros do STF e a falta de peito do Pr. Não lembro de ele ter tocado no assunto. Só ficou bravatendo e fazendo politica. O país mais ignorante eh o que interessa para essa gente. E, estão conseguindo . vejo os jovens pendendo para o ladrão, isso já significa uma geração de mal informados e tolos.

    1. Ayrton Pisco
      Ayrton Pisco

      Bolsonaro brigou sozinho contra o sistema e, principalmente, o STF para manter abertas escolas, comércio e liberdades. Quase perdeu o mandato por isso.
      O sistema venceu, mas, sem ele, seria ainda pior.

  7. ELIAS FELD
    ELIAS FELD

    Essa perversidade não foi ao acaso. O trabalho de perpetuação da pobreza e da miséria pela esquerda tem método e está perfeitamente alinhada aos seus projetos de poder. Manter uma população na ignorância e subempregada ou desempregada faz parte da cartilha de dominação dos autointitulados progressistas.

    1. Valdy Fernandes da Silva
      Valdy Fernandes da Silva

      Parabens, Elias; voce foi direto ao ponto com uma analise perfeita.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade