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Política

À frente da Transparência Internacional, brasileira critica decisões do STF

Maíra Martini diz que anulação das provas da delação da Odebrecht pode enfraquecer investigações contra corrupção

Maíra Martini, nova líder da ONG Transparência Internacional, criticou ações do STF
Maíra Martini, nova líder da ONG Transparência Internacional, criticou ações do STF | Foto: Divulgação/Transparência Internacional

Mais nova diretora-presidente da organização não governamental (ONG) Transparência Internacional, a brasileira Maíra Martini criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular as provas da delação premiada da Odebrecht, que foram centrais na Operação Lava Jato. Ela concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

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O entendimento da Corte, dado pelo ministro Dias Toffoli, foi fundamentado na alegação de conluio entre juiz e acusação, além do transporte irregular de material. O resultado foi um desmantelamento significativo da operação, iniciada em 2014.

Conforme Maíra, essa medida pode enfraquecer investigações de corrupção em vários países que colaboraram com o Brasil, depois de os envolvidos confessarem crimes. Ela destacou que “os corruptos dos outros países já estão fazendo uso dessa decisão”.

Ministro Dias Toffoli, durante a sessão plenária do STF
Ministro Dias Toffoli, durante sessão plenária do STF | Foto: Gustavo Moreno/STF

Investigados em países como Peru, Equador e outras nações estão tentando anular processos judiciais com base no argumento do STF, o que pode deixá-los impunes. Ao menos é o que afirma a chefe da ONG Transparência Internacional.

STF: anulação das provas e suas implicações globais

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)
Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: Divulgação/STF

A Odebrecht, que confessou o pagamento de propinas em 12 países depois de um acordo de colaboração em 2016 com autoridades do Brasil, da Suíça e dos Estados Unidos, operava um setor chamado “departamento da propina”. Para Maíra, a anulação das provas compromete a credibilidade dos esforços anticorrupção globais.

Leia mais: “Paulo Faria: advogar no Brasil do STF se tornou perigoso”, entrevista concedida a Cristyan Costa e publicada na Edição 255 da Revista Oeste

Além disso, ela criticou o enfoque punitivista no combate à corrupção e defendeu um modelo baseado em prevenção e detecção. A nova líder da Transparência Internacional ressaltou a necessidade de instituições fortes, de um arcabouço legal que não deixe brechas de entendimento e de um Judiciário competente e independente para um combate efetivo à corrupção.

Defesa de novas estratégias

Maíra também alertou sobre o uso da “narrativa anticorrupção” por governos populistas. Esses, ao assumirem o poder, podem, de acordo com ela, enfraquecer instituições democráticas, restringir a imprensa e dificultar a fiscalização pública.

Para ela, a transparência deve ser prioridade, de maneira a permitir que cidadãos compreendam quem tenta influenciar as decisões governamentais, como são as decisões sobre os gastos públicos e quais são as prioridades.

Leia também: “O ano da toga”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 249 da Revista Oeste

Em sua visão, ainda há a necessidade de que todas essas informações estejam acessíveis ao público, para que a sociedade possa avaliar e fiscalizar de forma eficaz. “Tudo isso tem que ser informação aberta para o público.”

3 comentários
  1. Ayrton Flores Nunes
    Ayrton Flores Nunes

    É o amigo do amigo do meu pai, enterrou de vez a LJ, literalmente liberaram todos os envolvidos.

  2. Adail da Costa Leite Filho
    Adail da Costa Leite Filho

    A palavra transparência não da match com nenhuma instituição no Brasil. Autoridades do pais jogam com vários pesos e varias medidas utilizadas segundo suas conveniências e amizades. Resulta na vergonhosa 107ª posição no índice mundial de corrupção. Que vergonha!
    URNA ELETRONICA COM VOTO IMPRESSO JA!

  3. Almicre Piovezan
    Almicre Piovezan

    Esperar o quê desses “ministres” do STF?
    Enquanto isso a economia no Brasil vai afundando.
    Mas a gente sabe que os ratos não viajam com o navio que afunda. Então, está claro que, quando o país afundar, eles vão fugir. Vão dizer que não eram eles que estavam governando.

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