Em 1950, Gustavo Corção proferiu na sede da UDN a conferência “Patriotismo e Nacionalismo”, que depois viria a se transformar num texto homônimo publicado como capítulo do livro Fronteiras da Técnica. Concebida apenas cinco anos após o término da guerra que traumatizou o mundo com o vislumbre da barbárie à qual a pretensa devoção à pátria – e, pior, à “raça” – pôde conduzir o homem, a palestra de um dos nossos maiores escritores é uma aula de civismo e de um equilibrado sentimento de amor à terra natal.
Corção critica o que chama de nacionalismo, um conceito que não apenas se distingue do patriotismo, mas o deforma, reduzindo-o a um histrionismo sentimental apto a justificar a censura, a manipulação política e o culto à mentira. Contra essa farsa sentimentalista — hoje embalada por palavras de ordem oriundas do celular de magistrados e reproduzidas pela militância de redação, bem como por decretos de censura em defesa de uma soberania nacional made in China —, o autor afirma, com a sua verve tomista, que o verdadeiro amor à pátria há de estar subordinado ao amor superior à verdade e à justiça.
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Portanto, o patriotismo autêntico não é idolatria geográfica, tampouco devoção supersticiosa à nação. Ele é, antes, uma fidelidade espiritual, uma disposição ordenada de amar o bem comum, enraizada na história real de um povo. Por isso mesmo, é incompatível com os simulacros produzidos nos laboratórios ideológicos de Brasília ou nos palanques da militância de toga. O patriota ama o que é; o nacionalista idolatra o que não existe. Aquele honra a pátria como se honra um pai — com reverência sóbria, agradecida e realista. Este venera uma abstração — um ídolo de gesso, frágil e condenado a estilhaçar-se diante do primeiro choque com a realidade.
Para Corção, o nacionalismo não é um amor excessivo à pátria. É, em vez disso, a sua caricatura. O nacionalista é aquele que invoca o nome da nação para melhor subjugar seus concidadãos. Ele enfeita a palavra “Brasil” com arabescos retóricos destinados a justificar privilégios de casta, silenciar o dissenso e abolir o juízo moral em nome da pátria. Ama a pátria contra os seus compatriotas. Transforma o amor à nação em biombo para interesses de grupo. É, como nota Corção, um cenógrafo do poder, quando não um bufão a serviço dele. Nesse regime de impostura, a “soberania nacional” não passa de álibi retórico, sob cujo disfarce a pátria deixa de ser livre e se converte em refém.
Tal como a superstição mimetiza a religião, corrompendo-a ao convertê-la num mecanicismo mágico, o nacionalismo mimetiza o patriotismo, pervertendo-o numa idolatria teatral de uma pátria que só existe nas peças publicitárias do governo, nas falas coreografadas dos ministros supremos, e nas redações da imprensa amestrada. O nacionalista substitui a reverência pela propaganda, a tradição pela narrativa, e o vínculo pessoal pela encenação pública. Onde o patriota se comove com o drama do povo real, o nacionalista se exalta com a estética do poder.
O patriota e o nacionalista
Na visão corçaniana, a diferença fundamental entre o patriota e o nacionalista é que o primeiro se abre para a admiração pelo patriotismo alheio, enquanto o segundo se encerra numa paixão possessiva e orgulhosa pelo país. O patriotismo é o amor legítimo, que se volta para o objeto. O nacionalismo é o amor sentimentalista, que se volta para si, amando mais o seu próprio amor pelo objeto do que o objeto ele mesmo. Nas palavras de Corção:
“O patriota deseja a nitidez de suas fronteiras; cultiva-a, exalta-a; mas, ao mesmo tempo, num aparente paradoxo, é capaz de compreender o patriotismo dos outros. Ele sabe perfeitamente que suas muralhas são porosas para o sentimento universal da justiça. O nacionalista, ao contrário, se caracteriza por um isolamento moral, e, portanto, imoral. Ele deseja fronteiras refratárias, onde se detenham, como inúteis para aquela comunidade à parte, as lendas dos heroísmos distantes (…) Pensar que o patriotismo só pode ser aprendido na língua do país e com fatos do país é tão insensato como pensar que a temperança, a coragem e a castidade só podem ser adquiridas no vernáculo e com exemplo da mais pura brasilidade; e é tão estúpido como pretender que as virtudes domésticas do vizinho sejam um mau exemplo para o desenvolvimento das virtudes domésticas de minha família”.
O autoritarismo avança
Agora, que o regime PT-STF fosse afetar escândalo diante de uma grande bandeira norte-americana estendida na Avenida Paulista no 7 de setembro — como sinal de gratidão ao governo da nação mais poderosa do mundo (que, de maneira inédita, infligiu algum dano aos nossos ditadores), e de amizade entre os patriotas de ambos os países — era algo esperado. Afinal, a propaganda da “soberania nacional” contra os assim chamados “traidores da pátria” é um truque típico das ditaduras socialistas nas quais o atual regime brasileiro se inspira. O que não era esperado era que uma parte da oposição nacional fosse também ceder ao golpe baixo da soberania de fachada, cerrando fileiras com o regime no orgulho nacionalista (puramente antiamericano) contra a bandeira dos EUA.
Pois foi justamente o que fez, por exemplo, o pastor Silas Malafaia, numa fala verdadeiramente aloprada. Uma fala na qual ele não apenas repudiou a presença da bandeira norte-americana como prometeu “proibi-la” em novos atos contra o regime. Para quem, antes do apoio norte-americano à oposição no Brasil, era mais uma vítima inerte do tirano Alexandre de Moraes, condenada ao exercício inócuo do jus esperneandi, Malafaia parece ter tentado incorporar o grão-perseguidor do bolsonarismo, agindo como se fora o dono das manifestações populares e editor dos símbolos políticos da direita brasileira.
Nacionalismo canhestro
Reproduzindo o mesmo nacionalismo canhestro que o regime quer nos empurrar goela abaixo, o pastor demonstrou uma total incompreensão do cenário geopolítico mais amplo no qual se insere a luta por liberdade do povo brasileiro, cenário em que a retomada da proximidade histórica entre Brasil e EUA se apresenta como alternativo à sujeição completa do país ao eixo totalitário formado por China, Rússia, Irã e seus satélites. Em suma, no lugar de gratidão e senso real de patriotismo, Malafaia exibiu um orgulho provinciano, motivado talvez por um cálculo eleitoreiro completamente extemporâneo no atual estado da grande luta política travada no Brasil e no mundo.
Queira Deus que essa importante liderança religiosa nacional repense a sua postura e consiga contemplar a política de uma perspectiva mais altaneira, para além das disputas locais e da lógica partidária-eleitoral. Os patriotas brasileiros agradecem.



































A extrema-esquerda brasileira e o comunismo em geral é totalmente apátrida. Não há entre os esquerdistas brasileiros nenhum senso de patriotismo ou mesmo de nacionalismo; o que os guia é a “Internacional”, o seu hino. Eles idolatram o “partido” o seu instrumento de poder ao qual o povo deve obedecer. O próprio lula, em uma reunião do Foro de São Paulo já se manifestou descrevendo os costumes, a família e o patriotismo como coisas que eles sempre combateram. Hoje a bandeira americana representa o bastião de defesa da liberdade no Ocidente, os valores democráticos, nossa moral judaico-cristã, nossa civilização greco-romana. É isso que deve ser levado em conta. Os verdadeiros patriotas têm que se apoiar e agradecer a ajuda de outros patriotas, conforme muito bem coloca o brilhante articulista.
Falou tudo o que eu penso!
A BANDEIRA dos EUA SIM me Representa!!
E seja sempre BEM VINDA nas manifestações.
CALA BOCA SILAS!! em 2003 vc tava com LulaLadrão
Nacionalismo Tupiniquim É COMUNISTA … sempre foi.
Todos os que se arvoram em discursos nacionalista no BOSTIL… são e foram CANALHAS.
Chega de censura. A rua é do povo…levando o que quiser