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No Ponto

As justificativas para a anistia ampla ao 8/1: prisão, miséria e condenações longas

Obtido por Oeste com exclusividade, dossiê feito pela Asfav atualiza dados sobre a manifestação e mostra pesquisa a respeito do perdão

manifestações - cpmi do 8 de janeiro - impeachment
Manifestantes sobem a rampa do Congresso Nacional, em 8 de janeiro de 2023 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A Associação dos Familiares e Vítimas de 8 de Janeiro (Asfav) elaborou um novo dossiê sobre a situação dos envolvidos no 8 de janeiro.

O documento, ao qual Oeste teve acesso com exclusividade, reúne dados atualizados a respeito de prisões, condenações e bloqueio de bens, além de uma pesquisa inédita que mostra a posição das famílias em relação ao projeto de anistia no Parlamento.

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Pesquisa que trata da anistia ao 8 de janeiro

ATO COM BOLSONARO NA PAULISTA PEDE ANISTIA
Ato na Avenida Paulista pede anistia para condenados do 8 de janeiro — São Paulo, 6/4/2025 | Foto: Daniel Cymbalista/Fotoarena/Estadão Conteúdo

A pesquisa realizada pela Asfav de 12 a 22 de maio de 2025, com 123 entrevistados — sendo 75 familiares e 48 manifestantes —, revelou que a maioria enfrenta acusações graves, já recebeu penas de 14 a 17 anos de prisão e teve bens bloqueados, o que levou muitas famílias à miséria.

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O levantamento mostrou ainda que 96,7% defendem uma anistia ampla, geral e irrestrita, rejeitando alternativas como anistia apenas para crimes graves (78% contrários), simples redução de penas (81,3% contrários) ou propostas parciais que soltem apenas os presos e permitam o retorno dos refugiados (68,3% contrários).

Punições severas

Conforme a associação, a idade média dos condenados é de 46 anos, sendo que mais de 40% têm acima de 50 anos, incluindo idosos que seguem respondendo a processos ou que já estão encarcerados.

Por isso, para a Asfav, a atuação do Supremo Tribunal Federal nos processos extrapolou os limites constitucionais e transformou os processos do 8 de janeiro em instrumento de perseguição política.

A entidade afirmou que cabe ao Congresso dar uma resposta e que a anistia ampla é o caminho mais viável para encerrar “um ciclo de abusos” que já dura quase três anos.

Famílias destroçadas

O dossiê reúne relatos de familiares que enfrentam situações de extrema vulnerabilidade. As multas milionárias e o bloqueio de bens têm levado muitas dessas pessoas à insolvência civil.

“Vejo que qualquer forma de ter minha mãe de volta em casa, com a família e fazendo seu tratamento, é válida até termos outras opções”, disse uma das entrevistadas.

Outro depoimento aponta o desespero vivido no dia a dia: “Meu marido com tornozeleira chegou a ficar três meses preso, e eu, com meus dois filhos, passamos por muita dificuldade”, contou uma mulher. “Agora, são dois anos vivendo com medo de que ele volte para a cadeia.”

Segundo a Asfav, essas consequências extrapolam o limite dos condenados e afetam diretamente os núcleos familiares. “As famílias estão sofrendo demais, com ansiedade, depressão e problemas financeiros”, destaca o documento. “Não se trata apenas de uma pena individual, mas de um castigo coletivo.”

Números gerais

  • Mais de 2 mil pessoas investigadas;
  • 1.628 ações penais abertas, sendo:
    • 518 ações por crimes graves → 279 condenações;
    • 1.110 ações por crimes menos graves → 359 condenações;
  • 10 absolvições;
  • 552 acordos de não persecução penal (ANPP) firmados;
  • 141 pessoas ainda presas;
  • 44 em prisão domiciliar;
  • 131 extinções por cumprimento de pena;
  • 112 execuções penais em curso;
  • 61 pedidos de extradição.

Perfil dos 123 entrevistados

  • 75 familiares e 48 vítimas;
  • Estados mais representados: SP (35), MG (26), DF (10), SC (10);
  • Idade média: 46 anos;
  • 41,7% têm mais de 50 anos (incluindo 13 idosos acima de 60 anos).

Situação judicial dos entrevistados

  • 73,17% respondem por crimes graves;
  • Apenas 10,6% conseguiram ANPP;
  • 65% já foram condenados (maioria com processos concluídos).
  • Penas aplicadas:
    • 42 pessoas → 14 anos;
    • 20 pessoas → 17 anos;
    • 8 pessoas → 16 anos;
    • 2 pessoas → 13 anos;
    • 1 pessoa → 15 anos;
    • 6 pessoas → 1 a 2 anos;
  • 65,9% tiveram bens e recursos financeiros bloqueados.

Opinião sobre a anistia

  • 96,7% defendem anistia ampla, geral e irrestrita;
  • 78% rejeitam anistia apenas para crimes graves;
  • 81,3% rejeitam substituição por redução de penas;
  • 68,3% rejeitam anistia parcial que apenas solta presos e permite retorno de refugiados;
  • 75% aceitariam anistia mesmo incluindo Alexandre de Moraes;
  • 82,9% rejeitam manter multas e indenizações (que já somam mais de R$ 75 milhões).

Leia também: “Um voto supremo”, reportagem publicada na Edição 287 da Revista Oeste

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

4 comentários
  1. Fabiano Vilas Boas
    Fabiano Vilas Boas

    O Brasil teve, arredondado, 10 golpes de Estado, entre tentativas e falhas, como o mais recente.
    Todos, menos o último, foram anistiados.
    Claras consequências: um país que vale a pena ser corrupto, pois anistia e perdoa. E quando não anistia, derruba condenações e solta condenados.
    Houve crime, e se alguém achar que os atos se justificam simplesmente porque acredita na causa, nada muda, pois o crime ocorreu e deve haver punições.
    Agora, os baderneiros de 08/01 não merecem essas penas absurdas, mas os seus chefes, sim.
    E antes que um desinformado se manifeste ofensivamente contra minha pessoa, deixo claro que detesto o PT e sua corja, e não suporto a ideia do comunismo nos moldes que se aplica.
    Apenas procuro me informar das coisas sem me preocupar com a influência das opiniões, e não tolero bandidagem de nenhum tipo.
    Quer ser idealista? Comece por apoiar a verdade real, e não a verdade que te imputam.

  2. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Uma ação política protagonizada por quem não tem essa competência e por quem deveria ser pelo verdadeiro cumprimentos das leis e observância processual e constitucional. Um resultado de autoproclamação de poder, antidemocrático, com defesa de lado político, com perseguições e condenações ilegais. A maior aberração foi a condenação de Bolsonaro, porque o grande objetivo foi o de tirá-lo do caminho por ser um empecilho ao plano ditatorial. Toda inconstitucionalidade está contida nas denúncias no voto do ministro Fux. Voto que serve de parâmetro para anular todo o processo e reverter a condenação. Não podemos ficar de joelhos para uma ditadura com o mau uso da toga. As instituições de um país se preservam quando cada uma cumpre o seu dever.

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