A oposição na Câmara dos Deputados já trabalha com uma posição em relação ao futuro da presidência da Casa: não há ambiente político para apoiar uma eventual recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) ao comando do órgão em 2027.
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A avaliação já era compartilhada por lideranças do campo conservador e ganhou contornos mais claros depois do balanço feito pelo deputado Luciano Zucco (PL-RS), que atualmente é o líder da oposição na Câmara.

Segundo Zucco, a gestão de Motta foi marcada por fragilidade na condução política e pelo descumprimento de compromissos firmados com diferentes bancadas. “Ele prometeu pautas e não cumpriu”, reclamou o parlamentar do Partido Liberal gaúcho. “Essa é a realidade.”
Para o deputado, a quebra de acordos se tornou um elemento recorrente e desgastou a relação com a oposição. Um dos principais pontos de atrito foi a condução da pauta da anistia, que foi transformada no Projeto de Lei da Dosimetria.
Zucco afirma que a oposição nunca condicionou seu apoio à aprovação do mérito, mas apenas à garantia de votação em plenário. “Não cobramos o resultado da anistia. Sempre deixamos claro que cobramos a pauta em plenário”, diz. “Pautas da esquerda iam ao plenário. Por que a nossa não?”
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O deputado relatou que a oposição atendeu a todas as exigências feitas pela presidência da Casa para pautar a anistia em plenário. “Ele pediu assinaturas de líderes, nós entregamos”, relembrou. “Depois pediu assinaturas individuais, entregamos também. E mesmo assim não pauto.”
Para Zucco, o episódio em relação à anistia simbolizou o desgaste institucional da relação entre a presidência da Câmara e a oposição.
Fragilidade na condução de Motta
Além do embate político, Zucco avaliou que a gestão de Motta contribuiu para o enfraquecimento do Legislativo frente a outros Poderes: “Foi um ano marcado pelo distanciamento das instituições”.
“A Câmara, independentemente do resultado, não foi respeitada pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou, citando como exemplo a judicialização de matérias aprovadas com ampla maioria, como o caso do IOF.
Na avaliação da oposição, esse cenário não se restringe a divergências ideológicas: “Isso não é uma preocupação só da oposição, mas também de partidos de centro”.
Para o líder, a percepção de que o Legislativo perdeu capacidade de impor sua agenda preocupa inclusive parlamentares fora do campo conservador. Zucco também afirmou que Motta não conseguiu consolidar apoio político em nenhum dos blocos da Casa.
“No fim, ele não atendeu a esquerda, não atendeu o centro e não atendeu a direita”, afirmou. Segundo o deputado, havia inclusive conversas preliminares com o PL e com o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre apoio à candidatura de Motta, que acabaram se deteriorando ao longo da gestão.
Diante desse quadro, a oposição descarta qualquer reaproximação para 2027. “Hoje, não vejo nenhuma condição de a oposição apoiar uma recondução dele à presidência da Câmara”, afirmou Zucco. “A Câmara saiu menor, muito em função da gestão. Foi uma gestão ruim no cumprimento de acordos e da palavra empenhada.”
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