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Xi Jinping e a receita para o fracasso

Hostilidade ao setor privado, amizade com a Rússia e política zero covid são os ingredientes da estagnação econômica da China

Xi Jinping
Foto: Yue Yuwei/Xinhua

O presidente da China, Xi Jinping, esperava que 2022 fosse um ano tranquilo. A pandemia de coronavírus estaria controlada, e a economia do país voltaria a crescer em ritmo acelerado. Isso permitiria que o secretário-geral do Partido Comunista assumisse pela terceira vez, sem protestos, o cargo de chefe do Estado e das Forças Armadas. Mas deu tudo errado.

Hoje, as perspectivas econômicas da China parecem mais pessimistas que aquelas do início do ano. O Fundo Monetário Internacional cortou a previsão de crescimento do país para 4,4%, enquanto os economistas consultados pelo The Wall Street Journal preveem um número abaixo de 4%. O capital está fugindo do país, com investidores estrangeiros despejando US$ 18 bilhões em títulos chineses e US$ 7 bilhões em ações somente em março.

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Mas o que aconteceu?

Em primeiro lugar, a crise no setor imobiliário da China, que representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB), provou ser pior que o esperado. Desde que a Evergrande anunciou que não conseguiria cumprir com suas obrigações fiscais, em setembro de 2021, pelo menos dez empresas deixaram de pagar suas dívidas em dólares. Isso assustou os investidores.

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Segundo, a repressão de Xi ao setor de tecnologia da China ajudou a reduzir a capitalização de mercado das dez maiores empresas da área em mais de US$ 2 trilhões (apenas no ano passado). De lá para cá, essas empresas passaram a demitir milhares de funcionários.

Em terceiro lugar, a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou os preços da energia e das commodities, o que provocou a interrupção das cadeias de suprimentos, já debilitadas em razão da pandemia. Essa é uma péssima notícia para o maior fabricante, exportador e consumidor de energia do mundo.

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Quarto, há a insistência de Xi na política zero covid, que levou a bloqueios em massa na cidade de Xangai. O líder chinês declarou que essa estratégia venceu o vírus no ano passado, considerando-a superior à aplicada nos países ocidentais. Atualmente, cerca de 373 milhões de pessoas em 45 cidades estão sob algum tipo de bloqueio desde o fim de abril. Essas cidades representam cerca de 40% da produção econômica da China — mais de US$ 7 trilhões em PIB anual.

Esses quatro fatores são suficientes para fazer com que a meta de crescimento estipulada por Xi pareça irreal. Segundo o líder chinês, não atingir a meta seria politicamente desastroso. Em abril, durante encontro com funcionários do partido, Xi ressaltou que o crescimento econômico do país deveria ser superior ao dos Estados Unidos. Mas isso será difícil, visto que o motor do crescimento econômico nacional foi marginalizado pelo próprio presidente do país.

Leia mais: “O dono do mundo”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 88 da Revista Oeste

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11 comentários
  1. Jaime carleto
    Jaime carleto

    O risco foi mal calculado acho q pensaram que sairiam mais rápido fazendo com que todos parassem de produzir enquanto eles voltaram a produzir só esqueceram de ver que não detinham toda a matéria prima necessária logo a inflação tbm tomou conta da china com isso estão trancando o seu povo em casa para q consigam conter a inflação. A bolha imobiliária chinesa explodiu e ainda está pegando fogo. E estão afastando investidores e muitos consumidores pelo mundo está deixando de comprar da china. Vai quebrar por tentar dominar o mundo… E que quebrem logo.

  2. Joelmir Pedro Diniz
    Joelmir Pedro Diniz

    A ECONOMIA A GENTE VE DEPOIS; SEUS PÉ DE BREQUE.

  3. Errol Bicalho
    Errol Bicalho

    O boleto a ser pago chegou para a China. Faturam bilhões com a disseminação do virus e venda de produtos / vacinas. Lockdow vai aumentar esse o rombo, pois ja foi provado que não funcionou em nenhum lugar do mundo.

  4. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Já passou da hora da China desacelerar o crescimento econômico, o resto do mundo ficou assustado com a dependência de insumos fabricados na China.

  5. João Mário
    João Mário

    O dragão geme, o fogo se esvai e logo deve tombar. Muitas industrias estão se deslocando para a índia.
    Fecha tudo mesmo Xi, aprendeu com mandetta, moro e desgovernadores brasileiros como se afunda o navio

  6. Jorge Alberto de Oliveira Marum
    Jorge Alberto de Oliveira Marum

    Presidente? Líder? Por que não ditador? 🤔

  7. jorge nader
    jorge nader

    espero sinceramente que com o aumento de conservadores do congresso e senado, e mudanças no stf.
    o mundo descubra que que podemos ajudar com a mão de obra e tranquilidade e segurança jurídica e facilidades que o governo Bolsonaro direcionou o Brasil , mesmo sem dinheiro e com o pé no breque das esquerdas.

  8. Sandro Coimbra Assis
    Sandro Coimbra Assis

    A questão é que devido a escolhas passadas dos globalistas, dos metacapitalistas, o mundo está afundado em China e em seu regime comunista. Biden e sua turma tem um grande peso de responsabilidade nisso tudo. O problema China não existiria caso não houvesse sido feita a opção das big techs e congêneres de contratar trabalho escravo chinês.

    1. Thiago
      Thiago

      Verdade, a china maliciosamente imbricou toda a economia global com a dela, oferecendo vantagens para investidores para depois retaliar com base na dependência criada. O problema é que esse Xi tem todas as características de um ditador brutal que não vai largar o poder facilmente, ele já deu todos os sinais de que não vai largar o osso no final do ano, quando termina o seu mandato. Ele ainda vai arrumar muita confusão até lá, possivelmente até uma guerra para se manter no poder.

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