A União Europeia (UE) decidiu classificar o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã como organização terrorista, conforme resolução aprovada em reunião de ministros das Relações Exteriores nesta quinta-feira, 29, em Bruxelas.
A medida surge em meio à intensificação das pressões internacionais sobre o regime iraniano, depois de protestos ocorridos entre o fim de dezembro e o início de janeiro.
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Kaja Kallas, integrante da alta cúpula da UE para Política Externa, declarou nas redes sociais que “os ministros das Relações Exteriores da União Europeia acabam de dar um passo decisivo ao designar a Guarda Revolucionária iraniana como organização terrorista”.
“A repressão não pode ficar sem resposta”, afirmou. “Todo regime que assassina milhares de cidadãos está trabalhando para a própria ruína.”
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse que a decisão “já deveria ter sido tomada há muito tempo”.
“‘Terrorista’ é como se chama um regime que esmaga com sangue os protestos de seu próprio povo”, afirmou.
Impacto simbólico para o Irã
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, também conhecido como “Guarda Revolucionária” ou “Pasdaran”, integra as Forças Armadas do Irã e surgiu para proteger o regime autoritário instaurado depois da Revolução Islâmica de 1979.
Agora, a União Europeia inclui a organização na lista europeia de grupos terroristas — que já trazia Al-Qaeda e Estado Islâmico —, embora essa classificação tenha impacto principalmente simbólico, pois a UE já sancionava a Guarda e seus líderes.
Leia também: “A coragem das iranianas humilha ocidentais woke”, artigo de Joanna Williams publicado na Edição 305 da Revista Oeste
Antonio Tajani, ministro das Relações Exteriores e vice-primeiro-ministro da Itália, ressaltou que a decisão não impede o diálogo com o Irã, apesar de sua postura favorável à inclusão da Guarda Revolucionária na lista de organizações terroristas.
Relatos de dissidentes iranianos no exterior apontam dezenas de milhares de civis mortos durante os protestos, mas o bloqueio da internet dificulta a confirmação desses dados.
O regime iraniano reconhece mais de 3 mil mortes e alega que a maioria das vítimas integrava as forças de segurança.
Sanções adicionais
No mesmo encontro, os ministros também aprovaram sanções contra 21 pessoas e entidades acusadas de envolvimento em ações violentas contra manifestantes, incluindo o ministro do Interior, Eskandar Momeni, o procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad e comandantes da Guarda Revolucionária.
Também foram impostas restrições a dez indivíduos ligados ao fornecimento de armas iranianas para a Rússia na guerra contra a Ucrânia.







































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