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Ucrânia usa drones para atacar radares de defesa nuclear da Rússia

Imagens de satélite mostram os danos causados por Kiev

Embora Kiev não tenha confirmado oficialmente, dados vazados à imprensa ucraniana revelaram um ataque neste domingo, 26, à Estação de Radar de Orsk, na região de Orenburg, centro-sul da Rússia | Foto: Reprodução/Telegram
Embora Kiev não tenha confirmado oficialmente, dados vazados à imprensa ucraniana revelaram um ataque neste domingo, 26, à Estação de Radar de Orsk, na região de Orenburg, centro-sul da Rússia | Foto: Reprodução/Telegram

O governo da Ucrânia, que enfrenta dificuldades no norte e no leste do país, adotou uma nova estratégia ao atacar radares da defesa nuclear da Rússia. Embora Kiev não tenha confirmado oficialmente, dados vazados à imprensa ucraniana revelaram um ataque neste domingo, 26, à Estação de Radar de Orsk, na região de Orenburg, centro-sul da Rússia.

Os drones ucranianos realizaram o ataque mais distante até agora na guerra, percorrendo 1,8 mil km. A Rússia não comentou oficialmente, mas blogueiros militares confirmaram a ação, embora os danos ainda sejam incertos.

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Na sexta-feira 24, imagens de satélite da Planet Labs divulgadas pelo site The War Zone mostraram danos a outra estação de radar em Krasnodar, sul da Rússia.

Imagens mostram ataques da Ucrânia

As imagens de satélite coincidem com fotos nas redes sociais que mostram grandes danos aos edifícios dos radares. Não é necessário destruir completamente as estruturas para inutilizar o sistema, em virtude da fragilidade dos componentes.

A Rússia possui pelo menos dez bases do sistema Voronej, que detectam lançamentos de mísseis balísticos a até 10 mil km em grandes altitudes e 6 mil km ao nível do solo.

Implantados desde 2009, os radares Voronej substituem o antigo sistema soviético, com as últimas estações concluídas em 2020. Os EUA têm um sistema semelhante, considerado mais sofisticado.

Juntos, EUA e Rússia possuem quase 90% das ogivas nucleares do mundo. A doutrina nuclear russa, atualizada por Vladimir Putin em 2020, prevê o uso de armas nucleares em caso de ataques existenciais à Rússia, o que torna a tática ucraniana arriscada.

Rússia se movimenta

Na semana passada, Putin realizou exercícios com armas nucleares táticas, em resposta à ameaça francesa de enviar tropas para a Ucrânia e às autorizações do Reino Unido e EUA para uso de armas contra solo russo.

A França também testou um novo míssil nuclear lançado por caça. Militares ucranianos, de forma anônima, afirmaram que os radares russos podem detectar lançamentos de mísseis americanos ATACMS, recentemente entregues a Kiev.

Os radares são caros e difíceis de repor. Em Orsk, os radares Voronej-M operam na banda UHF e custam cerca de R$ 170 milhões, enquanto em Armavir, na Estação de Krasnodar, os modelos Voronej-DM rastreiam em VHF e custam R$ 280 milhões cada um. As ações ocorrem enquanto a Ucrânia perde terreno lentamente para os russos, que retomaram a iniciativa na guerra neste ano.

Apoio ocidental

Nesta segunda-feira, 27, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter capturado mais uma cidade em Kharkiv, norte da Ucrânia, e outra em Donetsk, leste do país. Kiev não confirmou, mas os relatos seguem um padrão de desgaste em várias frentes.

No fim de semana, um ataque russo em Kharkiv matou ao menos 16 pessoas em um supermercado de construção. No domingo, o presidente Volodymyr Zelensky alertou sobre uma nova ofensiva russa no norte-nordeste e pediu mais armas ocidentais.

Nesta segunda-feira, a Espanha atendeu ao pedido de Zelensky e anunciou o envio de R$ 6,3 bilhões em equipamentos militares, incluindo mísseis para o sistema antiaéreo Patriot e 19 tanques Leopard-2A4. A data de chegada dessas armas ainda é incerta.

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