O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 5, atuar para interromper os assassinatos em massa de cristãos na Nigéria. “Os Estados Unidos não podem ficar de braços cruzados enquanto tais atrocidades acontecem na Nigéria e em vários outros países”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
“O cristianismo enfrenta uma ameaça existencial na Nigéria. Milhares e milhares de cristãos estão sendo mortos. Islamistas radicais são responsáveis por esse massacre em massa”, disse o presidente norte-americano. “Estou, portanto, declarando a Nigéria como um País de Preocupação Particular. Isso é uma definição legal.”
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No vídeo, Trump reitera ter pedido a ajuda de congressistas para apurar as medidas cabíveis. “Estou pedindo ao deputado Riley Moore, junto com o presidente Tom Cole e o Comitê de Apropriações da Câmara, que investiguem imediatamente essa questão e me apresentem um relatório.”
Quando cristãos ou outro grupo semelhante são massacrados, como está acontecendo na Nigéria, afirma o presidente dos EUA, algo precisa ser feito. De acordo com a organização Portas Abertas, que monitora a perseguição à Igreja ao redor do mundo, dos 4.476 cristãos mortos no mundo por causa da fé no último ano, 3,1 mil foram na Nigéria.
“Que números horríveis”, avaliou Trump. “Estamos prontos, dispostos e capazes de proteger nossa grande população cristã ao redor do mundo. Isso não vai acontecer. A matança de cristãos não vai acontecer.” A Nigéria também lidera em número de cristãos sequestrados por causa da fé: 2.830 dos 3.775 casos globais.
Na semana anterior, Trump ameaçou publicamente suspender a ajuda à Nigéria e sugeriu uma possível intervenção militar, caso persistam relatos de assassinatos de cristãos. “Faremos coisas à Nigéria que a Nigéria não aprovará e poderemos muito bem invadir esse país, agora desonrado, com armas em punho, para exterminar completamente os terroristas islâmicos que estão cometendo essas atrocidades horríveis”, escreveu nas redes sociais.

O chefe da Casa Branca reinseriu a Nigéria na lista de países que desrespeitam a liberdade religiosa no final de outubro. No sábado 1º, ele anunciou ter orientado o Departamento de Defesa dos EUA a se preparar para uma possível reação militar rápida, caso o governo nigeriano não contenha as mortes de cristãos no país.
A decisão de rotular a Nigéria como desrespeitadora das liberdades religiosas provocou protestos no governo nigeriano, que argumentou que a classificação é resultado de informações distorcidas e dados imprecisos. O chefe do Estado-Maior da Defesa, general Olufemi Oluyede, destacou que a principal ameaça enfrentada pela Nigéria é o terrorismo, não a perseguição religiosa aos cristãos.
Governo da Nigéria rejeita acusação de massacre contra cristãos
O governo nigeriano declarou que aceita o apoio dos Estados Unidos no combate aos insurgentes islâmicos, desde que seja mantida a soberania nacional. O ministro da Informação, Mohammed Idris, afirmou que o terrorismo atinge cristãos e muçulmanos e que o Executivo trabalha pela erradicação da violência extremista com operações militares, esforços regionais e diálogo internacional.
BREAKING 🚨 President Trump stuns the World by preparing the Department of War to attack Nigeria for what they are doing to Christians
— MAGA Voice (@MAGAVoice) November 1, 2025
Donald Trump: “Warning the Nigerian Government better move fast”
PROTECT CHRISTIANS 🙏 pic.twitter.com/ifZ7qokknR
Com mais de 200 grupos étnicos, a Nigéria reúne comunidades cristãs, muçulmanas e praticantes de religiões tradicionais. Apesar da convivência, conflitos violentos têm ocorrido, impulsionados por disputas étnicas e pela competição por recursos naturais limitados.
Bola Tinubu, presidente da Nigéria, eleito em 2023, assumiu o cargo com promessa de combater a violência, mas as medidas implementadas até agora não tiveram resultados significativos. No último domingo, 2, Tinubu reiterou o compromisso de “proteger todas as crenças”, em parceria com os EUA, e afirmou que “a caracterização da Nigéria como um país religiosamente intolerante não reflete nossa realidade nacional”.
Parte da violência decorre de disputas entre pastores muçulmanos e agricultores cristãos na região central, além de ataques a vilarejos cristãos no norte do país, que concentra os piores índices de violência extremista. O porta-voz presidencial, Daniel Bwala, frisou que a insegurança afeta toda a população, não apenas cristãos. “Estamos comprometidos em combater a insegurança, que afeta cada cidadão da Nigéria”, declarou.

Desde 2020, ataques no país já deixaram mais de 20 mil mortos, segundo a Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (Acled). O grupo jihadista Boko Haram ganhou notoriedade internacional em 2014 ao sequestrar 276 meninas cristãs em Chibok.
China defende governo nigeriano
A China também se pronunciou em defesa do governo da Nigéria. Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, declarou na última segunda-feira, 3, que, “como um parceiro estratégico abrangente, a China apoia firmemente o governo nigeriano em seus esforços para guiar seu povo por um caminho de desenvolvimento de acordo com suas condições nacionais”.
Mao acrescentou que Pequim “se opõe à interferência de qualquer país nos assuntos internos de outros países sob o pretexto de religião ou direitos humanos”. A China tem promovido uma repressão crescente aos cristãos, com a prisão de 30 líderes de igrejas em outubro. O governo comunista provocou também o fechamento da maior livraria chinesa do país.




Ao menos 36 cristãos são mortos em 3 dias na Nigéria 

































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