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Trump já destinou mais de R$ 100 bi a confronto com o Irã

O valor destinado à aquisição de armamentos supera o Produto Interno Bruto de nações como Guiana e Montenegro

trump eua
Presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Samuel Corum/Sipa USA/Reuters

O volume de recursos empregados pelos Estados Unidos no confronto com o Irã já ultrapassou US$ 20 bilhões, cerca de R$ 100 bilhões, nas últimas oito semanas. Levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) destaca que, mesmo com o cessar-fogo parcial, os gastos continuam elevados.

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O valor destinado à aquisição de armamentos supera o Produto Interno Bruto de nações como Guiana e Montenegro. O CSIS analisou, na terça-feira 21, sete sistemas de armas considerados estratégicos, apontando uso intensivo de mísseis Tomahawk, JASSM e sistemas como PrSM, SM-3, SM-6, THAAD e Patriot durante a ofensiva.

Consumo acelerado de estoques estratégicos

Segundo o estudo, em quatro desses modelos, mais da metade do estoque anterior à guerra pode ter sido consumida. Antes do conflito, a disponibilidade desses armamentos já era considerada insuficiente caso os EUA enfrentassem uma potência militar, como a China.

Os dados do CSIS mostram o seguinte: foram empregados cerca de 850 mísseis Tomahawk, representando 27% do estoque inicial; aproximadamente 1 mil JASSM, ou 22%; de 40 a 70 PrSM, atingindo até 77,8% do total; e entre 130 e 250 unidades de SM-3, o equivalente a até 61% do inventário.

Similarmente, os sistemas SM-6 tiveram de 190 a 370 unidades utilizadas (até 31,9% do arsenal), o THAAD, de 190 a 290 lançamentos (até 80,6%), além do Patriot, com uso entre 1 mil e 1,4 mil unidades, alcançando até 61,4% dos estoques.

Fontes do The New York Times informam que o custo geral dos EUA na guerra já ultrapassou US$ 28 bilhões, o que corresponde a R$ 140 bilhões. O Departamento de Defesa não divulgou números oficiais sobre o total de munições disparadas.

Riscos para aliados e alternativas táticas

Apesar do consumo elevado, o CSIS avalia que os estoques ainda permitem a continuidade da guerra, porém, a vulnerabilidade dos EUA aumentaria diante de novos conflitos. Países aliados, como a Ucrânia, podem ser prejudicados pela dependência de armamentos norte-americanos.

Mesmo diante da redução de armas de alta tecnologia, o país dispõe de alternativas de menor alcance, mas que exigem maior proximidade dos alvos, o que eleva os riscos operacionais. Antes da guerra, autoridades militares já demonstravam preocupação com os baixos volumes disponíveis por causa do envio de armas para Ucrânia e Israel.

No início de março, Trump reconheceu a escassez de armamentos de ponta, mas garantiu que o país conta com “estoques praticamente ilimitados” de armas de médio alcance. “Guerras podem ser travadas ‘para sempre’ e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos”, afirmou, segundo o CSIS.

Esforços de reposição e desafios logísticos

Para tentar recuperar os estoques, a administração Trump firmou acordos com empresas de defesa para ampliar a produção, mas, conforme o CSIS, a reposição é lenta. O tempo de entrega de alguns armamentos chega a 52 meses, ou seja, mais de quatro anos, por causa do aumento da demanda.

Em relação ao Irã, reportagem da CBS News publicada na quarta-feira 22 revela que o país pode dispor de mais poder militar do que os EUA reconhecem publicamente, de acordo com fontes do governo norte-americano. Oficialmente, Trump sustenta que os EUA “aniquilaram” as forças navais e aéreas iranianas.

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou no início de abril que as Forças Armadas do Irã foram “dizimadas”, tornando-se “ineficazes em combate por muitos anos”. O governo norte-americano afirma ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel relata ter destruído mais de 70% dos lançadores iranianos.

Capacidades e limitações do Irã

No entanto, autoridades consultadas pela CBS News relatam que cerca da metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento iranianos permanece intacta, com parte desse material oculta em cavernas ou bunkers, o que dificulta a avaliação precisa do estoque.

Na terça-feira, o Irã realizou um desfile militar em Teerã, com exibição de mísseis balísticos, entre eles o Khorramshahr-4, com alcance estimado em 2 mil quilômetros. Relatórios da NBC News revelam que houve queda significativa no número de lançamentos de mísseis e drones iranianos desde o início da guerra.

Leia também: “Irã não é Venezuela: por que é mais difícil derrubar o regime dos aiatolás”

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