publicidade
Mundo

Trump ironiza chefe do Fed, alvo de inquérito por obra bilionária

Jerome Powell é investigado por supostas informações falsas prestadas ao Congresso quanto ao orçamento de US$ 2,5 bilhões para reformar a sede do banco central

Trump ofensiva Venezuela petróleo
As críticas de Trump a Powell vêm desde antes do início do mandato presidencial, incluindo declarações anteriores nas quais chamou o dirigente de 'burro' e 'idiota' | Foto: Reprodução/Site Casa Branca

Em meio a tensões envolvendo a condução da política monetária dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ironizou o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, alvo de inquérito sobre supostas informações falsas prestadas ao Congresso quanto ao orçamento de US$ 2,5 bilhões para reformar a sede do banco central.

“Eu não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom em construir edifícios,” afirmou Trump em entrevista à NBC News na noite deste domingo 11.

Receba nossas atualizações

O processo, conduzido pela Procuradoria do Distrito de Columbia, foca em possíveis inconsistências apresentadas por Powell sobre o custo real das obras, cujo orçamento inicial era de US$ 1,8 bilhão e já alcança um valor de US$ 700 milhões acima do esperado.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

As reformas começaram em 2022 e devem terminar em 2027, abrangendo modernização, acessibilidade e retirada de materiais tóxicos de edifícios da década de 1930.

Diante da notificação, Powell afirmou que o inquérito é um pretexto para pressionar sua saída do comando do Fed.

“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente [Donald Trump]”, afirmou Powell.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole: tendência de queda nos juros dos EUA | Foto: Reprodução/Twitter/X
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole: tendência de queda nos juros dos EUA | Foto: Reprodução/Twitter/X

Powell acrescentou que a autonomia do banco central está em risco, pois “a questão central é se o Fed conseguirá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”.

Trump nega influência na investigação

Trump também rejeitou que o inquérito tenha ligação com a recente decisão do Fed de reduzir os juros em 0,25 ponto percentual por três vezes consecutivas, reiterando sua insatisfação com cortes considerados insuficientes.

O republicano defende uma taxa entre 1,5% e 1,75%, diante do patamar atual de 3,5% a 3,75%, alegando que o nível vigente dificulta o acesso ao crédito imobiliário e pode frear a economia norte-americana.

Leia também: “Toffoli, ‘il pizzaiolo’”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 304 da Revista Oeste

As críticas de Trump a Powell vêm desde antes do início do mandato presidencial, incluindo declarações anteriores nas quais chamou o dirigente de “burro” e “idiota”, além de manifestar desejo de demiti-lo.

Powell, que tem mandato até 15 de maio, já declarou que não pretende deixar o cargo antes do prazo.

Decisões do Fed e reações no Congresso

O presidente norte-americano também tentou pressionar pela demissão da diretora Lisa Cook, sob alegação de irregularidades em questões hipotecárias.

Entretanto, as decisões sobre taxas de juros são tomadas pelo Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), que reúne 12 membros, incluindo diretores do Fed e presidentes regionais.

As últimas reuniões do Fomc mostraram divisão: em dezembro, nove votos apoiaram o corte de 0,25 ponto percentual, um voto defendeu uma redução maior, de 0,5 ponto, e dois membros foram contrários a qualquer corte. Powell votou pela redução de 0,25 ponto.

Leia mais:

O senador Thom Tillis (Partido Republicano-Carolina do Norte) declarou que irá se opor à confirmação de qualquer nomeação para o Fed, inclusive para futuras vagas na presidência, devido à suspeita de interferência política.

“Se ainda havia alguma dúvida de que assessores dentro do governo Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deve haver nenhuma”, afirmou Tillis.

“Agora é a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça que estão em questão”, acrescentou.

O que diz o Fed

O Fed informou que as reformas em andamento são as primeiras integrais nos edifícios em quase cem anos, destacando a necessidade de modernização e adequação. Também ressaltou que itens como salas de jantar privativas e elevadores exclusivos não integram a proposta atual.

“Não há sala de jantar VIP, não há mármore novo”, disse Powell ao Congresso. “Retiramos o mármore antigo e estamos colocando-o de volta. Teremos que usar mármore novo onde parte do mármore antigo quebrou. Mas não há elevadores especiais. Há apenas os elevadores antigos que já estavam lá.”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade