Os títulos do governo da Venezuela registram em forte alta nesta segunda-feira, 5, impulsionados pela captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A prisão e a transferência do agora ex-ditador para território norte-americano, no último sábado, 3, alimentaram expectativas em torno da reestruturação da dívida soberana do país, que pode ser uma das maiores e mais complexas de todos os tempos.
Os ativos emitidos pelo Estado venezuelano e pela estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) subiram até US$ 0,08, o equivalente a cerca de 20%, nas primeiras negociações do pregão europeu. Analistas avaliam que ainda há espaço para novas altas.
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“Os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de valor ao longo de 2025, mas devem registrar um salto adicional — de até 10 pontos — no início da sessão desta segunda-feira”, afirmaram analistas do banco J.P. Morgan em relatório a clientes, divulgado pela agência de notícias Reuters.
Os títulos soberanos venezuelanos tiveram o melhor desempenho global no ano passado. Os papéis quase dobraram de preço à medida que o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificava a pressão militar sobre Maduro.
Com os movimentos desta segunda-feira, o título venezuelano com vencimento em 2031 se aproximou de US$ 0,40, segundo dados da plataforma de monitoramento do mercado Tradeweb. A maioria dos demais papéis era negociada de US$ 0,35 a US$ 0,38, enquanto a dívida da PDVSA subia mais de US$ 0,06 para perto de US$ 0,30.

Títulos da Venezuela estavam em descrédito global desde 2017
Os títulos do governo da Venezuela e da PDVSA entraram em default em 2017, com valor nominal estimado em cerca de US$ 60 bilhões. Default é quando um devedor deixa de cumprir uma obrigação financeira, como não pagar uma dívida no prazo combinado — o equivalente a calote.
Já a dívida externa total do país — que inclui outras obrigações da PDVSA, empréstimos bilaterais e decisões arbitrais — é estimada entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões, a depender da contabilização de juros acumulados e sentenças judiciais, segundo analistas.
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