A expectativa de reconhecimento do Estado palestino por países como França, Reino Unido, Austrália e Canadá representa uma tentativa de reanimar a via diplomática para a solução de dois Estados, proposta historicamente para o conflito entre israelenses e palestinos.
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Apesar dos esforços recentes, o cenário para a criação de dois Estados nunca esteve tão distante, afirma o The Wall Street Journal. Analistas disseram ao jornal que o agravamento da ofensiva militar de Israel em Gaza elevou a desconfiança entre as populações e tornou o diálogo sobre divisão territorial cada vez mais improvável. Para Israel e EUA, o reconhecimento da Palestina como Estado vai premiar o Hamas, grupo terrorista que governa Gaza.
Levantamentos nas décadas de 1990 e 2000 mostravam apoio majoritário à proposta, mas atualmente apenas uma parcela reduzida de israelenses e palestinos acredita em sua viabilidade. Defensores da partilha perderam força política, e a maioria não aposta em mudanças substanciais impulsionadas por pronunciamentos internacionais.
Ceticismo sobre o reconhecimento do Estado palestino
Ao WSJ, Diana Buttu, ex-negociadora palestina, afirmou que a solução de dois Estados “morreu há muito tempo”, ressaltando a ausência de vontade política para implementá-la.
Palestinos reconhecem o valor simbólico do reconhecimento, mas temem represálias. Mustafa Barghouti, político palestino pró-dois Estados, avaliou que os anúncios ocidentais chegam “muito pouco e muito tarde”.
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Tasame Ramadan, ativista da região de Nablus, relatou que, depois do reconhecimento da Palestina por Espanha, Noruega e Irlanda, em maio de 2024, houve aumento de postos de controle, restrições de circulação e prisões na Cisjordânia. Ela afirmou ao WSJ que repressão semelhante ocorre agora, mas segue favorável ao reconhecimento internacional.
Ex-oficial de inteligência militar israelense e especialista da Universidade de Tel-Aviv, Michael Milshtein disse que as decisões diplomáticas recentes refletem o isolamento crescente do país diante das críticas globais pelo alto número de mortes em Gaza. “Um tsunami internacional está se aproximando de Israel”, declarou. Para ele, o impacto será sentido no cotidiano, do preço de produtos à mobilidade dos cidadãos.
Países vão reconhecer Estado palestino na ONU
Nesta semana, durante a Assembleia-Geral da ONU, esses países ocidentais devem anunciar oficialmente o reconhecimento do Estado palestino. A iniciativa integra um esforço internacional para buscar o fim da guerra em Gaza, que começou depois do ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.

França e Arábia Saudita lideraram articulações nesse sentido desde o ano passado, organizando um encontro na ONU para debater a solução de dois Estados. O movimento resultou, em 12 de setembro, em uma declaração endossada por 142 países que defende cessar-fogo em Gaza, libertação de reféns, desarmamento do Hamas e normalização das relações entre Israel e o mundo árabe.
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Israel e Estados Unidos votaram contra a declaração e criticaram a iniciativa de reconhecimento. “Tenho uma discordância com o primeiro-ministro nesse aspecto, uma das nossas poucas discordâncias, na verdade”, disse o presidente Trump, referindo-se ao líder esquerdista Keir Starmer.
Posição de Israel
O governo israelense argumenta que reconhecer a Palestina significaria premiar o Hamas, responsável pelo ataque a Israel em 7 de outubro. Já França e outros países buscam isolar o grupo, que rejeita o modelo de dois Estados. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, prometeu retaliação, sem detalhar quais medidas tomaria.

Membros da coalizão governista de Israel sugeriram, em resposta, a anexação da Cisjordânia ocupada. “Qualquer ação unilateral pode ser respondida com ação unilateral”, declarou Netanyahu na última segunda-feira, 15. “Não haverá Estado palestino”, completou.
Mais de 140 países, sobretudo do mundo em desenvolvimento, já reconhecem a Palestina. Governos ocidentais, até pouco tempo atrás, condicionavam esse passo a um acordo direto entre israelenses e palestinos sobre a criação de dois Estados.






































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