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Que mudança real o acordo entre UE e Mercosul vai trazer?

Os países integrantes dos blocos precisam assinar os termos da parceria para que ela entre em vigor

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao lado de Lula e dos demais chefes de Estado do Mercosul | Foto: Reprodução/Redes sociais
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao lado de Lula e dos demais chefes de Estado do Mercosul | Foto: Reprodução/Redes sociais

O acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul promete criar um mercado comum entre os dois blocos. Depois de 25 anos de negociação, a parceria agora vai entrar em fase de tradução e revisão jurídica — ou seja, ainda não se sabe quando os termos do tratado entrarão em vigor. 

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Caso o acordo avance de fato, surgirá uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. No entanto, os termos da parceria serão implantados aos poucos. As chances de frutos positivos para o Brasil são altas, dizem dois especialistas consultados por Oeste

Efeitos práticos do acordo entre UE e Mercosul

De acordo com o coronel Fernando Montenegro, presidente da Associação Brasileira de Estudos de Inteligência e Contrainteligência (Abeic), a aliança entre entre UE e Mercosul amplia o leque de opções de exportação do país. Dessa forma, o acordo ajudaria a reduzir a dependência da venda de commodities para a China. 

A parceria melhora principalmente a ida de produtos agrícolas brasileiros para a Europa e de produtos industriais para cá, diz Giorgio Romano Schutte. Professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC e membro do Observatório da Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil (Opeb), ele define essa rota comercial como a base do acordo.

União Europeia Mercosul acordo
Acordo também tem um caráter estratégico, em termos políticos | Foto: Reprodução/Pixabay

No caso das exportações industriais, a principal beneficiada seria a Alemanha, provavelmente. De acordo com Schutte, o país do chanceler Olaf Scholz busca exportar cada vez mais sua indústria química, automobilística, maquinária e de farmacêuticos. O país “quer exportar, quer concorrer com os chineses em todo o mundo, está perdendo espaço.”

+ Leia também: “Os próximos passos do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia”

Além da facilitação de exportações, o acordo permitiria a participação das empresas europeias em licitações públicas no Brasil e vice-versa. Porém, diz o professor, “já tem muitos investimentos europeus no Mercosul. “A União Europeia é a principal investidora aqui, então isso não deve mudar tanto.”

Para o consumidor brasileiro, entretanto, não deve haver nenhuma novidade visível. Por mais que possa haver facilitação do comércio de queijos, vinhos e outros produtos mais específicos, “os vinhos europeus não vão chegar mais baratos”, afirma Schutte. 

Nem todos estão felizes com a parceria

Cada país integrante de ambos os blocos econômicos precisa assinar o acordo para que ele passe a valer. O presidente da França, Emmanuel Macron, já deixou claro sua oposição. Nesta quinta-feira, 5, ele disse que a proposta é “inaceitável do jeito que está”.

O país tem o poder de bloquear o tratado. Para o coronel Fernando Montenegro, a disputa entre França e Brasil é o principal ponto de tensão que envolve o acordo entre UE e Mercosul. Uma das maiores economias da UE e detentor de um parque industrial forte, o país quer “ganhar em todas as frentes ou deixar de perder, inclusive no agronegócio”, diz ele. 

Montenegro explica que há muitos subsídios do governo francês para viabilizar o agronegócio local, mas a entrada de produtos agrícolas do Mercosul — onde a produtividade é alta e detentora de alta tecnologia — o país de Macron não conseguiria competir em preço. Assim, “para não ocorrer uma quebradeira em massa de agricultores e pecuaristas, os franceses estão impondo embargos sob o pretexto de barreiras ambientais e fazendo uma campanha de maledicência sobre produtos brasileiros”. 

Macron também afirma que a facilitação para o agronegócio brasileiro prejudicaria o meio ambiente. “Mas isso não é o argumento principal”, diz Schutte. “O argumento principal são os interesses do setor agrícola da França, que tem um peso político importante, tradicionalmente, no país.”

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Emmanuel Macron, presidente francês, no Palácio do Eliseu, em Paris — 3/10/2024| Foto: Reuters/Sarah Meyssonnier

Também sobre a questão ambiental, o Montenegro completa: “É uma hipocrisia os europeus usarem a proteção do meio ambiente como pretexto”. De acordo com ele, eles “já destruíram quase toda cobertura vegetal nativa e extinguiram várias espécies de plantas e animais no continente”.

O fator surpresa: Donald Trump

O novo governo nos Estados Unidos tem potencial para incrementar os fatores de decisão dos países da União Europeia e do Mercosul, acrescentaram os dois especialistas ouvidos por Oeste

“Trump alega que vai taxar tudo que vier de fora e proteger a indústria e agro dos EUA”, lembra Montenegro. Caso o republicano cumpra com o prometido, a tendência de aproximação entre o Mercosul e UE pode aumentar, “desde que não se insista em sabotar o agro brasileiro com embargos ao agronegócio, travestidos de impasses ambientais”, reforça o coronel.

O protecionismo que Trump tem anunciado “prejudica tanto a União Europeia como o Mercosul”, explica Schutte. Logo, a postura do novo presidente norte-americano seria estímulo para os europeus buscarem outros parceiros.

+ Leia também: “CNI: acordo Mercosul-UE vai trazer ‘benefícios e diversificação à exportação do Brasil'”

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1 comentário
  1. carlos roberto de moura
    carlos roberto de moura

    É o Macron dizendo para o Brasil a mesma coisa que a Janja falou para o Elon Musk.

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