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Promotoria turca pede 2 mil anos de prisão para prefeito de Istambul

Acusação denuncia 142 crimes, entre corrupção, fraude e espionagem; caso abala credibilidade da oposição

O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu(centro), durante maratona realizada no último dia 2 na maior cidade da Turquia | Foto: Reprodução/Twitter/X
O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu (centro), durante maratona realizada no último dia 2 na maior cidade da Turquia | Foto: Reprodução/Twitter/X

O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, tornou-se o centro de uma disputa política e jurídica na Turquia. A Promotoria acusa Imamoglu de principalmente comandar uma organização criminosa que se envolveu em corrupção, lavagem de dinheiro e, sobretudo, em fraudes a partir de contratos públicos. De centro-esquerda, ele está preso desde março. Responde a 142 acusações formais. O caso inclui ainda 402 pessoas e um alegado prejuízo bilionário aos cofres do país.

Os promotores apresentaram um relatório com mais de 4 mil páginas em que detalham desse modo o funcionamento do esquema. A acusação cita cobrança de propinas e manipulação de processos de licitação. Além disso, Imamoglu está sob investigação por espionagem, falsificação de diploma e principalmente ofensas a autoridades do Ministério Público. Ele, contudo, nega todas as acusações e afirma assim ser alvo de perseguição política.

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O prefeito e a disputa política

A situação fortalece o debate interno sobre a sucessão presidencial prevista para 2028. Imamoglu seria o principal adversário do presidente conservador Recep Tayyip Erdogan no cenário político atual. Para lideranças da oposição, o processo objetiva inviabilizar sua candidatura e restringir a atuação do Partido Republicano do Povo (CHP). O partido insiste em que há tentativa de desmobilizar sua estrutura.

Durante sessão no Parlamento, o líder do CHP, Özgür Özel, afirmou que uma concentração tão ampla de acusações contra um único indivíduo é um sinal de perseguição. Ele argumentou que o verdadeiro motivo do processo é a ascensão política do prefeito de Istambul.

Leia também: “Um socialista muçulmano em Nova York”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 295 da Revista Oeste

A Promotoria, no entanto, também mira o CHP. Um dos pedidos apresentados à Justiça considera que o partido recebeu recursos de origem ilícita. Se avançar, a acusação pode levar ao fechamento da sigla. O governo turco e o Ministério Público negam qualquer motivação política.

Nas eleições municipais de março de 2024, o CHP ampliou sua força. O partido venceu em Istambul e Ancara, as maiores cidades do país. Assim, atingiu 38% dos votos nacionais. O resultado reforçou a posição de Imamoglu como liderança de alcance nacional. 

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