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Prisão de Bolsonaro é 'muito ruim', lamenta Trump

Presidente dos EUA critica decisão do STF; aliados do republicano falam em abuso e citam impacto sobre relação bilateral

Trump e Bolsonaro
Jair Bolsonaro, durante reunião bilateral com Donald J. Trump, então Presidente dos Estados Unidos da América, em Osaka, Japão (28/6/2019) | Foto: Alan Santos/PR

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro por volta das 6h deste sábado, 22, repercutiu internacionalmente de forma célere. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ao caso de forma crítica.

Ao ser abordado pelo correspondente da Record em Washington, Trump demonstrou surpresa ao ser informado da detenção. Ele classificou o episódio de forma direta: “Isso é muito ruim”.

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Em outro momento, antes de embarcar na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, Trump voltou a se pronunciar ao ser novamente interpelado por jornalistas sobre o caso:

“Eu não sei nada sobre isso”, declarou o republicano. “Foi isso que aconteceu? É uma pena, eu só acho que é uma pena.”

Repercussão nos EUA

A reação norte-americana não se limitou a Trump. O advogado Martin De Luca, representante da Trump Media e da plataforma Rumble, publicou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas redes sociais. 

Em postagens no X, De Luca afirmou que o magistrado do STF “ultrapassou esse limite há muito tempo, mas hoje ultrapassou-o a toda a velocidade”.

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De Luca também sugeriu que a medida coloca em risco a relação diplomática que o governo Lula tenta reconstruir com os norte-americanos: “Enquanto a equipe de Lula tenta desesperadamente reconstruir a confiança com os EUA, Moraes faz todo o possível para provar por que foi sancionado em primeiro lugar”.

A posição de De Luca ecoa uma fala recente de Trump: em julho, ao anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o chefe da Casa Branca citou o tratamento dado a Bolsonaro como parte das justificativas para medidas econômicas contra o Brasil, classificando a situação como “witch hunt” — caça às bruxas.

Prisão preventiva de Bolsonaro

Moraes fundamentou a prisão preventiva de Bolsonaro em uma série de elementos que, segundo ele, evidenciam risco concreto de fuga. Entre eles está um episódio registrado às 0h08 da madrugada deste sábado, quando houve tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente, no mesmo momento em que apoiadores realizavam uma vigília em frente ao condomínio onde ele cumpre medidas judiciais.

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Moraes
Moraes determinou a prisão de Bolsonaro na madrugada deste sábado | Reprodução/Rosinei Coutinho/SCO/STF/Flickr

O ministro também citou em sua decisão que aliados de Bolsonaro já deixaram o país de forma irregular — referência a casos investigados pela Polícia Federal — e destacou a proximidade da residência do ex-presidente com representações diplomáticas estrangeiras, o que, na avaliação do ministro, aumenta o potencial de evasão.

Moraes reforçou que a prisão não está vinculada à condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta pela 1ª Turma do STF no processo sobre a suposta tentativa de golpe. Essa pena só começará a ser executada depois do trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso. Os embargos de declaração da defesa já foram rejeitados; restaria ainda a apresentação de embargos infringentes, recurso que até agora não foi protocolado.

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Jair Bolsonaro defesa redes socais
Prisão de Jair Bolsonaro repercute nas redes sociais | Foto: Antonio Augusto/STF

Desde agosto, Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, decretada pelo próprio Moraes no âmbito de outro inquérito, no qual era investigado por coação — procedimento que também envolve seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado federal licenciado que atualmente reside nos EUA. O ex-presidente não chegou a ser denunciado nesse caso.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet, concordou com o pedido de prisão apresentado pela Polícia Federal (PF). Segundo a decisão, a manifestação do órgão foi clara: “Diante da urgência e gravidade dos novos fatos apresentados, a Procuradoria-Geral da República não se opõe à providência indicada pela Autoridade Policial.” O parecer formal da PGR ainda não foi divulgado.

O pedido da PF foi motivado pela vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que convocou apoiadores para rezar pela saúde do pai — movimento que, para a Polícia Federal, poderia servir como cortina de fumaça para eventual fuga.

2 comentários
  1. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Trump sai desprestigiado e com a fama de falastrão. Não consegue a paz na Ucrânia, nem em Israel, não faz nada contra Madura, apenas ameaça, e a tal de lei Magnifkit não vale nada. Ou seja, daqui pra frente não dá para superestimar o presidente norte-americano. Ele fez a parte dele, mas vê que ele não consegue resultados contra o comunismo.

  2. Marcos Belfiore
    Marcos Belfiore

    O que mais me intriga, é o STM acompanhar este caso e de outros militares de alta patente e com históricos, reconhecidamente, admiráveis, e nem sequer pronunciar-se!

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