O Palácio de Buckingham formalizou a retirada dos títulos do príncipe Andrew, entre eles o de príncipe, e determinou sua saída da residência Royal Lodge. Segundo comunicado, o contrato de locação que garantia a permanência de Andrew na propriedade foi oficialmente encerrado, obrigando-o a buscar nova moradia particular.
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Apesar de Andrew negar todas as acusações, a nota do Palácio reforça que “Suas Majestades desejam deixar claro que seus pensamentos e mais profundas condolências estiveram, e continuarão, com as vítimas e sobreviventes de todas as formas de abuso”. O irmão do rei Charles 3º tinha direito legal ao Royal Lodge até 2078, mas a pressão para sua saída aumentou nos últimos meses.
Destino de Andrew e impacto na família
De acordo com a imprensa local, Andrew passará a viver em uma casa dentro da propriedade de Sandringham, com custos bancados privadamente pelo rei Charles 3º. Sarah Ferguson, ex-esposa de Andrew, que também residia no Royal Lodge, deixará o local e procurará outra moradia por conta própria.
O último caso semelhante na Família Real ocorreu em 1917, quando o rei George 6º removeu o título de príncipe de Ernest August por causa da sua lealdade à Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. Andrew havia anunciado em 17 de outubro que não usaria mais o título de duque de York nem as honrarias recebidas. “Com a concordância de Sua Majestade, sentimos que devo agora dar um passo adiante”, declarou Andrew, segundo The Telegraph e BBC. “Portanto, não usarei mais meu título nem as honras que me foram conferidas. Como já disse, nego veementemente as acusações contra mim.”
Na ocasião, foi informado que Andrew manteria o título de príncipe por ser filho da rainha Elizabeth 2ª. A decisão de retirar os títulos resultou de “enorme pressão” do rei Charles 3º, e membros próximos da família, como o príncipe William, a princesa Anne e o príncipe Edward, participaram da decisão. O Palácio considerava a situação insustentável diante das acusações recentes e aguardava novas informações sobre a ligação dele com Jeffrey Epstein.
Sarah Ferguson também deixará de usar o título de duquesa de York, mas as filhas Beatrice e Eugenie manterão seus títulos. Andrew, por sua vez, não comparecerá ao tradicional Natal da Família Real em Sandringham neste ano.
Relação com Jeffrey Epstein e acusações
A relação de Andrew com Jeffrey Epstein começou em 1999, quando foi apresentado por Ghislaine Maxwell. O príncipe passou a frequentar eventos ao lado de Epstein e Maxwell, mesmo depois da prisão de Epstein nos Estados Unidos, em 2008, por abuso de menores. Em 2010, Andrew visitou Epstein em Nova York depois da prisão do bilionário, alegando que desejava encerrar a amizade pessoalmente.
As primeiras acusações de abuso sexual contra Andrew surgiram em 2015, quando Virginia Giuffre o acusou de tê-la abusado em diferentes países, inclusive na casa de Ghislaine Maxwell e na ilha privada de Epstein. Em 2019, uma entrevista concedida por Andrew teve repercussão negativa, levando-o a se afastar das funções na realeza. Já em 2021, ele foi processado por Giuffre, resolvendo o caso judicialmente no ano seguinte.
Em 2022, a rainha Elizabeth 2ª retirou os títulos militares de Andrew, que também deixou de ser patrono de mais de 200 entidades e perdeu o direito ao tratamento de “Sua Alteza Real”. Neste ano, o livro Entitled trouxe novos relatos sobre o comportamento de Andrew e detalhes de sua amizade com Epstein, além de negociações duvidosas enquanto atuava como emissário comercial.
Novas revelações e suspeitas de espionagem
Na semana passada, o Mail on Sunday revelou que Andrew manteve contato com Epstein em 2011, contradizendo declarações anteriores. Em e-mail, Andrew escreveu: “Parece que estamos juntos nessa e teremos que superar isso. De qualquer modo, vamos manter contato e brincar mais em breve!”. O Palácio avaliou que a mentira prejudicava a imagem da monarquia, e, por isso, Andrew foi pressionado a abrir mão dos títulos para “preservar o legado de sua mãe”.
Além dos escândalos sexuais, Andrew está ligado a suspeitas de espionagem. No ano passado, surgiram informações de que Yang Tengbo, suposto espião chinês, teria atuado em nome de Andrew em negociações com investidores. Entre 2018 e 2019, o jornal Telegraph relatou encontros do príncipe com outro agente chinês suspeito, Cai Qi.
Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste
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