Em meio a um cenário de incertezas, a Porsche optou por desacelerar sua produção de carros elétricos. Enquanto isso, a marca aposta novamente nos motores a gasolina, sob a futura liderança de Michael Leiters.
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O executivo, que assume o comando da Porsche em janeiro, já demonstrava ceticismo quanto à maturidade dos veículos elétricos. Seu argumento é que a tecnologia ainda não oferece a experiência esperada para modelos de luxo e que esses carros tendem a se desvalorizar mais rapidamente.
Leiters começou a carreira no início dos anos 2000 como assistente na própria Porsche e acumulou experiência na Ferrari e na McLaren. Ele seria o nome capaz de unir conhecimento técnico e visão externa, conforme avaliação do analista independente de marcas de carros de luxo Scott Sherwood.
“Ao considerar os desafios que a Porsche está enfrentando, eles precisam de um CEO que traga uma perspectiva externa, mas que entenda a família Porsche, a cultura alemã e o ambiente operacional da marca”, afirmou Sherwood, ao jornal Financial Times.
Desempenho financeiro e desafios de mercado da Porsche

Apesar de representar apenas 3,6% das entregas da Volkswagen nos últimos três anos, a Porsche foi responsável por quase 30% do lucro operacional do grupo. No entanto, as ações da empresa caíram cerca de dois terços desde o último auge, em maio de 2023, pressionadas por alerta de redução de lucro e desvalorizações, especialmente depois de quedas acentuadas nas vendas na China.
A fabricante alemã revisou para baixo, em setembro, sua previsão de margem operacional para 2025, numa faixa entre 0% e 2%, bem abaixo dos 14% do ano anterior. Embora tenha estabelecido como meta de médio prazo um índice entre 10% e 15%, o analista Stephen Reitman ponderou: “Levará algum tempo até chegarmos lá”.
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Leiters vai substituir Oliver Blume, que acumulava a presidência da Porsche e do grupo Volkswagen desde 2022. A Volkswagen detém 75,4% da marca e, juntamente com a família Porsche-Piëch, controla todas as ações com direito a voto.
Segundo Reitman, “enquanto a estratégia da Porsche estava bem encaminhada, o duplo comando de Blume não parecia absurdo, mas diante dos atuais desafios, a empresa precisa de um CEO dedicado integralmente”.
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