Depois de quase três anos no comando do Peru, Dina Boluarte perdeu o cargo de presidente nesta sexta-feira, 10, dando lugar a José Jeri, atual líder do Congresso. O país soma, agora, sete presidentes em menos de dez anos, um reflexo de uma instabilidade política acentuada desde 2016.
Dina, primeira mulher a ocupar a Presidência, destacou sua permanência como resultado de um acordo com setores conservadores do Legislativo. Essa aliança, porém, desmoronou depois de o grupo político da ex-primeira-dama Keiko Fujimori romper o apoio, o que levou a uma rápida destituição da presidente.
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Quatro dias antes, Keiko Fujimori negou exercer influência nos bastidores do governo. “Um mito foi gerado sobre mim, que sou poderosa, que sou culpada de todos os males”, afirmou. Logo depois, o Parlamento votou pela saída de Dina e empossou José Jeri, responsável por liderar o país até as eleições marcadas para abril de 2026.

A crise política no Peru se intensificou desde o mandato de Ollanta Humala, último presidente a concluir o período previsto, entre 2011 e 2016. No governo Humala, o escândalo da Odebrecht atingiu o país, envolvendo financiamento de partidos por empreiteiras.
Humala e sua esposa, Nadine Heredia, ficaram presos preventivamente entre 2017 e 2018 e continuam sob investigação. Em 2025, Nadine solicitou asilo ao Brasil, concedido pelo governo Lula por “motivos humanitários”, segundo o ministro Mauro Vieira.

Pedro Pablo Kuczynski assumiu em 2016, ao vencer Keiko Fujimori por pequena diferença. Ele renunciou em 2018, diante de denúncias ligadas à Lava Jato e à acusação de compra de votos para evitar destituição. Em 2019, foi condenado a 36 meses de prisão preventiva por suspeita de lavagem de dinheiro, mas encontra-se atualmente em liberdade.
Série de escândalos de corrupção no Peru
Martín Vizcarra, vice de Kuczynski, comandou o país de 2018 a 2020, dissolveu o Congresso, mas teve sua reputação abalada por investigações de corrupção. Impedido de assumir vaga parlamentar em 2021, ele enfrenta pedido do Ministério Público para condenação de 15 anos por suposta cobrança de propinas em contratos públicos.
Manuel Merino liderou o Peru por apenas cinco dias, entre 10 e 15 de novembro de 2020, diante da saída de Vizcarra. Sua posse provocou protestos violentos, resultando em duas mortes e cem feridos. Ele renunciou diante da pressão popular e, em junho de 2022, a Câmara isentou Merino de responsabilidade pelas mortes.

Francisco Sagasti, então presidente do Congresso, assumiu interinamente de novembro de 2020 a julho de 2021, período em que enfrentou protestos e dificuldades durante a pandemia de covid-19. Em seguida, Pedro Castillo venceu as eleições de 2021 e prometeu reformas constitucionais, porém não conseguiu apoio parlamentar.
Castillo, isolado e sem base no Congresso, realizou mais de 70 trocas ministeriais e tentou um autogolpe em dezembro de 2022. Ele foi destituído e cumpre prisão preventiva de 18 meses, acusado de conspiração. Dina Boluarte, então vice, assumiu, mas também foi deposta. José Jeri é o atual presidente interino até 2026.
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