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Peru: com 95,1% dos votos apurados, esquerda mantém estreita vantagem

Roberto Sánchez tem pouco mais de 40 mil votos à frente da conservadora Keiko Fujimori; resultado indefinido

Pelo menos três mesários teriam sido detidos por autoridades do Peru em razão de fraude eleitoral | Foto: Reprodução/X
Pelo menos três mesários teriam sido detidos por autoridades do Peru em razão de fraude eleitoral | Foto: Reprodução/X

A disputa pela Presidência do Peru continua em aberto, apesar da vantagem mantida pelo candidato de esquerda Roberto Sánchez na apuração oficial dos votos. Segundo dados publicados às 23h50 desta segunda-feira, 8, pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), com 95,163% das atas processadas, Sánchez somava 8.881.791 votos, o equivalente a 50,11% dos votos válidos. A candidata conservadora Keiko Fujimori aparece com 8.840.082 votos, ou 49,88%.

A diferença inferior a 42 mil votos representa uma margem considerada estreita diante do universo de mais de 17 milhões de votos já contabilizados. O resultado reforça o caráter extremamente acirrado da eleição e mantém a expectativa sobre os votos ainda pendentes de apuração.

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Peru sob forte polarização

A tendência observada ao longo das últimas horas confirma a recuperação de Sánchez depois da incorporação dos votos provenientes de regiões rurais e do interior do país, onde o candidato de esquerda obteve desempenho superior. Ainda assim, aliados de Keiko evitam admitir a derrota, argumentando que restam atas eleitorais e votos do exterior que podem influenciar o resultado final, conforme mostravam projeções estatísticas.

A eleição ocorre em um contexto de forte polarização política. De um lado, Sánchez promete ampliar a participação do Estado na economia e aprofundar políticas sociais. Do outro, Keiko defende uma agenda mais alinhada ao livre mercado, ao combate à criminalidade e à estabilidade econômica.

Leia também: “O patriotismo dos farsantes”, reportagem publicada na Edição 325 da Revista Oeste

Além da disputa apertada, o processo eleitoral peruano vem sendo acompanhado por denúncias e suspeitas de irregularidades apresentadas por setores da oposição e por representantes ligados à candidatura conservadora.

Entre os questionamentos estão relatos de suposta adulteração de cédulas, inconsistências em atas eleitorais e problemas na fiscalização de determinados locais de votação. As denúncias passaram a circular nas redes sociais e em veículos de imprensa locais, aumentando a pressão sobre as autoridades responsáveis pela condução do pleito. O empresário Elon Musk usou a rede social X para ironizar o processo de apuração, dizendo que “fraude em larga escala leva tempo”.

Até a conclusão deste texto, os órgãos eleitorais peruanos sustentavam que o processo transcorreu dentro da normalidade. A oposição, por sua vez, cobra máxima transparência na reta final da apuração. Parte da imprensa local noticiou a prisão de mesários que estariam fraudando células em favor da candidatura de Sánchez.

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