publicidade
Mundo

Os aspectos mais controversos do sistema jurídico do islã

'O regime dos aiatolás já chacinou pelo menos 40 mil manifestantes nas ruas. Torturas e execuções públicas ocorrem diariamente por lá'

Islã ; islamismo ; burca ; torá ;
'Nações islâmicas apresentam altos níveis de cerceamento social e governamental diante da liberdade de religião e de expressão', afirma Aldir Guedes Soriano | Foto: Reprodução/Shutterstock

Por Aldir Guedes Soriano*

A preservação da liberdade e da soberania das democracias ocidentais exige a coragem de enxergar o real, sem as lentes da complacência teocrática. No Irã, a jovem muçulmana Shirin Ebadi contribuiu ativamente para a Revolução Islâmica de 1979. Na mesma trincheira, estavam unidos propagandistas religiosos, comunistas e feministas. Michel Foucault, renomado intelectual francês, era grande entusiasta da revolução e da espiritualidade política simbolizada pelo hijab.

O xá Reza Pahlavi foi exilado, e o aiatolá Khomeini assumiu o poder baseado na Sharia. Depois de um mês, Ebadi perdeu o cargo de juíza, visto que a sua condição de mulher a desqualificava para o exercício da magistratura. Ordenaram-lhe que se cobrisse com o véu. A vestimenta, outrora símbolo da liberdade revolucionária, passou a ser instrumento de submissão feminina.

Receba nossas atualizações

Os aspectos mais gravosos e sutis da Sharia permanecem ignorados pelo público. Temores intimidatórios, sob o manto do politicamente correto, habitam o subconsciente de intelectuais, ativistas de direitos humanos, empresários, investidores, jornalistas e governantes.

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

Certa manhã, Ebadi abriu o jornal e observou, estarrecida, a publicação de leis estabelecendo a desigualdade de direitos entre homens e mulheres. Ela registrou em cartório um pacto pós-nupcial com o seu marido, garantindo a igualdade entre eles. Em seguida, passou a criticar os abusos do novo regime teocrático dos aiatolás. Depois de intensas lutas a favor dos direitos humanos, foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2003.

Em 2011, Shirin Ebadi alertou a comunidade jurídica brasileira reunida na seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, sob a presidência de Luiz Flávio Borges D’Urso, ao expor graves violações de direitos humanos em solo iraniano. Em pleno século 21, a mulher é publicamente enterrada viva e apedrejada até a morte pelo crime de adultério. Uma iraniana recebe a metade da herança do homem e o testemunho deste equivale ao de duas mulheres. Atualmente, centenas de prisioneiros políticos são torturados e executados por enforcamento. O regime dos aiatolás já chacinou pelo menos 40 mil manifestantes nas ruas. Torturas e execuções públicas ocorrem diariamente por lá.

Islã x liberdade de expressão

Nações islâmicas apresentam altos níveis de cerceamento social e governamental diante da liberdade de religião e de expressão. Conforme relatório do Pew Research Center (2021), há 15 países muçulmanos com altíssimas restrições governamentais à liberdade religiosa. A Sharia pode ser o elemento central da intolerância associada à fusão entre a mesquita e o Estado.

Conforme a pacífica cultura árabe pré-islâmica, Sharia significa “caminho para as águas”. A partir do século 7, contudo, adquiriu outro significado, compreendendo a vasta legislação islâmica baseada na infalibilidade do Corão e no exemplo do profeta Maomé (Suna e Hadiths). Assim, a vontade de Alá foi politizada e virou ideologia.

A erudita egípcia Bat Ye’or elucida o enigma da mudança de tom: a jihad levou à expansão geopolítica, pós-Medina, através da ocupação militar de novos territórios. Atualmente, o não muçulmano — kafir (ateu, cristão, judeu, Bahá’í, budista, hinduísta ou zoroastrista) — é tratado como cidadão de segunda ou terceira classe nos países de maioria muçulmana. Segundo a Sharia, o infiel é tolerado como Dhimmi desde que pague o imposto jizia, embora permaneça discriminado em todos os aspectos da vida cotidiana.

Ainda sobre a Sharia

A Sharia cuida dos aspectos amplamente divulgados em podcasts de como ser um bom muçulmano mediante orações, jejuns e abstenção de álcool e de carne de porco. Segundo Bill Warner, todavia, 51% da Sharia refere-se a não muçulmanos. Essa parte é nitidamente político-ideológica. De acordo com essa legislação, o kafir pode sofrer punições com chibatas, apedrejamentos e até com pena de morte. Chacinas em nome da Sharia ocorrem em países africanos como a Nigéria. A s famosas fatwas por blasfêmia são instrumentos de controle social, intimidatórios e aterrorizantes. Ademais, polícias e tribunais da Sharia estão migrando para países ocidentais como o Reino Unido.

Em suma, os aspectos mais gravosos e sutis da Sharia permanecem ignorados pelo público. Temores intimidatórios, sob o manto do politicamente correto, habitam o subconsciente de intelectuais, ativistas de direitos humanos, empresários, investidores, jornalistas e governantes. O autoengano talvez ofereça um conforto temporário, mas o dever de vigilância diante da liberdade e da soberania nacional impõe-se como prioridade absoluta. A preservação da liberdade e da soberania das democracias ocidentais exige a coragem de enxergar a realidade, sem as lentes da complacência teocrática.

Leia também: “Multiculturalismo mata a Grã-Bretanha”, artigo de Brendan O’Neill, da Spiked, publicado na Edição 314 da Revista Oeste


*Aldir Guedes Soriano é escritor e jurista com destacada atuação acadêmica em direitos humanos e liberdade religiosa tanto no Brasil quanto no exterior

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Mariza
    Mariza

    Simbolo do atraso social humano. A escória do fanatismo, esse grupo amigo do nosso presidente. Go ahed, Trump! Good luck!

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade