publicidade
Mundo

Ômicron e a era do pânico

O complexo mundial pró-covid declarou, imediatamente, estado de emergência urgentíssima, com fim do mundo a curto prazo

Ômicron
Foto: Reprodução/Redes sociais

(Por J.R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 1º de dezembro de 2021)

O mundo vive, definitivamente, a era do pânico. Parece, até mesmo, que as pessoas se viciaram na necessidade de receber más notícias; ficam inquietas se passam três dias seguidos sem ouvir que a covid voltou a piorar, no mundo e no Brasil, e só sossegam quando lhes é servida alguma nova cepa que, esta sim, vai detonar tudo outra vez.

Receba nossas atualizações

É o caso, agora, da tal variante sul-africana. A médica que a descobriu (e revelou o que havia descoberto, ao contrário da China, que descobriu o vírus original e chamou a polícia para esconder a sua existência) garantiu, várias vezes, que essa cepa causa muito pouca consequência; se espalha com mais rapidez, mas não leva os infectados à UTI, ou nem ao hospital. Pura perda de tempo por parte da boa doutora. O complexo mundial pró-covid declarou, imediatamente, estado de emergência urgentíssima, com fim do mundo a curto prazo.

O Japão, país que desfruta de alta reputação em matéria de governo sério, competente e eficaz, onde ninguém rouba e todo mundo trabalha direito, fechou o país para viagens ao exterior. Não quis nem saber: fechou o Japão inteiro, como um prefeito do interior do Brasil fecha a escola ou o borracheiro. Aproveitou, aliás, para fechar o espaço aéreo – nada menos do que isso, o espaço aéreo. Israel também se trancou; outros países foram na mesma onda. Por aqui, foi anunciado com grande destaque que apareceram três casos em São Paulo; parece que há mais um em Brasília etc. O Brasil já tem 22 milhões de infectados e mais de 600 mil mortos, mas o que interessa são os três da Ômicron.

A era do pânico é um trabalho conjunto de autoridades à beira de um ataque de nervos perpétuo, médicos que se viram no centro do mundo e uma mídia histérica e enrolada na bandeira da revolução mundial através da pandemia. Todos precisam do vírus como as pessoas precisam do ar. Sua vida melhora com a doença. Piora sem ela.

Querem manter os poderes excepcionais e sem controle que ganharam com a covid. Querem regular a vida em sociedade. Querem exigir vistos, emitir atestados, dar e negar licenças, impor questionários. Querem trabalhar em home office. Querem fazer “oposição” a “tudo isso que está aí”. Querem dar entrevista. Querem que os hospitais, consultórios médicos e filas de vacinação sejam o centro da vida social. Querem verba, se possível em “regime de emergência” e sem a necessidade de prestar contas. Esse vírus sul-africano, para todos eles, é uma benção do céu.

Relacionadas

Leia mais sobre:

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.