Se por um lado a Venezuela tem tomado o centro dos noticiários internacionais por causa da tensão com Donald Trump e uma possível incursão militar norte-americana, por outro o silêncio e o medo pairam sobre o seu povo.
Nos últimos dias, Oeste conversou com venezuelanos para entender como está a situação dentro do país diante da prometida intervenção dos Estados Unidos, e a resposta se repetiu “Quem comenta esses fatos faz isso com muito cuidado, para não se meter em problemas”, afirmou um jornalista de 34 anos que reside em Caracas, mas preferiu não ter sua identidade revelada.
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Apesar disso, não é o medo de uma possível luta armada que os venezuelanos estão sofrendo, mas, sim, consequências da ditadura de Nicólas Maduro, como a perseguição, repressão e decadência econômica. “O que mais causa medo aos venezuelanos atualmente não tem realmente a ver com o tema de uma invasão, mas com dois pontos fundamentais: por um lado, o problema econômico, provocado pelo aumento constante do dólar paralelo para comprar produtos, bens e serviços essenciais (isso muda dia a dia); e, por outro, o temor gerado pelos corpos repressivos do Estado venezuelano por meio de barreiras policiais e operações de detenções seletivas (Sebin, DGCIM, Polícia Nacional)”, disse.
Já Orlando Moreno, engenheiro eletrônico de 34 anos e coordenador nacional do Comitê de Direitos Humanos do partido da oposição Vente Venezuela (VV), que não quer revelar sua localização. Apesar de afirmar que está no país, Moreno vive sob clandestinidade, por causa da perseguição chavista.
Segundo ele, os venezuelanos não debatem sobre uma possível incursão dos Estados Unidos por medo de repressão. “Talvez as pessoas não expressem isso de forma efusiva por receio da repressão, mas a maioria sente uma esperança enorme de que o fim da tirania esteja próximo.”
“É isso que todos estão esperando”, enfatizou. “É o que se percebe nas ruas. Funcionários públicos, policiais, militares… Todo mundo aguarda a queda da tirania para celebrar.”
A Venezuela enfrenta uma das piores crises humanitárias da América Latina, marcada por escassez de alimentos e remédios, hiperinflação e uma migração em massa que já atingiu milhões de venezuelanos. O país também se tornou foco de tensões internacionais, especialmente com os Estados Unidos. Durante o governo de Donald Trump, sanções econômicas foram intensificadas, e Maduro foi duramente acusado de cumplicidade com o narcotráfico, enquanto os EUA pressionavam por sua saída do poder.
Entre navios de guerra norte-americanos, ameaças públicas de Trump e o isolamento internacional de Maduro, a crise venezuelana entrou em um território desconhecido
Entre navios de guerra norte-americanos, ameaças públicas de Trump e o isolamento internacional de Maduro, a crise venezuelana entrou em um território desconhecido até para um país habituado ao colapso político. Desta vez, a sensação é que o tabuleiro geopolítico se moveu de forma mais brusca, alterando alianças, expondo fragilidades e reacendendo temores de uma intervenção militar.
A instabilidade se cristalizou depois das eleições de 2024, quando o ditador se declarou vencedor diante de um cenário turvo. Observadores internacionais falaram em um processo antidemocrático, baseado em apurações jamais divulgadas. A oposição afirma ter vencido. O governo garante o oposto. O resultado, mais do que assegurar um novo mandato, redefiniu o isolamento externo do líder venezuelano.
Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste







































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