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'O momento é de ouro', diz líder do Hamas sobre resultados do 7 de outubro

Ghazi Hamad, que sobreviveu a ataque em Doha, afirmou também que mortes de civis palestinos são o preço da guerra contra Israel

Ghazi Hamad líder Hamas entrevista CNN
Ghazi Hamad disse que Israel nega acordo com o Hamas | Foto: Reprodução/YouTube CNN

Ghazi Hamad, dirigente do grupo terrorista Hamas, só não saiu de um túnel porque vive em hotel de luxo no Catar. Mesmo assim, representou sua organização ao dar uma entrevista à CNN em que, mesmo de longe, afirmou que os civis palestinos mortos na guerra em Gaza fazem parte do que considera um plano maior.

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Ele enalteceu a ação do Hamas em 7 de outubro, quando o grupo assassinou mais de 1,2 mil pessoas e sequestrou 251 em Israel. Também mostrou frieza quando questionado se os ataques valeram as milhares de vidas perdidas em Gaza. Ele se recusou a aceitar qualquer responsabilidade. “Sei que o preço é tão alto, mas eu pergunto de novo, qual é a opção?”

Hamad sobreviveu ao ataque aéreo de Israel a líderes do grupo em Doha, em 9 de setembro. O fato de ele ter concedido a entrevista pode ser um indício de que os terroristas estão abalados e acuados com a ofensiva israelense, apesar do reconhecimento de alguns países ao Estado palestino. Ele tentou atrelar a brutalidade de 7 de outubro a uma mensagem política.

Para tanto, utilizou-se de uma pretensa imagem de negociador e estadista quando se referiu a meios políticos, no caso a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Você sabe qual é o benefício do 7 de outubro agora? (…) Se você olhou para a Assembleia-Geral [das Nações Unidas] ontem, quando cerca de 194 pessoas abriram os olhos e olharam para a atrocidade, para a brutalidade de Israel e todos eles, eles condenaram Israel. Esperamos por este momento por 77 anos.”

Hamad ainda completou. “Acho que este é um momento de ouro para o mundo mudar a história.”

Ele foi confrontado pelo repórter a respeito da revolta da própria população de Gaza contra o Hamas.

“Nossa mensagem ao Hamas é: parem de jogar e se aventurar conosco”, gritava um manifestantes, nas imagens. Tentando se mostrar agoniado, Hamad repelia o iPad que as mostrava. “Vocês estão desconectados da realidade. Especialmente porque a liderança do Hamas está fora de Gaza. Algumas pessoas dizem que vocês mataram com a carne dos nossos filhos, enquanto estavam em hotéis”.””, dizia o manifestante.

Ao ver essas imagens de pessoas que clamam para que o grupo saia do poder, ele ressaltou:

“Eu sei, eu tenho, eu vi”, disse. “Sei que as pessoas estão sofrendo.”

Ele não falou a respeito do palestino de 22 anos que, em abril, foi torturado e morto por membros do Hamas. O motivo alegado foram críticas públicas ao grupo e participação em raros protestos anti‑Hamas em Gaza, segundo sua família.

O entrevistador ainda perguntou qual o direito que o Hamas tem em definir se uma criança ou mulher vai morrer ou não, mantendo essa guerra. Hamad, então, deixou claro que concorda com a frase do braço armado do grupo, as Brigadas Al‑Qassam. E que são utilizados escudos humanos em locais como escolas e hospitais.

“Não nos preocuparemos com suas vidas enquanto [o primeiro‑ministro israelense] Netanyahu decidir matá‑los.”

Líder do Hamas culpa EUA

As palavras de Hamad se mostravam desconectadas com o fato de o Hamas ainda manter cerca de 50 reféns de Israel em cativeiro. Assim como não condiziam com imagens atrozes de reféns esquálidos, por causa da fome, conforme imagem divulgada pelo próprio grupo com o objetivo de promover o terror psicológico.

Ele negou que o Hamas esteja usando os reféns remanescentes como escudos humanos. Garantiu que todos são tratados “segundo princípios islâmicos”.

Além das imagens de reféns em cativeiro, alguns dos libertados surgiram famintos e cadavéricos. Outros alegaram abuso sexual durante o cativeiro, alegações que as Nações Unidas também destacaram.

“Não há prova alguma para provar que usamos essas coisas contra as pessoas”, se limitou a dizer o líder terrorista. “Nossas premissas são as do Islã.”

Leia mais: “Netanyahu diz que Israel não desistirá até ‘vitória completa’ em Gaza”

Indagado, no entanto, se o Hamas atenderia a pedidos para conceder ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha acesso aos reféns, Hamad se esquivou. Definiu a situação como “complicada”.

Hamad deu a entrevista sentado em um salão bem iluminado com poltronas alinhadas na parede em volta de um pôster de Jerusalém, segundo a CNN. Ao fundo, havia uma fotografia emoldurada de Ismail Haniyeh, líder do Hamas morto em Teerã no ano passado. Hamad disse que os EUA têm tanta culpa quanto Israel pelo ataque de 9 de setembro ao Catar, que mirou a liderança do Hamas.

No momento do bombardeio, ele estava longe de líderes do grupo alvejados. Considera sua sobrevivência “um milagre”.

O ataque israelense ocorreu enquanto oficiais do Hamas revisavam uma proposta de cessar‑fogo dos EUA. O ataque fez as negociações cessarem subitamente, disse Hamad. O líder terrorista, na entrevista, tentou descaracterizar a imagem de radicalismo do grupo e atribuiu a Israel a culpa por não haver um cessar-fogo e a libertação dos reféns.

Ele disse que as negociações estão “congeladas”. E responsabilizou também os EUA, sugerindo que o país não os convenceu de que atua com imparcialidade.
“Esse é o problema com os norte-americanos, eles não conseguem provar que são mediadores honestos e neutros.”

As condições de Israel para encerrar a guerra são claras: devolver os reféns, vivos e mortos, e destruir o Hamas em troca de um cessar‑fogo que daria início às negociações.

A maior parte da comunidade internacional, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre Israel para parar os combates, também exige que o Hamas deve se desarmar imediatamente.

“A ala armada do Hamas é uma arma legítima e legal que é usada o tempo todo contra uma ocupação”, disse Hamad. Ele, porém, admitiu a possibilidade de o grupo não assumir o poder em um eventual Estado palestino. Sem, no entanto, deixar de exercer sua influência.

“Mas você não poderia excluir o Hamas das questões palestinas… porque o Hamas está desempenhando um papel positivo”, disse. “Nós nunca nos renderemos. Nós nunca nos renderemos”, completou, sem perceber que a própria entrevista pode ser um sinal de rendição. Em hotel de luxo, é verdade.

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4 comentários
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    Bom o Trump lançar outro Operação Martelo da Meia-Noite e fazer um B-2 lançar uma ogiva no toba do hamad.

  2. Rodrigo M V Almeida
    Rodrigo M V Almeida

    Que esse terrorista seja o próximo a ser morto pelas forças de Israel.

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