Nesta segunda parte, continuaremos a abordar o frio extremo do inverno do Hemisfério Norte, tendo em vista que o Ártico resolveu expulsar diversos anticiclones polares móveis (APM) ao mesmo tempo, para todos os lados. Certamente não veremos a turma alarmista chamando esse período como a “friagem do século”, o que seria no mínimo, honesto, tendo em vista que já passamos por um quarto do século 21. Ao contrário, ainda tiveram a “coragem” de dizer que esse frio foi causado pelo “aquecimento global”. Era melhor terem ficado escondidos atrás do armário, saindo apenas quando as temperaturas se elevassem ou quando, em algum lugar, o fogo florestal estivesse atiçado.
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No mesmo período em que a Ásia e a Europa foram tomadas por frio extremo, nos EUA, o final de semana de 23 a 25 de janeiro de 2026 também ficou marcado. Um imenso sistema frontal provocado por uma intensa massa polar ártica tomou toda a América do Norte de forma avassaladora, derivando de Noroeste para Sudeste, sobre o continente, rumando depois para o sentido Nordeste, sobre o oceano Atlântico Norte. O mais interessante foi a sucessão de quadros meteorológicos observados. Os sistemas ocorreram em forma de cascata porque boa parte do país entre as médias e altas latitudes já estava sob a influência de outra massa fria pretérita, ou seja, foi uma situação de frio sobre outra que ainda não havia amainado.
A escola da climatologia geográfica tradicional, baseada na escola francesa, identifica uma massa de ar fria mais antiga como “polar velha”, pois se admite que, com o passar dos dias, ela perca suas características principais, especialmente pela incidência de radiação solar, modificando-se, até por fim, aglutinar-se aos grandes sistemas atmosféricos de alta pressão em superfície, semiestacionados nas latitudes entre 20º e 30º em ambos os hemisférios. Nesse caso, nem sequer isso foi possível dada a intensidade do frio.
O frio severo que atingiu a América do Norte é análogo à intensa interferência ártica sobre a Europa e Ásia, relatada no artigo anterior. Esse rápido avanço do ar frio em diversas frentes era esperado quando se observou que a pressão atmosférica em vários substratos da troposfera (a primeira camada de baixo para cima) estava ligeiramente mais baixa que os valores normais para cada um desses substratos em altitude, quando comparados com os valores climatológicos de 1970‑2000, a referência para os cálculos.
O índice da oscilação artica (AO) vinha reduzindo-se desde o meio do mês de dezembro de 2025, até apresentar um acentuado valor negativo de –5,0 em 27/01/2026 (veja figura). Isso indicava que o corredor de ventos ao redor do Ártico, conhecido como vórtice circumpolar, estava a se enfraquecer, pois o ar frio começou a avançar para latitudes mais baixas em superfície, contraindo toda a coluna de ar acima da superfície.

Embora receba o nome de “vórtice”, ele de fato não é bem isto, mas sim, um corredor planetário de ventos ao redor de cada polo. As causas do seu enfraquecimento ainda são pouco conhecidas, mas geralmente, como o fenômeno é mais forte em altitude, podendo atingir até o topo da troposfera, a redução de velocidade dos ventos em todos esses substratos pode ser verificada por um súbito aquecimento na estratosfera, a camada que está acima da troposfera e da tropopausa. Isso ocorre por um movimento descendente do ar que causa um aquecimento por compressão adiabática, refletindo nos substratos inferiores. Note que esse aquecimento adiabático súbito não tem nada a ver com “aquecimento global”, como gostam de acusar os alarmistas, mas sim pela contração de toda a coluna de ar ao redor do vórtice.
Essa questão de causa e consequência ainda é pouco explicada e divide os cientistas entre as hipóteses. Uns acham que é a influência do ar em altitude que gera o enfraquecimento, permitindo que o ar frio avance para as latitudes mais baixas. Outros, onde me incluo, entendem que a severidade do frio aumenta a densidade do ar, permitindo que ele geralmente “escape” da cortina de ventos do vórtice por baixo, mais próximo da superfície, resfriando então a coluna que, ao contrair, desabaria a barreira de ventos. Com a contração da coluna, teríamos o súbito aquecimento adiabático em altitude, refletindo até na estratosfera, tendo em vista que nestas latitudes, sua altitude é bem mais baixa. É o risco d’água no dique de areia. Depois que começa a vazar, só aumenta e ninguém segura.
As anomalias da pressão atmosférica dentro da coluna de ar (geopotencial) de 120 dias, percorridos de 05/10/2025 a 01/02/2026, para as latitudes polares de 65º a 90ºN, mostravam que havia grande probabilidade de o inverno do Hemisfério Norte ser mais intenso, excetuando o período de 1º a 15 de novembro de 2025. Notou-se claramente que a partir de 15/12/2025 os valores foram se tornando positivos, ao mesmo tempo em que o núcleo dessa anomalia “afundava” na coluna de ar. O extremo começou a ocorrer um pouco antes de 15/01/2026, sendo o prenúncio de que o ar frio do Ártico tomaria vastas áreas do Hemisfério Norte, pois o “vórtice” se enfraqueceria em demasia, afinal, quanto mais positiva for essa anomalia, mais fraco serão os ventos do “vórtice”.

Vale lembrar que o mesmo vórtice circumpolar ártico foi usado como “prova” de “resfriamento global” nos anos de 1970 a 1980 quando as temperaturas caíram vertiginosamente, como nesse evento de janeiro de 2026. Assim, como poderia o mesmo fenômeno há mais de 40 anos, agindo da mesma forma, ser prova de “aquecimento global”, como noticiou o jornal The New York Times? Isto não tem nenhum sentido! Um mesmo fenômeno apresentar-se-ia altamente divergente nos resultados? Além de ele ocorrer em altitude, esse aquecimento enfraquece os ventos pela diluição do campo de pressão em uma vasta área troposférica, contrariando a própria hipótese “climática”, afinal, são intensos gradientes que reforçam fenômenos e não o contrário, como já exemplificamos várias vezes aqui.
Voltando ao caso, a parte mais intensa do quadro meteorológico que assolou a América do Norte começou a se formar na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, quando se estabelecia um centro de baixa pressão atmosférica em superfície sobre a região a leste da Califórnia. Ao mesmo tempo, a circulação do ar forçou um escoamento vindo da Costa Leste dos EUA, trazendo mais umidade proveniente do Oceano Atlântico contra a massa fria que avançava. Em 24 de janeiro, houve a intensificação máxima. Como resultado, uma carga significativa de fenômenos meteorológicos típicos de regiões polares tomou conta de quase dois terços do país de uma vez. Chuva congelada, água-neve, neve, blizzards (nevascas severas com ventos fortes acima de 30 nós, 56km/h-1, com duração mínima de 3 horas), whiteouts (quando a visibilidade é zero em todas as direções, perdendo-se qualquer referência, a chamada de “escuridão branca”), entre outros.
As imagens do satélite geoestacionário GOES-19 registraram todo o avanço do sistema meteorológico e a vasta cobertura de nuvens formada no sentido Sudoeste-Nordeste, partindo desde o Texas, nos EUA, até a Groenlândia, quase-EUA. Separamos algumas imagens do GOES‑19 dos canais visível (composição colorida, Figs.3A a D), infravermelho (canal 11, Figs.4A a H) e gelo/neve (canal 5, Figs.5A a D). É possível avaliar a extensão deste sistema frontal que atingiu a América do Norte e sua espessa cobertura de nuvens. Como estamos no inverno no hemisfério Norte, há um limite inferior de horas de brilho solar dentro das 24h do dia. Assim sendo, os canais visível e gelo/neve (que necessita de parte do visível) só possuem imagens úteis para o setor em questão entre 14h00Z às 23h00Z (11h00 às 20h00 de Brasília ou P).



O número de pessoas atingidas foi estimado inicialmente em 130 milhões, mas os relatórios preliminares pós-evento registraram 240 milhões de estadunidenses apanhados pelas intensas nevascas. A precipitação total oscilou entre cinco centímetros a pouco mais de meio metro, como foi o caso da faixa do Texas até o Maine, subindo em forma de arco até Nova York.
A Flórida registrou baixas temperaturas por todo o período de 22 a 27 de janeiro, mas a precipitação de neve observada ocorreu por causa do sistema frontal anterior, em 18 de janeiro. Historicamente, houve um registro de neve em Miami, em 1977. Depois, apenas em dezembro de 1989, na região central do estado e recentemente, em janeiro de 2025 na região de Pensacola, com cerca de 23,0cm de neve acumulada.
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Com um prognóstico assustador de frio como esses, houve corrida aos supermercados na quinta-feira, 22 de janeiro, para abastecimento dos estoques familiares, tendo em vista que as condições externas e a dificuldade de tráfego poderiam prejudicar o sustento das pessoas, especialmente quando sistemas de energização e abastecimento de combustíveis podem colapsar como aconteceram nos últimos anos, sob a administração de Joe Biden. Essa corrida não foi à toa, pois muitos condados ficaram sem energia e tiveram que utilizar meios alternativos como gás em bujões para aquecer água e comida, algo primordial quando temperaturas chegam a –42ºC, como foi o caso de Minnesota, no Centro-Oeste dos EUA.
Em sua rede social Thuth, o Presidente Trump declarou: “Eu aprovei as Declarações de Emergência para as Tempestades Históricas de inverno dirigidas ao Grande Estado da Carolina do Sul e à Comunidade da Virgínia. Com a ajuda da FEMA e de nossos parceiros de Estado, manteremos todos seguros e garantiremos que ambos os Estados tenham o apoio de que precisam. Continuaremos monitorando, e mantendo contato com todos os Estados no caminho dessa tempestade. Fiquem seguros e aqueçam-se!”.

Até 27 de janeiro, os estragos ainda eram contabilizados. Quase todos os estados entraram em situação de alerta, com 21 deles passando para estado de emergência. Nova York, cidade tradicionalmente acometida por nevascas durante o inverno, foi duramente atingida por blizzard que praticamente parou a metrópole. Durante apenas um final de semana, de 24 a 25 (sábado e domingo), foram relatados no país mais de 950 mil casos de falta de energia, 32.200 voos cancelados e duas mortes por hipotermia por exposição direta. A contagem de mortes por outros motivos combinados com o frio pode chegar a mais de 150.
Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), a nevasca alcançou, no máximo, a categoria 3, no Índice Regional de Neve (RSI, Regional Snow Index), uma escala desenvolvida por volta do ano de 1900 para medir o “impacto social” das tempestades com neve. O índice pode variar de 0 a 5 e é atribuído regionalmente, ou seja, por sub-regiões dos EUA. O sistema de 22 a 27 de janeiro atingiu CAT-3 no vale de Ohio e no Sul, CAT-2 no Nordeste, CAT-1 no Sudeste e CAT-0 no alto Centro-Oeste, Montanhas Rochosas e planícies do Norte. Embora a NOAA tenha relatado que a nevasca não foi “excepcional”, ressalta-se que o índice não avalia a extensão, mas apenas o valor máximo alcançado, o que mascara o cômputo geral, se a avaliação for medida apenas por essa régua, além do próprio índice apresentar componentes bastante variáveis.
Todos sabem o quanto não faço de casos isolados exemplos para defender hipóteses. Muito pelo contrário. Ao mesmo tempo em que ondas de calor não são prova de nada, as ondas de frio também não o são. O que questiono sempre é o discurso molenga de dizerem, a todo final de ano, que aquele foi o mais quente de toda a história. Só se for da história da carochinha. A Agência Espacial Europeia (ESA) e o programa Copernicus, aquele pessoalzinho simpático, ativista ambiental-climático — que tem pôster do Al Gore no banheiro, bonequinho da Greta em cima da mesa e come sanduíche de alfafa com salsicha de soja e gafanhotos tostados — já veio com essa conversa furada novamente, referindo-se ao ano de 2025.
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Para quem acompanhou, alertamos antecipadamente que iriam repetir a velha história de sempre. Mesmo com vários quadros meteorológicos frios, com tantas ocorrências de temperaturas baixas que assolaram o mundo inteiro, especialmente o Hemisfério Norte, eles ainda conseguem, de alguma forma mirabolante, produzir elevação de temperaturas. Quando repetem o enfadonho discurso fraudulento de “aquecimento nunca antes visto” só podem estar brincando. Não tem como períodos curtos de ondas de calor superarem longos períodos de frio, padrão esse escancaradamente observado.
A matemática deles não fecha e já demonstramos o quanto essas instituições dependem desse discurso para se manterem funcionando e muito bem financiadas. Uma das provas foi o alinhamento sistêmico de pronunciamentos e relatórios das diversas agências pelo mundo em 2024, embora seus valores numéricos fossem todos diferentes. Ao que parece, a metodologia só está no discurso: “aquecer sempre”, pois os valores, erros de medição, erros estatísticos e resíduos de medição passaram todos a serem considerados como tendências! Assim, já vamos adiantando o expediente novamente. Guardem bem os eventos que estão a testemunhar agora e esperem que no início de 2027, a mesma ladainha será rezada pela igreja ambientalista das “mudanças climáticas”. Vão continuar a eleger esses anos como os “mais quentes da história”, mesmo congelados da cabeça aos pés!






































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