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Nobel premia cientistas que investigam doenças autoimunes

Fred Ramsdell, Mary E. Brunkow e Shimon Sakaguchi descobriram 'como o sistema imunológico é mantido sob controle'

nobel-medicina-Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach
O Nobel da Medicina deste ano foi para Mary E. Brunkow, Frederick J. Ramsdell e Shimon Sakaguchi | Foto: Niklas Elmehed/Nobel Prize Outreach

Pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão foram reconhecidos nesta segunda-feira, 6, com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2025. O reconhecimento se dá em razão de avanços fundamentais na compreensão de “como o sistema imunológico é mantido sob controle”, segundo a academia sueca.

Mary Brunkow, de 63 anos, Fred Ramsdell, de 64 anos, e Shimon Sakaguchi, de 74 anos, compartilharam o prêmio por investigarem um mecanismo conhecido como “tolerância imunológica periférica”. Essa característica é o que permite que o sistema imune diferencie ameaças externas das próprias células do corpo humano.

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Esse entendimento é crucial para prevenir doenças autoimunes, como diabetes tipo 1 e esclerose múltipla, já que impede que células de defesa destruam tecidos saudáveis. A “tolerância central”, realizada no timo (uma glândula localizada no tórax), elimina células potencialmente perigosas. Contudo, isso nem sempre é suficiente, tornando a “tolerância periférica” um complemento indispensável para a proteção do organismo.

Descobertas fundamentais sobre regulação imunológica

Em 1995, Sakaguchi, da Universidade de Osaka, descobriu um novo tipo de célula imunológica envolvida nesse mecanismo de defesa. Anos depois, em 2001, Brunkow e Ramsdell identificaram em camundongos um defeito no gene Foxp3, ligado ao surgimento de doenças autoimunes. Sakaguchi então demonstrou que esse gene é vital para o desenvolvimento das chamadas células T regulatórias, encarregadas de evitar ataques equivocados do sistema imune.

Essas descobertas têm impacto no tratamento de doenças autoimunes e contribuem para o sucesso de transplantes de órgãos, já que facilitam o controle das reações do sistema imune. Também oferecem perspectivas no combate ao câncer, pois ajudam a explicar por que é difícil para as defesas do corpo reconhecerem tumores, que se originam das próprias células.

Premiação, trajetórias e histórico do Nobel

A cerimônia de entrega do Nobel está marcada para 10 de dezembro, em Estocolmo, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel. Cada premiado receberá diploma, medalha de ouro e 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,3 milhões. No caso de Brunkow, Ramsdell e Sakaguchi, o valor será divido igualmente.

Com a premiação deste ano, o Nobel em Fisiologia ou Medicina já foi entregue 116 vezes desde 1901, sendo que apenas nove não tiveram vencedores, e ninguém recebeu o reconhecimento mais de uma vez.

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