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Sanções dos EUA não atingem todos os destinos de médicos cubanos

Washington acusa programa de Havana de exploração de ‘mão de obra forçada’

Presidente Lula em anúncio do programa Mais Médicos pelo Brasil | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Desde 1959, Havana enviou mais de 600 mil profissionais de saúde ao exterior | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Cuba mantém cerca de 24 mil profissionais de saúde espalhados por 56 países, segundo dados oficiais de abril de 2025. A iniciativa, que se tornou uma das principais fontes de divisas do regime, enfrenta pressões crescentes de governos estrangeiros — em especial dos Estados Unidos.

Em agosto, a administração de Donald Trump ampliou sanções contra autoridades da ilha e classificou a exportação de médicos como exploração de “mão de obra forçada”. O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou restrições a funcionários de governos parceiros, incluindo dois brasileiros ligados ao Programa Mais Médicos.

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A decisão dos EUA atingiu familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que tiveram vistos cancelados. O Itamaraty solicitou à embaixada norte-americana a revisão do caso para garantir a participação do ministro em reuniões da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e das Nações Unidas, previstas para setembro.

O governo norte-americano sustenta que a exportação de profissionais enriquece o regime cubano e priva cidadãos locais de cuidados essenciais.

Apesar das medidas, nem todos os países que recebem médicos cubanos sofreram sanções. Aliados estratégicos de Washington, como a Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni, mantêm acordos com Havana sem restrições impostas pelos EUA.

A Casa Branca também ressalta que Cuba pode enviar suprimentos a Gaza ou a outros locais por canais oficiais, como o porto israelense de Ashdod. No entanto, acusa Havana de promover encenações midiáticas para projetar influência.

Regime encerra convênio depois de exigência de revalidação de diplomas

De 2013 a 2018, o Brasil manteve convênio com a Opas para trazer profissionais da ilha ao Mais Médicos. O país transferia recursos à organização, que repassava apenas parte aos médicos. Em 2017, cada profissional recebia cerca de US$ 927 mensais, muito abaixo dos US$ 3,6 mil pagos por Brasília a Cuba.

Depois da eleição de Jair Bolsonaro, o Cuba suspendeu a parceria ao considerar inaceitáveis as exigências para que os médicos revalidassem diplomas no Brasil. Hoje, cerca de 2,7 mil cubanos atuam no país, contratados por meio de edital próprio do Ministério da Saúde.

Exportação de médicos cubanos para outros países

Desde 1959, Havana enviou mais de 600 mil profissionais de saúde ao exterior. A Brigada Henry Reeve, criada depois do Furacão Katrina, tornou-se referência em missões de emergência. Durante a Covid-19, médicos cubanos trabalharam em países como Itália, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Segundo o regime da ilha, 70% da renda obtida com esses contratos financia saúde e educação em Cuba. Críticos, no entanto, classificam a operação como exploração disfarçada de ajuda humanitária.

+ Leia também: “EXCLUSIVO: cubanos do Mais Médicos relatam opressão, confisco de salários e medo de retaliação”

A região da Calábria, no sul da Itália, firmou em 2022 um acordo com a Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos. Mais de 300 profissionais atuam hoje em hospitais locais, cobrindo especialidades em falta, como cirurgia vascular e ginecologia.

O contrato prevê salário de € 3,5 mil, com adicional de € 1,2 mil para alimentação e moradia. O valor, diferentemente de outros países, não é retido pelo regime cubano. Em 2024, a parceria foi prorrogada até 2027.

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2 comentários
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Ali nos “mais médicos ” vieram o fundo da raspa ,sem falar o idioma e , pior, nem sabiam solicitar exames ,entre outras barbaridades

  2. Christian
    Christian

    Os governos petistas só conseguem firmar contratos deficitários para o país.
    MMeloni pelo menos, sabe trabalhar e é de direita.

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