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Crise financeira ameaça fechamento do Museu da Terra nos EUA

O local leva os visitantes por eras extintas, desde os primeiros seres complexos até a megafauna da Era do Gelo

Museu da Terra em Ithaca, Nova York | Foto: Reprodução/The New York Times

A crise financeira ameaça o futuro do Museu da Terra, em Ithaca, Nova York, colocando em risco uma das maiores coleções de fósseis da América do Norte, com mais de 7 milhões de exemplares. A Instituição de Pesquisa Paleontológica (PRI), responsável pelo museu desde 2003, encara dívidas que podem forçar o fechamento do espaço e a dispersão do acervo para novos donos, informou o The New York Times.

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O museu leva os visitantes por eras extintas, desde os primeiros seres complexos até a megafauna da Era do Gelo. Durante décadas, a PRI contou com o apoio de um doador anônimo que garantiu US$ 20 milhões e prometeu mais US$ 30 milhões, porém, em 2022, as contribuições cessaram por causa de problemas financeiros do benfeitor.

Redução de orçamento do museu e mobilização emergencial

Com a suspensão dos repasses, a instituição reduziu o orçamento e o número de funcionários pela metade em 2024. O diretor Warren Allmon, também professor da Universidade de Cornell, revelou a gravidade da situação ao público, o que resultou em uma onda de doações, incluindo uma contribuição de US$ 1 milhão de um ex-aluno anônimo da Cornell.

“Isso mudou toda a nossa perspectiva sobre o que era possível”, disse Allmon. “Estávamos literalmente encarando o fechamento de toda a instituição em janeiro de 2025 se isso não tivesse acontecido”. Apesar da mobilização, ainda faltam US$ 400 mil para atingir a meta de US$ 4 milhões necessários para evitar a perda do prédio e manter as atividades até o fim de 2025.

As dificuldades do Museu da Terra refletem o cenário instável de várias instituições culturais e científicas nos Estados Unidos. “Os museus estão sendo forçados a cancelar programas e adiar reparos críticos”, destacou Natanya Khashan, porta-voz da Aliança Norte-Americana de Museus. Ela destacou que, apesar disso, seguem atendendo às comunidades e preservando o patrimônio cultural.

Legado e papel histórico da PRI

A PRI foi fundada em 1932 pelo paleontólogo Gilbert Harris, depois de divergências com a Universidade de Cornell. Além da coleção, Harris transferiu para a instituição a responsabilidade pela publicação dos Boletins de Paleontologia Norte-Americana, a revista científica mais antiga da área no Ocidente, e incentivou a entrada de mulheres na paleontologia.

Katherine Palmer, aluna de Harris, assumiu a direção em 1952 e transferiu a sede do museu para um antigo orfanato em Ithaca, onde permanece. Ela foi a primeira mulher a receber a medalha da Sociedade Paleontológica, recebendo o público e pesquisadores por décadas no novo espaço.

“Esta foi uma das primeiras instituições a realmente acreditar na importância de diversificar a paleontologia”, explicou Rowan Lockwood, presidente da Sociedade Paleontológica. “A ideia de perder essa história e perder essas coleções incríveis é terrível.”

Fechamento do museu pode causar dispersão do acervo e riscos à pesquisa

Em 1992, Allmon assumiu a direção e ampliou o acervo, incluindo fósseis raros da Antártida, além de reforçar parcerias com Cornell. Agora, a equipe já prepara planos de emergência caso a coleção precise ser redistribuída, o que afetaria o acesso de pesquisadores ao material por anos.

Gregory Dietl, curador da Coleção de Invertebrados do Cenozoico, alertou sobre as consequências da dispersão: “Parte desse material não estará disponível, provavelmente, para a comunidade científica por anos”, avaliou.

Lockwood lembrou que muitos fósseis vieram de sítios hoje inacessíveis por causa do desenvolvimento urbano. “O que eles acumularam é uma coleção que você nunca poderia coletar hoje”, afirmou.

Impacto comunitário e perspectivas futuras

O Museu da Terra, inaugurado sob a gestão de Allmon, possui 1,6 mil metros quadrados e exibe peças como o esqueleto quase completo do mastodonte de Hyde Park e os ossos de uma baleia-franca do Atlântico Norte. O espaço recebe anualmente cerca de 30 mil visitantes e promove atividades educativas e de divulgação científica em parceria com a comunidade local, incluindo a Nação Seneca.

No momento, a PRI está na reta final da campanha de arrecadação. Caso atinja o objetivo, poderá funcionar até 2026. No entanto, a equipe reconhece que o setor enfrenta mais desafios, como cortes federais de recursos.

Leia também: “A anistia inevitável”, artigo de Augusto Nunes e Branca Nunes publicado na Edição 255 da Revista Oeste

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