O universo das tirinhas perdeu um de seus nomes mais icônicos com a morte de Scott Adams, criador de Dilbert, aos 68 anos. A ex-mulher de Adams, Shelly Adams, confirmou que ele estava sob cuidados paliativos depois de anunciar, em maio, o diagnóstico de um câncer de próstata agressivo, afirmando que teria poucos meses de vida.
Em novembro de 2025, Adams escreveu na rede X que sua saúde estava “piorando rapidamente” e criticou a demora do plano de saúde em liberar um medicamento já aprovado.
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Ele pediu apoio ao presidente dos EUA, Donald Trump, que respondeu em sua própria plataforma, Truth Social: “Já estou cuidando disso”.
Durante mais de três décadas, Scott Adams satirizou a vida nos escritórios do setor de tecnologia, com personagens marcantes como o engenheiro Dilbert, seu animal de estimação Dogbert e colegas como Alice, Asok e Wally.
O chefe de cabelo pontudo e Catbert, chefe de RH, também eram figuras centrais nesses enredos.
O impacto de Dilbert e a sátira ao mundo corporativo
No auge da popularidade, cerca de 2 mil jornais publicavam a tirinha, que alcançou um patamar semelhante ao de “Peanuts” e “Garfield”.
Adams também lançou coletâneas e livros, como The Dilbert Principle, em que afirma que “os trabalhadores mais ineficazes são sistematicamente promovidos para o lugar onde podem causar menos danos: a gerência”.
O sucesso de Dilbert gerou produtos derivados, como uma série animada, brinquedos, jogos eletrônicos e até o Dilberito, um burrito vegetariano que teve vendas modestas.
O personagem protagonizou uma campanha publicitária de US$ 30 milhões para a Office Depot em 1997.
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Segundo Alan Gardner, editor do site The Daily Cartoonist, Adams inovou ao criar uma tirinha de escritório com personagens que o público reconhecia.
Ele destacou Alice, definida como uma mulher inteligente que raramente recebia reconhecimento, como exemplo dessa identificação.
O próprio Adams via Dilbert como uma forma de dar voz a trabalhadores isolados. Em entrevista ao jornal The New York Times, em 1995, declarou: “Ouvi todas essas pessoas que achavam que eram as únicas, que viviam uma situação única e absurda, e que não podiam falar sobre isso porque ninguém acreditaria nelas.”
Trajetória pessoal de Scott Adams
Natural de Windham, Nova York, Scott Adams nasceu em 8 de junho de 1957. Era filho de Paul, funcionário dos correios, e Virginia Adams, corretora de imóveis e operária.
Desde pequeno, destacava-se pelo humor e revelou, em entrevista ao jornal San Francisco Chronicle, em 1998, que herdou o olhar cínico do pai, descrito como uma pessoa reservada.
O sonho de ser cartunista surgiu aos cinco anos, mas, ao compreender estatísticas, preferiu focar em administração.
Ele se formou em economia no Hartwick College em 1979 e, naquele mesmo ano, iniciou trabalho no Crocker National Bank, em San Francisco, onde enfrentou dificuldades por causa da dislexia e sofreu dois assaltos.
Depois de sugerir melhorias à gestão do banco, a direção o promoveu e, em 1986, ele concluiu o MBA na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
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Dilbert nasceu nesses anos, quando Adams desenhava caricaturas de colegas durante reuniões e as enviava por fax.
Segundo Adams, o visual do personagem foi inspirado em um colega com o “corpo em forma de batata”.
Ele disse à revista Publishers Weekly, em 2008, que a inabilidade social de Dilbert refletia sua própria personalidade, enquanto as habilidades técnicas vinham de engenheiros que conheceu.
Em 1986, Adams foi para a Pacific Bell e, dois anos depois, enviou amostras da tirinha a sindicatos de cartunistas.
A United Feature Syndicate passou a distribuí-la em 1989 para 35 jornais. Ele permaneceu na Pacific Bell até 1995, quando passou a viver exclusivamente de Dilbert.
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