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Maria Corina Machado denuncia ameaças de execução extrajudicial na Venezuela

Opositora venezuelana anunciou também que retornará em breve ao seu país

Maria Corina Machado denúncias ameaças execução extrajudicial
Maria Corina Machado pediu intervenção de entidades de direitos humanos | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, denunciou, nesta quarta-feira, 24, a ocorrência de “ameaças diretas” e “sistemáticas” de “execução extrajudicial” contra presos políticos detidos na prisão de El Rodeo, em Miranda, próximo a Caracas.

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Em sua conta no X, Maria Corina atribuiu as intimidações a “funcionários de órgãos repressivos do regime e constituem crimes de lesa-humanidade, violações graves ao direito internacional humanitário e um risco iminente para a vida de pessoas que hoje se encontram em condição de reféns do Estado”.

A venezuelana é vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Nos últimos meses, a tensão em território venezuelano aumentou. Tem ocorrido intenso reforço militar de tropoas norte-americano promovido pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no Caribe e no Pacífico Oriental.

Operações contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico intensificaram a percepção do governo do ditador Nicolás Maduro de uma ameaça externa, considerada por Caracas como tentativa de mudança de regime.

A Casa Branca, por sua vez, considera que Maduro financia e lidera quadrilhas do tráfico. O regime bolivariano tem mobilizado forças de segurança e organiza sua base política, enquanto aperta ainda mais o controle sobre a oposição, já reprimida desde o início do governo.

Neste cenário, Maria Corina pediu intervenção imediata na Venezuela de organismos internacionais de direitos humanos, incluindo mecanismos de proteção e monitoramento, para prevenir execuções extrajudiciais.

Ela exortou também os “governos democráticos e aliados” a adotarem medidas diplomáticas urgentes, monitoramento internacional e advertências formais capazes de dissuadir o regime de concretizar tais ameaças.

“Solicitamos proteção imediata para os presos políticos, acesso a observadores independentes e garantias efetivas de vida e integridade pessoal. Há vidas em risco hoje”, alertou.

Relatos recentes da ONG Observatório Venezolano de Prisiones (OVP), informou o El País, indicam que detentos de El Rodeo I têm sido ameaçados de serem usados como “escudos humanos” em caso de eventual intervenção norte-americana.

Para a entidade, “o uso sistemático do medo e da intimidação como mecanismos de controle aumenta o risco real à integridade física e mental das pessoas privadas de liberdade”.

Maria Corina Machado anuncia retorno à Venezuela

A opositora anunciou ainda que retornará em breve à Venezuela para dar início à fase final da luta democrática. Em sua mensagem de Natal, ela avaliou os avanços de 2025 e explicou que sua saída temporária do país ocorreu para representar os venezuelanos em Oslo, onde recebeu o Nobel. A dirigente classificou a premiação como “o mais alto reconhecimento da humanidade à luta exemplar do povo venezuelano”.

Leia mais: “Ditadura da Venezuela condena nova apreensão de petroleiro pelos EUA”

Maria Corina, que passou mais de 16 meses na clandestinidade dentro do país, explicou que sua presença no exterior é estratégica e temporária. “Cada dia me pergunto onde sou mais útil a nossa causa”, afirmou, destacando que o reconhecimento internacional reforça que a democracia venezuelana não está sozinha e que a comunidade global acompanha o esforço de milhões de cidadãos que, apesar da perseguição, mantêm viva a esperança de um processo pacífico de mudança.

Durante seu discurso, a líder oposicionista dedicou atenção especial às vítimas da crise: presos políticos, pessoas afetadas pela fome e famílias fragmentadas pela migração forçada.

Ela lembrou o reencontro com seus filhos e sua mãe em Oslo, um abraço que lhe deu “fortaleza imensa”, força que deseja transmitir aos lares venezuelanos marcados pela ausência e separação. Machado descreveu a transição política como “indetenível e irreversível”, prometendo que será “ordenada, justa e transparente”, com respeito ao Estado de direito e garantias para todos.

No plano legislativo, o governo de Nicolás Maduro busca ampliar seu poder de ação em situações de emergência. A bancada majoritária do PSUV aprovou leis severas que penalizam qualquer apoio a intervenções estrangeiras ou sanções internacionais contra o país, incluindo a lei que prevê até 20 anos de prisão por justificar bloqueios ou a apreensão de navios venezuelanos em águas internacionais.

Além disso, o regime formalizou sua saída do Estatuto de Roma, ficando fora da jurisdição da Corte Penal Internacional. Ao concluir seu pronunciamento de fim de ano, María Corina afirmou que a força do amor e da verdade derrotou a mentira e que a Venezuela se prepara para um “novo renascer”, impulsionada por uma geração descrita como “valente e corajosa”, determinada a reconstruir o país.

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