A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, denunciou, nesta quarta-feira, 24, a ocorrência de “ameaças diretas” e “sistemáticas” de “execução extrajudicial” contra presos políticos detidos na prisão de El Rodeo, em Miranda, próximo a Caracas.
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Em sua conta no X, Maria Corina atribuiu as intimidações a “funcionários de órgãos repressivos do regime e constituem crimes de lesa-humanidade, violações graves ao direito internacional humanitário e um risco iminente para a vida de pessoas que hoje se encontram em condição de reféns do Estado”.
A venezuelana é vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Nos últimos meses, a tensão em território venezuelano aumentou. Tem ocorrido intenso reforço militar de tropoas norte-americano promovido pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no Caribe e no Pacífico Oriental.
Operações contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico intensificaram a percepção do governo do ditador Nicolás Maduro de uma ameaça externa, considerada por Caracas como tentativa de mudança de regime.
A Casa Branca, por sua vez, considera que Maduro financia e lidera quadrilhas do tráfico. O regime bolivariano tem mobilizado forças de segurança e organiza sua base política, enquanto aperta ainda mais o controle sobre a oposição, já reprimida desde o início do governo.
Neste cenário, Maria Corina pediu intervenção imediata na Venezuela de organismos internacionais de direitos humanos, incluindo mecanismos de proteção e monitoramento, para prevenir execuções extrajudiciais.
Ela exortou também os “governos democráticos e aliados” a adotarem medidas diplomáticas urgentes, monitoramento internacional e advertências formais capazes de dissuadir o regime de concretizar tais ameaças.
“Solicitamos proteção imediata para os presos políticos, acesso a observadores independentes e garantias efetivas de vida e integridade pessoal. Há vidas em risco hoje”, alertou.
Relatos recentes da ONG Observatório Venezolano de Prisiones (OVP), informou o El País, indicam que detentos de El Rodeo I têm sido ameaçados de serem usados como “escudos humanos” em caso de eventual intervenção norte-americana.
Para a entidade, “o uso sistemático do medo e da intimidação como mecanismos de controle aumenta o risco real à integridade física e mental das pessoas privadas de liberdade”.
Maria Corina Machado anuncia retorno à Venezuela
A opositora anunciou ainda que retornará em breve à Venezuela para dar início à fase final da luta democrática. Em sua mensagem de Natal, ela avaliou os avanços de 2025 e explicou que sua saída temporária do país ocorreu para representar os venezuelanos em Oslo, onde recebeu o Nobel. A dirigente classificou a premiação como “o mais alto reconhecimento da humanidade à luta exemplar do povo venezuelano”.
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Maria Corina, que passou mais de 16 meses na clandestinidade dentro do país, explicou que sua presença no exterior é estratégica e temporária. “Cada dia me pergunto onde sou mais útil a nossa causa”, afirmou, destacando que o reconhecimento internacional reforça que a democracia venezuelana não está sozinha e que a comunidade global acompanha o esforço de milhões de cidadãos que, apesar da perseguição, mantêm viva a esperança de um processo pacífico de mudança.
Durante seu discurso, a líder oposicionista dedicou atenção especial às vítimas da crise: presos políticos, pessoas afetadas pela fome e famílias fragmentadas pela migração forçada.
Ela lembrou o reencontro com seus filhos e sua mãe em Oslo, um abraço que lhe deu “fortaleza imensa”, força que deseja transmitir aos lares venezuelanos marcados pela ausência e separação. Machado descreveu a transição política como “indetenível e irreversível”, prometendo que será “ordenada, justa e transparente”, com respeito ao Estado de direito e garantias para todos.
No plano legislativo, o governo de Nicolás Maduro busca ampliar seu poder de ação em situações de emergência. A bancada majoritária do PSUV aprovou leis severas que penalizam qualquer apoio a intervenções estrangeiras ou sanções internacionais contra o país, incluindo a lei que prevê até 20 anos de prisão por justificar bloqueios ou a apreensão de navios venezuelanos em águas internacionais.
Além disso, o regime formalizou sua saída do Estatuto de Roma, ficando fora da jurisdição da Corte Penal Internacional. Ao concluir seu pronunciamento de fim de ano, María Corina afirmou que a força do amor e da verdade derrotou a mentira e que a Venezuela se prepara para um “novo renascer”, impulsionada por uma geração descrita como “valente e corajosa”, determinada a reconstruir o país.
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