O governo da França reagiu nesta quarta-feira, 14, à circulação de um manual escolar que altera fatos ligados ao ataque terrorista do Hamas contra Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023. O presidente Emmanuel Macron classificou o conteúdo como inaceitável e determinou a adoção de medidas administrativas.
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Em publicação na rede social X, o chefe de Estado afirmou: “O revisionismo não tem lugar na República”. A manifestação de Macron ocorreu depois de denúncias feitas por entidades que combatem o antissemitismo. “Pedi ao governo que tome providências”, disse.
A editora Hachette Livre confirmou a existência de erro no material. Ela anunciou o recolhimento imediato de três livros da coleção Objectif bac terminale, voltada à preparação para o baccalauréat, como é conhecido o exame nacional de conclusão do ensino médio. No material, o atentado terrorista do Hamas é identificado como o causador da “morte de mais de 1.200 colonos judeus”. A Hachette afirma que destruirá todas as cópias dos livros contendo esse texto de viés antissemita.
Críticas de entidades e reação da gestão de Macron
A Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo (Licra) alertou para o trecho do manual. Para ela, o texto resulta de “desvios confusos e negacionistas”. O presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), Yonathan Arfi, também reagiu.
Em mensagem publicada no X, ele afirmou: “Essa narrativa representa uma falsificação da história e uma forma inaceitável de legitimação do terrorismo do Hamas, que o livro sequer identifica como organização terrorista”.
No âmbito do governo, o ministro da Educação, Édouard Geffray, considerou grave a caracterização usada no manual. Segundo ele, “qualificar as vítimas do atentado de 7 de outubro de 2023 como ‘colonos judeus’ constitui uma falsificação dos fatos e uma ofensa à dignidade das vítimas do terrorismo”. O ministro ressaltou que materiais voltados a estudantes não podem conter esse tipo de viés.
A ministra responsável pelo combate às discriminações, Aurore Bergé, declarou que a falsificação histórica não pode ter espaço em manuais escolares e afirmou que a decisão da editora foi correta.
Em nota oficial, a Hachette declarou compreender “a comoção gerada” e apresentou “desculpas pelo conteúdo incorreto presente em uma página desses livros”. O diretor-presidente do grupo, Arnaud Lagardère, acrescentou: “Quero apresentar pessoalmente minhas desculpas a todos que se sentiram, com razão, feridos”.
A editora informou que os exemplares não vendidos serão destruídos e que a coleção só voltará ao mercado depois de revisão completa. A empresa também abriu uma apuração interna para identificar as causas da falha editorial.
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