Depois de liderar os ritos da Semana Santa e celebrar a Páscoa, o papa Leão XIV inicia nesta segunda-feira, 13, sua primeira visita apostólica à África, onde percorre quatro países em dez dias. A viagem, que termina em 23 de abril, ocorre em um momento em que o continente africano representa cerca de 20% dos católicos no mundo e se destaca pelo aumento de vocações sacerdotais.
No roteiro, o papa Leão XIV passará por Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, realizando paradas em 11 cidades e completando um percurso superior a 17,7 mil km em 18 voos distintos, segundo o Vaticano. Durante a jornada, estão previstas oito missas públicas, além de 24 discursos e homilias, com o uso, pelo pontífice, de francês, na Argélia e Camarões; português, em Angola; espanhol, na Guiné Equatorial; e inglês ao longo do trajeto.
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Essa é a terceira viagem internacional do papa Leão XIV, mas a primeira vez que ele visita a África desde que assumiu o pontificado. Outros líderes da Igreja também marcaram presença no continente: papa Francisco realizou cinco visitas em 12 anos, Bento XVI esteve em três países africanos e João Paulo II viajou a 41 nações do continente. O papa Paulo VI foi pioneiro, ao ir a Uganda em 1969.
Pontífice destaca multilinguismo e pioneirismo na Argélia
O papa Leão XIV demonstrará seu domínio de idiomas, já que fala inglês, espanhol, italiano, francês e português, além de ler latim e alemão. Há expectativa de que, além dos idiomas oficiais dos países visitados, o árabe seja utilizado em discursos formais ou saudações, conforme destacado pela ACI África, que também lembrou o status da Guiné Equatorial como o único país africano de língua oficial espanhola.
Pela primeira vez, um papa visitará a Argélia, maior país do continente, onde o islamismo é a religião do Estado. Entre os 48 milhões de habitantes, o número de católicos não passa de 10 mil, a maioria formada por estrangeiros, trabalhadores, estudantes e missionários. Essa etapa da viagem também reafirma o vínculo do pontífice com Santo Agostinho, já que ele visitará Annaba, passando pelo sítio arqueológico de Hipona, encontrando-se com religiosos agostinianos e celebrando missa na Basílica de Santo Agostinho.
Em Argel, o papa Leão XIV visitará a Grande Mesquita de Argel, uma das maiores do mundo, repetindo o gesto de diálogo inter-religioso iniciado em novembro de 2025 na Mesquita Azul, em Istambul. Será a segunda vez que ele entra em uma mesquita como papa.
Compromisso social e celebrações históricas
Ao longo do itinerário africano, o papa Leão XIV dará ênfase às obras de misericórdia. Entre os compromissos, estão visitas a um orfanato e hospital em Camarões, um asilo em Angola, as Irmãzinhas dos Pobres na Argélia, além de um hospital psiquiátrico e uma prisão na Guiné Equatorial, destacando o compromisso social da Igreja.
Em Angola, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Muxima deve receber cerca de 2 milhões de fiéis para um rosário liderado pelo papa, evento que pode ser considerado histórico. Esta será a primeira visita papal ao santuário desde sua fundação, em 1599.
Guiné Equatorial: solidariedade e esperança
A última parada será na Guiné Equatorial, um dos menores países africanos, onde quase 90% da população é católica. O papa Leão XIV será recebido 44 anos depois da passagem do papa João Paulo II, em 1982. Na visita, ele pretende ir à Prisão de Bata, alvo de críticas internacionais, e rezar em memória das vítimas das explosões de Bata, tragédia que deixou cerca de cem mortos e 500 feridos.
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