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Justiça condena Marine Le Pen, mas não mata a direita. Pelo contrário

A sentença judicial prevê que, dos quatro anos de reclusão, dois serão em prisão fechada, convertíveis no uso de tornozeleira eletrônica

Marine Le Pen garantiu que seu governo respeitará as regras constitucionais de convivência com o presidente Emmanuel Macron
Marine Le Pen é a principal líder da direita francesa | Foto: Reprodução/Twitter/X/@brasilemfuria

Marine Le Pen, chefe do Rassemblement National, partido da “direita radical” francesa, foi condenada a cinco anos de inelegibilidade e quatro anos de prisão, pelo tribunal de Paris.

O crime dela e de companheiros seus parece coisa de amador, se comparado aos dos ladravazes políticos brasileiros: desvio de dinheiro da União Europeia, quando ela era eurodeputada, por meio da contratação de assistentes parlamentares que, na verdade, não cumpriam a função de assessoramento no Parlamento Europeu, mas serviam ao partido de Marine Le Pen em funções relacionadas à política francesa.

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A contratação fraudulenta proporcionou um prejuízo que a União Europeia contabilizou em 7 milhões de euros, mas foi abaixado para 3,2 milhões de euros pela Justiça, dos quais 1 milhão de euros foram reembolsados. O prejuízo representou, portanto, uma economia para o Rassemblement National, antes chamado Front National.

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A sentença judicial que pesa sobre Marine Le Pen prevê que, dos quatro anos de reclusão, dois serão em prisão fechada, convertíveis no uso de tornozeleira eletrônica. A prisão não implica a perda do seu mandato como deputada na Assembleia Nacional francesa.

O busílis é a inelegibilidade. Três vezes candidata a presidente da França, ela lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 2027. O Rassemblement National é o partido com maior bancada no parlamento francês, e o presidente Emmanuel Macron teve de fazer uma aliança extravagante, para não dizer espúria, com a esquerda radical, para impedir que o partido de Marine Le Pen pudesse eleger ainda mais deputados nas eleições antecipadas do ano passado.

Como não podia deixar de ser, o terremoto causado pela condenação é de grandes proporções na já habitualmente conflagrada política do país. O primeiro-ministro François Bayrou, que se equilibra para manter-se no poder, visto que nenhum partido ou grupamento tem maioria absoluta na Assembleia Nacional, teme que os deputados do Rassemblement National inviabilizem a sua permanência no cargo, aprofundando a crise política que sacode a França. O próprio François Bayrou, aliás, é réu em processo semelhante ao de Marine Le Pen, ainda sem data para ser julgado.

Le Pen, Bardella e o futuro da direita francesa

O político francês Jordan Bardella aparece sorridente, com braços cruzados na altura do tórax; ele está de paletó e gravata de cor azul e camisa social branca
Integrante da direita francesa, Jordan Bardella serve como deputado do Parlamento Europeu | Foto: Reprodução/Instagram/@jordanbardella

Jordan Bardella, presidente do Rassemblement National, correu para o X para dizer que “a democracia francesa foi executada”. Esse é o sentimento dos dez milhões de eleitores do Rassemblement National, mas não só, que veem na sentença de inelegibilidade uma decisão essencialmente política de guilhotinar Marine Le Pen, retirando-a do páreo em 2027. Qualquer semelhança com o que ocorre em outros países está muito longe de ser coincidência.

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O que os juízes calcularam mal é que Marine Le Pen tem sucessor que talvez a supere em altura eleitoral: o indignado Jordan Bardella. Estrela jovem do partido, ele não arca com o passado que não passa da chefona do partido e terá a seu favor apenas o presente da vitimização que ela lhe oferece. Deputado no Parlamento Europeu, Jordan Bardella está a uma distância prudente dos embates diretos sempre desgastantes na Assembleia Nacional.

Popularíssimo no TikTok, bonitão, autor de uma biografia que reforça a imagem de rapaz proveniente da imigração italiana e das classes populares, mas com certa aura de bon chic bon genre, ele lidera com sucesso a campanha de “dédiabolisation” do Rassemblement National.

O gajo está empenhado em edulcorar a imagem da agremiação fundada pelo pai de Marine, o racista, xenófobo e antissemita Jean-Marien Le Pen, que morreu em janeiro. Poucos dias atrás, ele esteve em Israel, sublinhando a diferença de posição do Rassemblement National em relação à esquerda francesa, que não consegue esconder mais o seu antissemimistimo.

Marine Le Pen vai recorrer da sentença, e cálculos extrajudiciais certamente pesarão para o veredicto final. Se a sua morte política for confirmada nas instâncias superiores, Jordan Bardella está mais do que pronto para substituí-la e terá recebido da Justiça um grande empurrão.

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