O Tribunal Regional do Distrito de Berna-Mittelland, na Suíça, anulou a sentença que condenou o técnico Alexi Stival, mais conhecido como Cuca, pelo estupro de uma menina de 13 anos, Sandra Pfäffli. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.
O caso ocorreu na noite de 30 de julho de 1987, no hotel onde o time do Grêmio, do qual Cuca fazia parte, se concentrou durante uma excursão no país.
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Em 22 de novembro do ano passado, a juíza Bettina Bochsler aceitou a argumentação da defesa de Cuca de que o técnico fora condenado à revelia, sem representação legal. Os advogados defendiam a realização de um novo julgamento.
O Ministério Público da Suíça alegou, no entanto, que não haveria um novo julgamento, visto que o crime estava prescrito. Por isso, o órgão sugeriu a anulação da pena e a extinção do processo.
Anulação de caso de estupro não inocenta Cuca

O fato de a Justiça ter decidido pelo encerramento do processo não significa que Cuca recebeu inocência, mas sim que o caso foi concluído. Por irregularidade no julgamento, a juíza Bettina Boschler determinou uma indenização do Estado suíço a Cuca, no valor de 9,5 mil francos, o equivalente a R$ 55 mil.
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Quando o técnico foi contratado pelo Corinthians, em abril do ano passado, houve intensa repercussão. Imediatamente depois do anúncio de sua contratação, centenas de torcedores se manifestaram contra o treinador.
As atletas corintianas e seu técnico da época, Arthur Elias, publicaram em suas redes sociais um repúdio à contratação de Cuca. A passagem do treinador pelo Corinthians durou apenas seis dias e duas partidas (uma derrota contra o Goiás e uma vitória em cima do Remo).
Entenda o caso que envolve Cuca
Tudo começou em uma excursão do time do Grêmio à Europa. Cuca, então jogador do clube gaúcho, e mais três jogadores, Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi, foram detidos.
A alegação era de que o trio fez sexo sem consentimento com Sandra Pfäffli, na época com 13 anos. Apesar disso, os três foram liberados um mês depois.
O Grêmio indicou um advogado para defender Cuca e os outros dois envolvidos, mas o profissional deixou a defesa dos atletas um ano antes do julgamento. Fernando Castoldi foi defendido por outro advogado.
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Em 1989, os três atletas foram condenados a 15 meses de prisão e multa, mas sem representação legal, o que fez a Justiça da Suíça decidir pela anulação do processo. Fernando recebeu absolvição por o considerarem apenas um cúmplice.
“Estava há cinco dias no Grêmio e com um contrato de cinco meses a cumprir”, contou Cuca a um jornal. “Pensei que estivesse tudo acabado para mim, embora tivesse consciência tranquila.”
No ano passado, depois de sua saída do Corinthians, Cuca contratou uma advogada. Ela pediu a íntegra do processo para construir a defesa e solicitar a reabertura do caso, dizendo que a falta de representação legal poderia inocentá-lo.
Contudo, apesar de se dizer inocente, Cuca chegou a afirmar em entrevista para o Jornal dos Sports, em 1989, que “a tal menina, a Sandra Pfaffli, era do tamanho de um armário e não tinha carinha de menina”. “Ela subiu para fazer sexo com um de nós no apartamento. O nome, reservo-me o direto de omiti-lo.”
A suposta vítima, Sandra Pfäffli, morreu em 2002, de acordo com a Justiça. Ela faleceu aos 28 anos. O tribunal encontrou um herdeiro, que não se interessou em ser parte do caso. A decisão beneficia apenas Cuca, e não os outros ex-jogadores do Grêmio envolvidos.
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