A leitura do contrato assinado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), o Governo Metropolitano de Tóquio e o Comitê Olímpico Japonês (JOC) sugere um arranjo que coloca a cidade-sede da Olimpíada em clara desvantagem, reportou o jornal Valor Econômico. O texto somente foi divulgado em 2017, depois que o COI e o Japão fizeram uma atualização do acordo de sigilo.
Conforme o documento, o COI é o único com autoridade para cancelar os Jogos Olímpicos — inclusive naqueles casos em que “a segurança dos participantes dos jogos seria seriamente ameaçada ou comprometida”. Soma-se a isso o fato que Tóquio, o JOC e o comitê organizador de Tóquio não podem exigir qualquer “indenização, danos ou outra compensação”, pelo cancelamento. Conforme noticiou Oeste, mais de 80% da população japonesa é a favor de cancelar ou novamente adiar a Olimpíada. O país voltou a prorrogar o estado de emergência, após uma quarta onda de covid-19 atingi-lo.
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Já na eventualidade do COI cancelar a Olimpíada a pedido do Japão, haverá obrigações financeiras do lado japonês para com o COI e outras partes, como as emissoras. De acordo com Taisuke Matsumoto, advogado especializado em contratos de eventos esportivos internacionais e professor de ciências do esporte da Universidade Waseda: “Existe a possibilidade de o COI solicitar uma indenização do lado japonês”.
O único golpe financeiro seria o dos direitos de transmissão, coloca a reportagem do Valor Econômico. Na Olimpíada de 2013-16, dos US$ 5,7 bilhões em receita que o COI obteve, eles responderam por 73%. Em 2014, o comitê assinou um acordo concedendo direitos de transmissão dos jogos aos EUA (para a NBCUniversal), de 2021 a 2032, por US$ 7,65 bilhões.
Cerca de 90% da receita do Comitê Olímpico Internacional é distribuída para entes como federações esportivas internacionais e comitês olímpicos nacionais. Muitas federações de esportes menos convencionais são dependentes do valor.
“O COI e a NBC têm seguro, mas é improvável que ele cubra todos os prejuízos financeiros de um cancelamento”, afirma Matsumoto, que acredita que o Japão pode acabar sendo responsável por centenas de milhões de dólares.
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