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Israel presta homenagem às vítimas do Holocausto

Cerimônia, com participação de Benjamin Netanyahu e do presidente Isaac Herzog, homenageou, entre as vítimas, o rabino Israel Meir Lau, um dos sobreviventes

Museu do Holocuasto Jerusalém Israel
Museu do Holocuasto sediou o evento | Foto: Reprodução/Facebook Yad Vashem

O Dia da Memória do Holocausto foi lembrado em Israel e pelo mundo, nesta segunda-feira, 13. A cerimônia nacional, em território israelense, foi adaptada às condições de segurança. Pela primeira vez um evento oficial em Yad Vashem (Museu do Holocausto), em Jerusalém, foi gravado, em vez de ser transmitido ao vivo.

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A cerimônia teve a participação do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e do presidente, Isaac Herzog. Ocorreu na Praça do Gueto de Varsóvia, dentro do complexo, e incluiu discursos dos dois líderes. Também foi realizado o tradicional acendimento de seis tochas, em homenagem aos seis milhões de judeus mortos, por sobreviventes do Holocausto.

Herzog realçou necessidade de ação internacional e coesão interna diante da escalada do antissemitismo global. Ele advertiu que “palavras vazias” são uma resposta insuficiente e pediu que líderes enfrentem o ódio “antes que seja tarde demais”. No plano doméstico, definiu o momento atual como um teste ao caráter nacional e reforçou a ideia de unidade:

“Somos uma família, com um destino compartilhado”, acrescentando que “uma família pode discordar, mas nunca deve se destruir por dentro”. Herzog afirmou ainda sua convicção de que, apesar da duração do conflito com o Irã, Israel sairá “fortalecido e empoderado”.

Netanyahu contrastou a vulnerabilidade histórica dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com a capacidade militar do Estado moderno. Segundo ele, de um povo antes “perseguido”, Israel passou a uma nação que “ruge com força”. Ao reafirmar sua posição sobre o Irã, com o qual mantém uma trégua de 14 dias, declarou: “Prometemos que não haveria um segundo Holocausto, e este ano cumprimos essa promessa na prática.”

O primeiro-ministro também destacou operações militares contra o Irã e sua rede regional, formada por grupos terroristas como Hezbollah e Hamas, com o argumento de que Israel atua para neutralizar ameaças existenciais e garantir sua sobrevivência.

Entre os sobreviventes, estava o rabino Israel Meir Lau, 88 anos, simbolizando a ligação viva entre passado e presente. O tema deste ano, A família judaica durante o Holocausto, enfatizou a tentativa sistemática de destruição do núcleo familiar judeu e a continuidade das gerações posteriores. Os sobreviventes também discursaram.

O rabino Meir Lau é uma figura célebre e respeitada em Israel. Defensor de valores humanos, nasceu em 1937, na cidade de Piotrków Trybunalski, na Polônia. Ainda criança foi deportado para o campo de concentração de Buchenwald, onde sobreviveu. Tinha apenas oito anos quando foi libertado no fim da Segunda Guerra, tornando-se um dos sobreviventes mais jovens do campo. Perdeu seus pais, mortos pelos nazistas naquele período.

Depois da guerra, ele imigrou para Israel, onde seguiu a tradição rabínica da família e construiu uma carreira religiosa de grande influência. Entre seus cargos mais importantes, foi rabino-chefe asquenaze (linhagem judaica do leste europeu) de Israel (1993–2003); rabino-chefe de Tel-Aviv por muitos anos e presidente do conselho do memorial do Holocausto Yad Vashem.

Em seu livro autobiográfico, Lulek (seu apelido), o religioso conta, com sensibilidade e maturidade, passagens comoventes, que envolvem não só sua família, mas a comunidade judaica europeia. Descreve, ainda, o papel do irmão Naphtali Lau-Lavie (1926-2014) de salvá-lo.

Lau-Lavie também escreveu suas memórias e, em retribuição ao irmão, contou o que o fez sobreviver. “Durante três anos, servi como pai e mãe, guardião e protetor de meu irmão mais novo, Israel Meir, ou ‘Lulek’, como o chamávamos”, escreveu em sua autobiografia, Balaam’s Prophecy (A Profecia de Balaão – personagem bíblico).

“Muitas vezes senti o desespero me atacar, lançando-me, impotente, em direção à destruição. Creio que foi a missão que meu pai me deu — levar meu irmão mais novo a um lugar seguro e garantir a continuidade da dinastia rabínica de nossa família — que me manteve vivo e me deu a vontade de continuar lutando por nossas vidas, em vez de sucumbir ao destino terrível que atingiu o restante de nossa família.”

Ministério das Relações Exteriores de Israel e a memória do Holocausto

O Ministério das Relações Exteriores israelense realizou outra cerimônia, simultânea, da qual participaram mais de 50 diplomatas estrangeiros. O chanceler Gideon Sa’ar afirmou que o mundo enfrenta hoje “outro regime maligno: a República Islâmica do Irã”, acusando o país de defender abertamente a destruição de Israel.

Leia mais: “7 de outubro: ‘O mundo não suportou ver Israel como vítima'”

Ele criticou a normalização dessa ameaça pela comunidade internacional e disse que a política de apaziguamento substitui a coragem moral. Para Sa’ar, Israel não age por trauma histórico, mas por necessidade existencial: “ou nos tornamos fortes ou simplesmente não existiremos”. Ele também classificou o regime iraniano como “a versão moderna do mal puro” e reafirmou o compromisso: “Nunca mais”.

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