Prestar atendimento médico a manifestantes feridos virou motivo de prisão no Irã. Segundo organizações internacionais de direitos humanos, o regime islâmico iniciou uma campanha de perseguição contra profissionais da saúde que socorreram pessoas atingidas pela repressão aos protestos iniciados em dezembro. Pelo menos nove médicos e socorristas já foram detidos.
Um dos casos mais graves envolve o cirurgião Alireza Golchini, de 52 anos, preso em 10 de janeiro na cidade de Qazvin. Familiares afirmam que agentes do regime o espancaram diante da mulher e do filho de apenas 11 anos antes de sequestrá-lo. Durante a abordagem, quebraram seu braço e suas costelas. Ele está incomunicável desde então.
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A ditadura enquadra Golchini por “moharebeh”. O termo significa “inimizade contra Deus” e pode resultar em pena de morte, conforme o Código Penal do Irã. A denúncia teria como base uma postagem nas redes sociais, em que o médico divulgava seu número de telefone e oferecia atendimento a feridos.
“Tudo o que ele fez foi cumprir seu dever de salvar vidas como médico”, disse Nima Golchini, prima do cirurgião, em entrevista ao The Guardian. “Ele jurou salvar vidas. Como um médico pode descumprir seu juramento? Estou completamente preocupada não só com ele, mas com outros profissionais de saúde que foram presos simplesmente por cumprirem seu juramento.”

Nos bastidores da repressão, surgem relatos de perseguição dentro de hospitais. Segundo a Hrana e a Iran Human Rights, agentes de segurança invadiram UTIs e intimidaram equipes médicas. Para proteger os feridos, alguns profissionais passaram a realizar atendimentos clandestinos em residências ou esconderam pacientes em locais improvisados.
Irã amplia cerco e intensifica repressão nas ruas
O regime também ampliou a vigilância nas ruas. Relatos revelam que postos de controle forçam cidadãos a se despirem para identificar marcas de ferimentos.
Se detectarem lesões provocadas por armas usadas pelas forças muçulmanas, os agentes efetuam a prisão. Em outros casos, militares realizam buscas de porta em porta à procura de manifestantes.
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A onda de manifestações teve início em dezembro e rapidamente se tornou a mais séria ameaça ao regime islâmico desde 1979. ONGs internacionais destacam que a repressão deixou mais de 6 mil vítimas entre mortos e feridos. A própria ditadura admite pelo menos 3 mil mortes.






































Solidariedade do CFM aos médicos iranianos, seria o mínimo que poderiam fazer.