Uma silhueta alaranjada registrada às 22h39 na escadaria que leva ao setor de celas onde Jeffrey Epstein estava preso pode reabrir discussões sobre o que realmente aconteceu na data de sua morte, em 10 de agosto de 2019, oficialmente tratada como suicídio.
Os materiais integram um conjunto de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgados pela CBS News nesta quinta-feira, 5.
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Eles revelam que uma figura desfocada surgiu pouco antes do horário estimado da morte de Epstein, em um corredor isolado dentro do Centro Correcional Metropolitano de Nova York. Segundo registros oficiais, os agentes penitenciários encontraram o corpo na manhã seguinte, por volta das 6h30.
Documentos do presídio mencionam “um clarão laranja subindo as escadas do Nível L”. Enquanto o Departamento Federal de Investigação (FBI) sugeriu que se tratava de um detento, o Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Justiça interpretou a figura como a de um agente penitenciário não identificado, portando “roupa de cama ou lençóis”.

Mesmo sem consenso entre os relatos, ambos contradizem declarações anteriores de autoridades norte-americanas. O ex-procurador-geral Bill Barr, por exemplo, chegou a afirmar categoricamente que ninguém havia entrado no bloco onde Epstein estava preso na noite em que morreu.
A câmera que registrou o momento era a única em funcionamento no local. Segundo funcionários da prisão, movimentar detentos naquele horário violaria os protocolos da unidade.
Materiais revelam falhas de vigilância
Conforme os materiais, uma grave falha de vigilância aconteceu naquela noite. O auxiliar logístico Ghitto Bonhomme, de plantão na unidade, dormiu por pelo menos duas horas durante o turno. Interpelado sobre a figura nas escadas, disse não se lembrar de nada entre 22h e meia-noite e negou ter visto qualquer movimentação no corredor.
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Um detalhe adicional chamou atenção dos investigadores: durante a madrugada, o número de detentos na Unidade de Segurança Máxima caiu de 73 para 72.
Agentes não explicam sumiço da corda usada por Epstein
Bonhomme deixou o posto à meia-noite. Seu substituto, Michael Thomas, foi o responsável por encontrar o corpo de Epstein, no dia 11. Thomas contou que o “arrancou” da posição em que estava, mas não conseguiu explicar o que aconteceu com a corda.
“Não me lembro de ter tirado a corda”, disse à CBS. “Não me lembro de ter tirado aquilo do pescoço dele.”
Tova Noel, outro agente penitenciário, disse ter visto o colega manejar o corpo de Epstein, mas afirmou que não havia corda em seu pescoço. O objeto que teria sido usado no suicídio, nunca foi identificado oficialmente. Um item recolhido na cela chegou a ser analisado, mas foi descartado posteriormente.
Thomas e Noel não cumpriram as contagens obrigatórias de presos às 3h e às 5h da manhã, nem realizaram as verificações regulares da cela de Epstein. Ambos foram acusados de falsificar registros e, mais tarde, fecharam acordos com a Promotoria para evitar condenações em troca de cooperação.
O dr. Michael Baden, patologista forense contratado pela família de Epstein, afirmou à CBS que o financista já estava morto havia várias horas quando os agentes o encontraram. Além disso, argumentou que o manuseio do corpo comprometeu qualquer cálculo preciso da hora do óbito.
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