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Hungria mantém pauta conservadora com novo premiê

Péter Magyar, aos 45 anos, chega ao poder em um Parlamento que não contará com partidos de esquerda

Péter Magyar primeiro-ministro Hungria
Péter Magyar era aliado de Orbán | Foto: Reprodução/Facebook

Até 2024, o novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, cujo partido venceu as eleições parlamentares, neste domingo, 12, era um fiel funcionário do Fidesz, agremiação do então primeiro-ministro Viktor Orbán. Esteve por muitos anos ligado ao governo conservador. Ele ocupou cargos em empresas estatais e era visto como alguém orbitando o espectro político associado ao Fidesz.

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Mas a ruptura, naquele ano, trouxe a ele notoriedade. Magyar deixou o partido depois de um escândalo político envolvendo um caso de perdão presidencial que abalou o governo. Passada a crise, Magyar começou a fazer críticas públicas ao sistema político húngaro e ao funcionamento do poder sob Orbán. Rapidamente ganhou visibilidade nas redes sociais e em manifestações de rua.

O novo opositor criou, então, todo o arcabouço do atual partido Tisza. Sua crítica ao sistema foi uma maneira dele ganhar espaço. No entanto, já tinha proximidade com o dia a dia do governo, por ter sido casado com Judit Varga. Ela foi, durante anos, ministra da Justiça do governo Orbán e uma das principais figuras do Fidesz, partido criado, com a ajuda de Orbán, em 1988, como uma reação à ditadura comunista que acabava.

Na oposição, Magyar, advogado de 45 anos, deu início a uma bateria de mais de 200 comícios pelo país, até levar seu partido ao segundo lugar nas eleições europeias de 2024, com quase 30% dos votos. O caminho estava aberto para a candidatura ao cargo de primeiro-ministro.

Pautas de Magyar na Hungria

Ele também esteve prestes a ser protagonista de um escândalo. Avisou, no início do ano, que um vídeo gravado em uma situação íntima com sua ex-namorada, segundo ele ilegal, estava prestes a ser divulgado. O link das cenas chegou a ser enviado a jornalistas, com o título Era uma vez… 3/08/2024. Magyar argumentou que se tratava de uma noite em que ele teve uma relação sexual consensual com sua então companheira, durante uma festa.

Leia mais: “Viktor Orbán reconhece derrota para candidato pró-Europa na Hungira”

A afinidade com as bandeiras conservadoras do Fidesz, no entanto, é indiscutível. O que o levou à oposição, e à vitória, foram as críticas às condutas do governo de Orbán, acusado por Magyar de ter criado uma estrutura que favorecia seus aliados próximos. Foi por isso que ele acabou abraçado até pela esquerda, que buscava uma maneira de evitar um quinto mandato de Orbán.

Magyar não é um defensor dos migrantes ou do movimento LGBT. Evitou, inclusive, entrar em detalhes sobre questões sociais, por ter posições muito próximas das de Orbán. Apesar de evitar embates sobre costumes e não liderar pautas identitárias, quer realçar a diferença em termos institucionais. Sua retórica é o de combate à concentração de poder e por uma reforma da estrutura administrativa.

Uma grande diferença está na política externa. Magyar é pró-ocidente e defende que Budapeste continue sendo aliada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e membro fiel da União Europeia. Essa postura tem como objetivo o orçamento: Magyar quer desbloquear bilhões de euros em fundos europeus congelados pela Comissão Europeia por, segundo a entidade, o governo ter cometido violações do Estado de direito.

Em termos ideológicos, o resultado das eleições não trouxe nenhum partido de esquerda para o Parlamento. É verdade que muitos socialistas e comunistas deixaram a disputa para não enfraquecer o Tisza, que ficou com 138 cadeiras, das 199 do Parlamento. A aliança Fidesz–KDNP, ficou, provavelmente, com 55 cadeiras. E o Mi Hazánk (Nossa Pátria), de extrema-direita, conquistou seis cadeiras. O passado ainda pesa. A Hungria quer apagar de vez qualquer resquício do comunismo.

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2 comentários
  1. João Carlos de Souza Carvalho
    João Carlos de Souza Carvalho

    Que maravilhoso é o povo húngaro !

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