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Abertura da Olimpíada: França libera saia para corredor e veta hijab para atleta islâmica

Comitê Olímpico permitiu que maratonista Sasha Zhoya utilize peça feminina depois de pressão de marca italiana de luxo

O atleta da França Sasha Zhoya e a velocista Sounkamba Sylla | Foto: Arte/Revista Oeste
O atleta da França Sasha Zhoya e a velocista Sounkamba Sylla | Foto: Arte/Revista Oeste

O Comitê Olímpico e Esportivo Nacional da França (CNOSF) deu o aval ao atleta francês Sasha Zhoya para que use saia na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, mas vetou o uso do hijab — vestimenta tradicional islâmica — pela velocista Sounkamba Sylla.

Inicialmente, o CNOSF foi contra a solicitação de Zhoya, mas cedeu depois do apoio da marca italiana Berluti, parte do grupo de luxo LVMH, que assina o uniforme da delegação francesa.

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O atleta ficou surpreso ao saber que era o primeiro homem a pedir a peça — reservada às mulheres — enquanto provava o uniforme para a cerimônia desta sexta-feira, 26.

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Um vídeo divulgado pela rede France 2 mostrou Zhoya questionando a falta de opções de peças de baixo. Ele argumentou com estilistas e membros da equipe de apoio que, em 2024, a moda não deve ter rótulos de gênero.

“Sou o primeiro a pedir uma saia?”, perguntou Zhoya, especialista nos 110 metros com barreiras. “Se as mulheres têm o direito de usar calças, poderia ser bom que os homens também tivessem a opção de usar saia. 2024! Podemos colocar tudo. Não há isso de homens e mulheres na moda agora.”

França veta hijab

Por outro lado, Sounkamba Sylla foi impedida de participar da cerimônia de abertura da Olimpíada com hijab. O CNOSF sugeriu que ela usasse um boné em substituição ao hijab, e a atleta aceitou a proposta.

A atleta Sounkamba Sylla já precisou competir de boné em outras ocasiões | Foto: Reprodução/Internet

A proibição do uso de hijabs na França está relacionada ao princípio da laicidade, que promove a separação entre Estado e religião.

O presidente do comitê, David Lappartient, declarou que os atletas franceses estão sujeitos aos princípios seculares aplicáveis ao setor público.

Sounkamba, de 26 anos, participa das equipes de revezamento feminino e misto de 400 metros. Seus pais são da Guiné, um país majoritariamente muçulmano. Em 2021, Sylla competiu na Olimpíada de Tóquio.

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A atleta expressou sua insatisfação com o Comitê em uma postagem no Instagram neste domingo, 21.

“Você foi selecionada para os Jogos Olímpicos, organizados em seu país, mas não pode participar da cerimônia de abertura, porque está usando um lenço na cabeça”, escreveu Sounkamba, incluindo um emoji de palhaço na publicação.

A atleta recebeu apoio de outros desportistas, como seu colega de revezamento Muhammad Abdallah Kounta. “Liberdade, igualdade, fraternidade, eles dizem”, comentou na publicação. “Por favor, compartilhem isso. Isso não é normal.”

Leia também: “Atleta britânica anuncia saída dos Jogos Olímpicos de Paris depois de vídeo vazado”

A saltadora com vara Marie-Julie Bonnin também se demonstrou surpresa. “Não acredito”, afirmou.

Lappartient informou à imprensa francesa que, antes de decidir pelo boné, houve diálogos com Sounkamba para encontrar uma solução que respeitasse suas crenças e os requisitos seculares da equipe olímpica.

Sylla já competiu com hijab em campeonatos mundiais de atletismo em 2022 e 2023. No entanto, o Ministério do Esporte da França afirmou que o “uso de sinal religioso ostensivo” não atende ao princípio da neutralidade do país.

Leia também: “Vaiada, seleção argentina perde jogo caótico em estreia na Olimpíada”

No Campeonato Europeu deste ano, em Roma, ela também teve de competir com um boné.

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2 comentários
  1. Christian
    Christian

    A modalidade de cuspe a distância também não é permitido nos países islâmicos…Afff….

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