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Fóssil sugere que vaca-marinha morreu atacada por predadores

Revelação é da Universidade de Zurique, na Suíça

Ilustração de fóssil representando uma vaca-marinha (semelhante a peixe-boi) sendo atacada por crocodilo
Representação artística de crocodilo atacando vaca-marinha | Foto: Jaime Bran Sarmiento / Redes Sociais

Uma equipe de cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, realizou uma descoberta curiosa: uma vaca-marinha, animal semelhante ao peixe-boi, morreu há 15 milhões de anos depois de ser atacada por dois predadores — um crocodilo de pequeno a médio porte e um tubarão-tigre. A revelação é do Journal of Vertebrate Paleontology, em estudo publicado nesta semana.

De acordo com os pesquisadores, o fóssil, encontrado na cidade de Coro, na Venezuela, revela pistas sobre a cadeia alimentar da época. Além disso, os resquícios demonstram os padrões de predação de criaturas antigas.

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A análise revelou que o animal pertenceu ao gênero Culebratherium, espécie que viveu entre o Mioceno Inferior e Médio (período que corresponde entre 23 milhões e 11,6 milhões de anos).

O autor principal do estudo, Aldo Benites-Palomino, doutorando no departamento de paleontologia da Universidade de Zurique, diz que é extremamente raro encontrar evidências de dois predadores em um único espécime. “Isso mostra por que devemos explorar fósseis em regiões tropicais, como a Venezuela”, observou.

O ataque à vaca-marinha

Encontrado num sítio arqueológico da região, os restos fossilizados – parte do crânio e 13 vértebras — mostram três tipos de marcas de mordida. A forma, a profundidade e a orientação das incisões sugerem que ocorreram em decorrência do ataque de dois predadores diferentes.

A partir da análise, os pesquisadores conseguiram relatar, por exemplo, o que pode ter sido os momentos finais de vida do mamífero. Os impactos de dentes profundos no focinho da vaca-marinha revelam que o crocodilo tentou agarrar a presa na tentativa de sufocá-la.

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Além disso, o mesmo estudo demonstrou outras duas grandes mordidas de aspecto arredondado. Elas mostram que o predador conseguiu arrastar a presa num movimento conhecido como “rolamento mortal”. Esse tipo de comportamento é comum a crocodilos.

Cientista forense

O fóssil, encontrado na cidade de Coro, na Venezuela, revela pistas sobre a cadeia alimentar da época | Foto: Reprodução/Freepik

O contato com o tubarão-tigre, no entanto, ocorreu depois que o mamífero já se encontrava morto. A conclusão ocorreu pela detecção de uma marca de dente encontrada no pescoço do animal, além de muitas outras mordidas pelo corpo.

Os cientistas, inclusive, confirmaram a identidade do tubarão. Ele pertencia a uma espécie extinta, denominada Galeocerdo aduncus. “Tive de trabalhar como um cientista forense”, lembrou o pesquisador Benites-Palomino.

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Um outro paleontólogo, Dean Lomax, da Universidade de Bristol e da Universidade de Manchester, no Reino Unido, disse que concorda com as conclusões do estudo. Porém, ressaltou ser difícil distinguir entre carniça e comportamento predatório ativo.

Para ele, é sempre muito raro dizer com 100% de certeza se isso foi definitivamente o resultado de um ataque ativo, em vez de carniça. Exceto se existissem evidências diretas do dugongo dentro do crocodilo, ou até mesmo do crocodilo e do dugongo morrendo em meio ao ataque.

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