O filósofo francês Bernard-Henri Lévy, de 76 anos, saiu em defesa de Israel em meio às críticas internacionais à atuação do país na Faixa de Gaza. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, em Paris, ele condenou o uso da palavra “genocídio” e classificou a acusação como “absurda e mentirosa”.
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“Genocídio, no Direito internacional, significa o projeto de extermínio metódico e total de um povo”, afirmou o filósofo. “Ora, nenhuma das características é preenchida. Um Exército que previne antes de atirar, que abre corredores de retirada de civis, que leva semanas, meses, anos, para submeter e derrotar as forças militares do Hamas não é um Exército genocida.”
Lévy lança no Brasil o livro Solidão de Israel, publicado na França poucos meses depois dos atentados de 7 de outubro. A obra trata do isolamento crescente do país e das distorções que cercam o conflito. Ele desembarca em São Paulo no dia 6 de novembro para evento da entidade StandWithUs Brasil.
Ao comentar o reconhecimento do Estado da Palestina por parte da França, Lévy classificou o gesto como inútil. Disse que a decisão “não ajudou a trazer de volta um refém nem a salvar um civil palestino”. Segundo ele, a medida apenas deu sinal verde para o extremismo, ao premiar o terror do Hamas em vez do diálogo dos Acordos de Oslo.
Lévy reconhece mérito de Trump e põe em xeque discurso de Lula
O filósofo francês também destacou o impacto do plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Lévy, a iniciativa se diferencia por pressionar Israel e Hamas ao mesmo tempo, o que jamais havia ocorrido. “Deus sabe que não sou um partidário de Trump, mas sou obrigado a reconhecer que ele foi o primeiro a ter essa ideia simples.”
Interpelado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lévy se mostrou cético. Como resultado, ele não apenas criticou o petista, mas sugeriu que Lula visite Israel com calma e observe a convivência entre diferentes etnias e religiões. “Vi declarações contraditórias de Lula”, disse à Folha. “Vi, por exemplo, comentários que falavam em genocídio. Ora, isso é difamação, é um absurdo.”
E completou: “Eu aconselharia, assim que tiver a oportunidade, a visitar de verdade Israel, que é uma das sociedades mais multiétnicas do mundo; uma sociedade multirreligiosa, onde um cidadão de cada cinco é muçulmano”.
Filósofo critica ministros de Israel, mas destaca força da democracia no país
Lévy também proferiu duras críticas ao governo israelense. Para ele, o país abriga dois ministros de perfil fascista — Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças. No entanto, o filósofo argumenta que, apesar desse cenário, Israel permanece sustentando suas instituições democráticas.
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“É a única sociedade, o único país que eu conheço — e eu vi muitas guerras na vida, cobri muitas guerras — que vive um estado de guerra permanente há 75 anos e que continua a ser uma democracia”, destacou.




































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