O Instituto de Mulheres do Reino Unido proibiu a filiação de transgênero. A partir de abril do próximo ano, a Federação Nacional dos Institutos de Mulheres (NFWI) não poderá mais oferecer associação formal a homens biológicos, à luz de uma decisão do Supremo Tribunal britânico de abril, que validou a definição de “mulher” a partir do sexo biológico. O anúncio aconteceu nesta quarta-feira, 3.
Melissa Green, diretora-executiva da NFWI, lamentou a medida. “É com o máximo pesar e tristeza que devemos anunciar que, a partir de abril de 2026, não poderemos mais oferecer filiação formal a mulheres transgênero”, disse Green. Segundo ela, a instituição vai criar programas para “continuar a oferecer companheirismo, irmandade e apoio a mulheres transgênero”.
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Pessoas transgênero filiadas atualmente não terão os cadastros cancelados de imediato, mas não poderão renovar a adesão depois de abril de 2026. A direção da entidade destacou que vai dialogar com essas integrantes para esclarecer a nova política e oferecer suporte durante a transição.
A mudança ocorre em meio a críticas à ministra para Mulheres e Igualdade, Bridget Phillipson, do Partido Trabalhista, acusada de postergar a divulgação de orientações da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos (EHRC), responsável por definir regras sobre acesso a espaços exclusivos para mulheres. O novo código de conduta poderá exigir que pessoas trans sejam questionadas sobre o uso de serviços separados por sexo, com base na aparência física.
O documento do EHRC orientará empresas, hospitais e órgãos públicos sobre como oferecer banheiros e vestiários separados por sexo. Apesar do julgamento da Suprema Corte, muitas instituições seguem permitindo o acesso de mulheres trans a espaços destinados apenas ao público feminino, o que gera incertezas até a publicação das novas diretrizes.
Melissa disse que a decisão foi tomada “apenas porque sentimos que não havia outra escolha” e que a continuidade da instituição depende de seguir a legislação vigente. “Para continuar atuando como uma organização de mulheres legalmente reconhecida, precisamos restringir a filiação formal a mulheres biológicas”, afirmou. “No entanto, essa mudança é exclusiva da política de membros e não altera nossa convicção de que mulheres transgênero são mulheres.”

Organização de escoteiras também impede entrada de transgênero
O Instituto de Mulheres, fundado em 1915, é a maior organização feminina do Reino Unido, com histórico de atuação em causas e desenvolvimento pessoal de mulheres. A NFWI representa os diversos núcleos regionais da instituição.
No mesmo contexto, a organização de escoteiras Girlguiding também decidiu, nesta terça-feira, 2, impedir a entrada de meninos biológicos. Helen Joyce, diretora do grupo Sex Matters, declarou que existem outras entidades voltadas ao público transgênero.
“Se mulheres — ou homens — querem participar de grupos mistos, há várias opções”, declarou. “O que diferencia grupos exclusivos para mulheres é justamente a restrição a pessoas do sexo oposto, mesmo aquelas que se identificam como mulheres.”
+ Leia também: “O fim do banheiro feminino“, reportagem de Isabela Jordão publicada na Edição 298 da Revista Oeste






































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