Um jovem que ganhou repercussão nas redes sociais ao confrontar parlamentares no Estado da Califórnia (EUA) voltou a criticar um projeto de lei em análise no Legislativo local. Jonni Skinner, de 23 anos, afirma que a proposta pode restringir o acesso de menores a acompanhamento psicológico voltado à disforia sexual.
Skinner participou de uma audiência no Comitê Judiciário do Senado da Califórnia para contestar o Projeto SB 934. Apresentado pelo senador progressista Scott Wiener, o texto permite que vítimas de “terapia de conversão” processem profissionais de saúde por negligência, mesmo anos depois do atendimento.
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Organizações pró-família, ativistas e parlamentares conservadores afirmam que a medida pode ampliar o alcance de ações judiciais contra psicólogos e médicos psiquiatras. O Conselho Familiar da Califórnia, por exemplo, sustenta que a redação do projeto abre espaço para processos relacionados a conversas clínicas sobre questões ligadas à sexualidade.
“De acordo com esse projeto de lei, eles [terapeutas] não podem questionar a identidade de gênero ou realmente investigar com esses pacientes as causas subjacentes de sua disforia”, disse Skinner, em entrevista à Fox News Digital. “Isso seria considerado ‘terapia de conversão’ sob o SB 934.”
A proposta, em análise no Senado, já recebeu aprovação em comissão e aguarda nova audiência marcada para esta segunda-feira, 20.
Jovem descreve consequências depois de intervenção médica
Skinner, biologicamente homem, cresceu em uma pequena cidade no Estado de Michigan, em uma família religiosa, e recebeu diagnóstico de autismo ainda na infância. Durante a audiência no Comitê Judiciário, relatou que enfrentava dificuldades de adaptação social e episódios de bullying.
Na adolescência, Skinner passou a sentir desconforto com o próprio corpo e buscou ajuda médica. Como resultado, os profissionais indicaram a redesignação sexual como única alternativa para lidar com o sofrimento.
“Eles não se deram ao trabalho de perguntar por que eu me sentia daquela maneira”, disse. “Eles envenenaram meu corpo com bloqueadores e hormônios, interrompendo minha puberdade e interferindo no meu desenvolvimento. O resultado é que sou um homem gay de 23 anos que nunca teve um orgasmo e talvez nunca venha a ter.”
Skinner também declarou que os tratamentos causaram efeitos físicos, como espasmos musculares, desmaios e problemas no trato urinário.
Em 2023, um novo médico sugeriu a interrupção dos hormônios. No mesmo período, ele iniciou pesquisas por conta própria e decidiu encerrar o tratamento. Mesmo assim, relatou a permanência de sintomas físicos associados ao uso das medicações.
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